Mais de 570 criminosos cibernéticos foram presos como parte de uma operação internacional abrangente destinada a impedir operações de fraude online.
A Operação Sentinel da Interpol, parte da sua Operação Conjunta Africana contra o Crime Cibernético, concentrou-se no crime cibernético que envolvia comprometimento de e-mails comerciais, extorsão digital e ransomware.
O comprometimento de e-mails comerciais é uma técnica que usa a identidade de uma figura de confiança, como um director da empresa, para enganar os funcionários e levá-los a fornecer dinheiro ou revelar segredos corporativos. A extorsão digital e o ransomware são métodos semelhantes de roubar informações pessoais ou bloquear um sistema informático e, em seguida, exigir dinheiro da vítima para recuperar o acesso.
A investigação de um mês no final de 2025 recuperou 3 milhões de dólares em fundos roubados, fechou 6.000 links maliciosos e descriptografou seis programas distintos de ransomware.
Num golpe, os burlões visaram uma empresa petrolífera senegalesa com um ataque de comprometimento de e-mails comerciais. Os invasores usaram o sistema de e-mail interno da empresa, fazendo-se passar por executivos da empresa para autorizar transferências bancárias fraudulentas, totalizando quase 8 milhões de dólares.
De acordo com a Interpol, as autoridades senegalesas impediram as transferências antes que os criminosos pudessem retirar os fundos.
No Gana, um ataque de ransomware contra uma instituição financeira encriptou 100 terabytes de dados e roubou aproximadamente 120.000 dólares, interrompendo serviços essenciais.
Usando análise avançada de malware, as autoridades ganesas identificaram o software de ransomware e desenvolveram uma ferramenta de descriptografia que recuperou quase 30 terabytes de dados.
As autoridades ganesas também ajudaram a desmantelar uma grande rede de fraude cibernética que operava em todo o país e na Nigéria, que roubou mais de 400.000 dólares de mais de 200 vítimas.
Os golpistas usaram sites e aplicativos móveis projectados profissionalmente para imitar marcas conhecidas de fast-food, colectando pagamentos, mas nunca entregando as encomendas. As autoridades prenderam 10 pessoas no Gana, confiscaram mais de 100 dispositivos digitais e tiraram 30 servidores fraudulentos do ar.
No Benin, as autoridades derrubaram 43 domínios maliciosos e 4.318 contas de redes sociais ligadas a esquemas de extorsão e fraudes, levando a 106 prisões.
A Operação Sentinel foi a mais recente acção contra criminosos cibernéticos em toda a África. Em Agosto, a Operação Serengeti 2.0 prendeu mais de 1.200 suspeitos, confiscou mais de 97 milhões de dólares roubados das vítimas e fechou 25 centros de mineração de criptomoedas supostamente administrados por 60 cidadãos chineses em Angola.
“A escala e a sofisticação dos ataques cibernéticos em toda a África estão a acelerar, principalmente contra sectores críticos como finanças e energia,” disse Neal Jetton, director de crime cibernético da Interpol.
À medida que o acesso à internet se expande rapidamente em toda a África — principalmente por meio de redes de telefonia móvel — a segurança cibernética e a educação continuam a ficar para trás, deixando pessoas e empresas vulneráveis aos criminosos cibernéticos.
Os países com as maiores populações online, incluindo África do Sul e Egipto, tendem a sofrer o maior número de eventos de crime cibernético. Especialistas em segurança estimam que o crime cibernético é responsável por 30% de todos os crimes na África Ocidental e Oriental.
A Nigéria, em particular, tornou-se um foco de operações de fraude na internet.
Entre os criminosos cibernéticos da região estão os chamados Yahoo Boys — adolescentes treinados por operadores de crime cibernético para realizar golpes online, muitas vezes, usando plataformas de redes sociais como o WhatsApp.
Jetton elogiou as 19 nações africanas que colaboraram com a Interpol para desmantelar operações de crime cibernético em todo o continente.
“Os resultados da Operação Sentinel reflectem o compromisso das agências policiais africanas, trabalhando em estreita coordenação com parceiros internacionais,” disse Jetton. “As suas acções protegeram com sucesso meios de subsistência, garantiram dados pessoais confidenciais e preservaram infra-estruturas críticas.”
