Os grupos terroristas transnacionais sabem como encontrar pontos fracos no mapa. Procuram regiões isoladas porque os países não cooperam militarmente nem partilham informações. Movem-se ao longo de fronteiras com pouca vigilância. Procuram pessoas que se sentem mal servidas e esquecidas pelo seu governo. Procuram comunidades assoladas por divisões culturais e políticas.
Estes são os ingredientes necessários para o terrorismo prosperar, e a mistura é bastante forte no Sahel.
Nos últimos anos, o Sahel tem sido o epicentro mundial do terrorismo, sendo responsável por quase metade das mortes relacionadas com o terrorismo no mundo. Os golpes militares no Burquina Faso, no Mali e no Níger foram lançados com o objectivo de acabar com a violência, mas não fizeram nada para retardar a sua expansão. As parcerias com mercenários estrangeiros só levaram a mais derramamento de sangue e caos. Agora, grupos terroristas afiliados à al-Qaeda e ao Estado Islâmico estão a avançar em direcção à costa ocidental africana.
O Sahel não é o único ponto crítico do terrorismo. Os grupos terroristas também operam na Somália, na Bacia do Lago Chade, na região dos Grandes Lagos e em Moçambique. Na última década, os terroristas mataram 150.000 pessoas em África.
A única maneira de impedir esses ataques é protegendo as zonas onde os terroristas operam livremente. Isso não pode ser feito por uma nação sozinha. Serão necessários esforços continentais e regionais para desenvolver formação conjunta e intercâmbio de conhecimento e inteligência.
Em alguns casos, isso já está a acontecer. O Senegal e a Mauritânia patrulham conjuntamente as fronteiras terrestres e marítimas. A Costa do Marfim abriu a sua Academia Internacional de Combate ao Terrorismo a combatentes de todo o continente. Os países costeiros estão à procura de novas formas de parceria com os seus vizinhos do Sahel, apesar dos desafios políticos.
Esta cooperação é vital e o tempo é essencial. Grupos terroristas transnacionais que perderam terreno no Médio Oriente mudaram-se para África, com ambições semelhantes de estabelecer um califado que atravessa fronteiras e desestabiliza grande parte do continente. Ao trabalharem em conjunto, as nações podem negar aos terroristas o espaço e o ambiente de que precisam para lançar ataques. Os profissionais de segurança e os líderes civis de África devem aproveitar o momento, reconhecer a missão comum e combater a crescente ameaça.
