O General Charles Muriu Kahariri, chefe das forças de defesa do Quénia, fez o discurso de abertura na Conferência dos Chefes de Defesa Africanos de 2025, em Nairobi, no dia 28 de Maio. Durante a conferência, altos oficiais militares de toda a África discutiram o combate às ameaças transnacionais, o fortalecimento de parcerias e a partilha de conhecimentos. Os seus comentários foram editados por questões de extensão e clareza.
Para nós, membros da comunidade de defesa, a Conferência dos Chefes de Defesa Africanos passou a representar muito mais do que uma conferência. É um fórum que nos permite alinhar o pensamento estratégico, fortalecer a nossa postura colectiva e reforçar a unidade que sustenta a segurança continental. A sua crescente relevância reflecte um reconhecimento comum de que os nossos desafios de segurança e as suas soluções estão interligados.
A nossa presença aqui hoje reafirma esta visão partilhada, uma visão de uma África segura, resiliente e confiante na sua capacidade de moldar o seu próprio futuro. A conferência deste ano reúne-se num momento em que o ambiente de segurança regional e global está a tornar-se cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo.
Hoje, as nossas forças armadas têm de lidar com ameaças tradicionais e não tradicionais, que são exacerbadas pela proliferação da tecnologia. O ambiente de segurança prevalecente e o fácil acesso a armas sofisticadas geram actores não estatais encorajados que desafiam activamente as forças governamentais através da aplicação de estratégias e tácticas assimétricas.
Isso leva a conflitos prolongados, tornando a nossa região e o mundo em geral, mais inseguros.
As ameaças contemporâneas à segurança em África incluem conflitos armados internos internacionalizados, terrorismo, ameaças à segurança cibernética e uma miríade de ameaças marítimas. Elas exigem estratégias abrangentes que abordem não apenas as ameaças imediatas, mas também os factores políticos, económicos e sociais subjacentes que contribuem para a instabilidade em todo o continente.
Nas circunstâncias actuais, nenhuma agência governamental ou Estado pode mitigar eficazmente as ameaças, porque elas são transversais e transnacionais. Portanto, o tema desta conferência, “Reforçar a Segurança Africana, Sustentando a Unidade de Esforços,” aborda directamente o panorama actual e futuro da defesa em África. Ele coloca em foco os imperativos estratégicos fundamentais que definem o nosso tempo e sublinha os facilitadores estruturais de forças armadas eficazes, que incluem o avanço tecnológico, o capital humano profissional, as parcerias institucionais sob a forma de operações multiagências, as parcerias internacionais e as relações civis-militares prósperas.
Estes conceitos reflectem as realidades vividas pelas nossas respectivas nações e as aspirações dos nossos povos. Desafiam-nos a evoluir, a integrar-nos de forma mais eficaz entre as instituições governamentais, bem como entre os Estados e as regiões, e a garantir que as nossas forças armadas continuem a ser guardiãs da integridade territorial, da estabilidade, da dignidade e do progresso dos nossos povos.
Embora os países africanos tenham envidado esforços para desenvolver as suas forças armadas individuais, é necessário fazer mais para integrar as forças, de modo a garantir operações de segurança bilaterais e multilaterais eficazes, a fim de proteger o continente em geral. As áreas-chave que precisam de ser abordadas incluem o desenvolvimento de quadros de partilha de informações; a normalização da formação, do equipamento e das doutrinas operacionais; a mobilização de recursos para mitigar as disparidades e optimizar as capacidades; bem como o desenvolvimento de estratégias abrangentes para combater as ameaças cibernéticas e outras ameaças emergentes.
Como co-anfitriã, as Forças de Defesa do Quénia estão profundamente empenhadas em apoiar um envolvimento construtivo durante esta conferência e para além dela, a fim de enfrentar os desafios identificados.
Consideramos este encontro uma oportunidade para refinar a nossa visão comum, renovar as nossas parcerias estratégicas e inspirar inovações que perdurarão após esta conferência.
Por isso, exorto todos nós a aproveitar esta oportunidade para fortalecer a nossa determinação comum e elevar o papel das nossas instituições de defesa na promoção da paz, resiliência e prosperidade em toda a África.
