O que é segurança? Pode significar acesso a alimentos, abrigo, cuidados de saúde, estabilidade económica ou protecção contra a violência. Muitas vezes, significa tudo isso.
Cada vez mais, as forças armadas estão a adoptar uma abordagem holística à prestação de segurança. Eles sabem que a sua principal responsabilidade é proteger os cidadãos do país, mas isso raramente pode ser feito apenas por meios militares. Mais, muitas vezes, problemas complexos exigem uma resposta que aborde as causas profundas da insegurança.
Na África Ocidental, por exemplo, os países costeiros enfrentam uma ameaça crescente de grupos terroristas baseados no Sahel. Esses grupos estão determinados a expandir-se para o sul e formar um califado que atravesse as fronteiras.
Em muitos países costeiros, os grupos terroristas têm como alvo regiões subdesenvolvidas com pouca presença do Estado. Os terroristas aproveitam-se disso oferecendo empregos e serviços e pregando uma ideologia que atiça as queixas locais.
Em resposta, as forças armadas reconheceram que a garantia da segurança deve incluir a construção de confiança com os civis. No Benin, as forças armadas lançaram comissões civis-militares que promovem o diálogo e realizam eventos como clínicas veterinárias e de saúde. A divulgação faz parte de uma estratégia nacional mais ampla que inclui a prestação de serviços estatais, investimento na região e uma maior presença militar para enfrentar os terroristas. Esforços semelhantes estão em curso na Costa do Marfim, no Gana e no Togo. O objectivo é construir resiliência nessas comunidades fronteiriças para que elas não sejam mais vulneráveis ao recrutamento terrorista.
Essa é apenas uma das formas pelas quais as forças armadas estão a ampliar o âmbito das suas actividades. No Senegal, as Forças Armadas entraram em acção durante as inundações históricas de 2024 para evacuar pessoas, fornecer apoio logístico e distribuir ajuda humanitária. As Forças de Defesa do Quénia estão a impedir o roubo de gado e a acabar com o comércio ilegal de armas que alimenta a violência intercomunitária. Na Mauritânia, soldados da Guarda Nacional que montam camelos, conhecidos como Meharistes, visitam comunidades isoladas e fornecem tudo, desde água potável a cuidados médicos.
A segurança holística não pode ser uma estratégia exclusivamente militar. A experiência mostra que, quando as forças de segurança fazem parte de um esforço de todo o governo e de toda a sociedade, os resultados são melhores. Ao ver a insegurança na perspectiva das pessoas que servem, os governos, os grupos da sociedade civil e os profissionais militares podem oferecer resultados eficazes e duradouros.
