Práticas de Saiko Matam a Indústria de Pesca do Gana

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EQUIPA DA ADF

As redes de pescas puxadas a bordo de um arrastão chinês encheram-se de sardinela, um peixe minúsculo e acinzentado, que é também fonte de alimentação e de rendimento no Gana.

Uma parte da captura estava morta e foi lançada para o mar, e maior parte dela foi transferida do arrastão para uma canoa grande, capaz de transportar cerca de 450 vezes mais peixe do que uma canoa de pesca artesanal. O arrastão chinês estava a pescar numa área destinada a pescadores artesanais. O transbordo de peixe no mar, conhecido como “saiko,” é ilegal no Gana.

Em 2017, a saiko levou 100.000 toneladas de peixe das águas ganesas, custando ao país milhões de dólares em receitas e ameaçando a segurança alimentar e o emprego, de acordo com a Fundação de Justiça Ambiental.

“Até um certo ponto, não haverá peixe suficiente para sustentar aqueles que dependem da pesca para a sua subsistência ou como o seu principal meio de sobrevivência, e essa parte da população não está em condições de ir para o exterior à busca de novas oportunidades”, Tabitha Mallory, professora afiliada de Relações Internacionais na Universidade de Washington e directora-executiva no Instituto Oceânico da China, disse à ADF num e-mail.

“Por conseguinte, países anfitriões como o Gana, talvez tenham de pensar cuidadosamente, se desejam ter frotas estrangeiras nas suas águas — não apenas chinesas, mas de outros países também,” acrescentou Mallory.

Mais de 200 vilas costeiras do Gana têm a pesca como a sua fonte primária de rendimento. Houve uma queda no rendimento médio anual de até 40% por canoa artesanal nos passados 15 anos, de acordo com a fundação.

“Um grupo de trabalho técnico e científico ajudou-nos a compreender que a saiko, como tem sido praticada agora, é a forma mais destrutível da [pesca] e, na realidade, está a causar o colapso da indústria,” Nana Pager, de 38 anos de idade, cuja família pescou em águas do Gana por gerações, disse ao Joy News do Gana.

“Uma análise de uma lâmina da saiko, feita pelo Departamento de Pescas e Ciências Aquáticas, revelou que mais de 90% da captura [era] juvenil,” disse Pager.

A captura de grandes quantidades de peixe juvenil esgotou rapidamente as populações de peixe no Gana.

“Os peixes são retirados antes de se poderem reproduzir,” lamentou Mallory à ADF. “As capturas do Gana estiveram em declínio nas passadas duas décadas, e a tendência está correlacionada com o crescimento da saiko no mesmo período de tempo.”

Nana Anobil, um pescador em Abandze, disse ao Joy News que enormes arrastões chineses rotineiramente invadem as águas que foram designadas para os pescadores artesanais e recolhem lanços enormes com redes proibidas, que são usadas para retirar grandes quantidades de peixe pequeno. Ele disse que os arrastões chineses, muitas vezes, operam com licenças fora do prazo.

“Estas pessoas deixam-nos realmente preocupados, e o [nosso] governo devia intervir neste assunto em nosso favor,” disse Anobil.

Mallory disse que a China está ciente dos efeitos que as suas frotas de pesca em águas longínquas têm sobre a indústria de pesca do Gana, visto que Pequim baniu a pesca comercial doméstica em muitas regiões. Ela disse que é pouco provável que o governo da China retire os seus arrastões das águas do Gana em breve.

“O maior problema é a grande capacidade financeira do governo chinês,” disse Mallory. “Eles fornecem os melhores subsídios de pescas do mundo às suas frotas; aproximadamente um quarto do total global dos subsídios de pesca prejudiciais é proveniente da China. Assim, enquanto houver dinheiro, provavelmente veremos empresas chinesas à procura de peixe.”

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