A Tunísia recebeu equipamento de combate ao terrorismo no valor de 1,4 milhões de dólares do governo dos Estados Unidos, uma medida que reforça a parceria de segurança entre os dois países.
Os equipamentos foram entregues em meados de Dezembro no âmbito do Programa de Assistência Antiterrorismo dos EUA (ATA), que fornece treino de combate ao terrorismo e subsídios para equipamentos às autoridades policiais, ajuda os parceiros a enfrentar os desafios de segurança, defende contra ameaças à estabilidade nacional e regional e impede operações terroristas. A Embaixada dos EUA na Tunísia não especificou a natureza exacta do equipamento.
“A parceria duradoura em matéria de segurança entre os EUA e a Tunísia reforça a segurança de ambos os países e promove a estabilidade regional,” afirmou a embaixada.
Em 2025, a Tunísia recebeu dos EUA dois barcos patrulha da classe Island, com 34 metros, que ajudam as forças a proteger os 1.148 quilómetros de costa do país, confrontados com ameaças de contrabando, crime organizado e terrorismo. Também foi noticiado em 2025 que a Tunísia estava prestes a comprar um número não revelado de barcos patrulha Archangel de 20 metros dos EUA, a um custo total estimado de 110 milhões de dólares. A aquisição incluirá sistemas de GPS, de navegação e de comunicações, bem como formação. A Tunísia co-organizou o exercício Leão Africano 2025 juntamente com a Força-Tarefa do Exército dos EUA para o Sul da Europa e África.
Em Setembro de 2024, as autoridades anunciaram planos para os EUA construírem um centro regional de treino naval em Bizerte, Tunísia, para melhorar o treino marítimo e reforçar a cooperação em matéria de segurança no Mediterrâneo. A instalação oferecerá formação avançada em navegação marítima, operações anfíbias e segurança marítima. Contará com instalações de última geração, incluindo instalações de instrução em combate corpo a corpo, um campo de tiro, uma pista de obstáculos e uma torre de treino.
Sem Ataques Graves Desde 2023
A Tunísia não sofreu nenhum ataque terrorista grave desde Maio de 2023, quando um atirador matou dois fiéis e três agentes de segurança na sinagoga el Ghriba, a mais antiga de África, localizada na ilha tunisina de Djerba.
Desde esse ataque, as forças de segurança tunisinas têm frustrado ataques antes que eles aconteçam, de acordo com o especialista em segurança tunisino Mohsen Chokri, que escreveu no LinkedIn que os desafios de segurança do país existem principalmente nas regiões fronteiriças a menos de 16 quilómetros da Argélia e da Líbia.
Chokri destacou o Parque Nacional do Monte Chaambi, em Kasserine, na fronteira com a Argélia, como uma área específica de preocupação, bem como o remoto deserto do sul, perto de Remada, também na fronteira com a Argélia. As áreas onde se reúnem grandes multidões, sobretudo durante feriados ou comemorações, também representam desafios de segurança.
Chokri descreveu os desafios de segurança da Tunísia como “fundamentalmente geográficos.”
“A Líbia continua desestabilizada,” escreveu Chokri. “Isso afecta directamente a fronteira sul. A Argélia gere as suas próprias tensões de segurança. A região do Sahel enfrenta actividades militantes contínuas. A Tunísia fica nesta vizinhança. A geografia não é destino, mas é um factor. O que a Tunísia conseguiu fazer com sucesso: evitar incidentes dramáticos, apesar dessas pressões. Evitar infiltrações transfronteiriças em grande escala. Manter forças de segurança operacionais sem cair em conflitos armados. Isso é importante.”
O trabalho das forças de segurança da Tunísia, de acordo com Chokri, permitiu que a vida funcionasse normalmente em áreas populosas, incluindo Túnis, a capital, e grandes cidades como Gafsa, Sfax, Sousse e Tozeur.
“Eu caminho por Túnis, Sfax e cidades costeiras regularmente. A vida é normal. As pessoas trabalham, estudam, socializam, viajam,” escreveu Chokri. “Sim, existem postos de controlo de segurança nas entradas das cidades — isto é normal desde 2015. Mostra-se o documento de identificação e segue-se em frente. Demora 30 segundos.”
Chokri também considerou as áreas turísticas costeiras, as principais estradas e auto-estradas, os distritos comerciais, os centros comerciais, as instituições públicas e as áreas governamentais como geralmente seguras.
Um estado de emergência está em vigor na Tunísia desde 2015, quando uma série de ataques terroristas abalou o país. O estado de emergência confere às forças de segurança uma autoridade operacional alargada, o que se traduz numa maior visibilidade do pessoal de segurança, em interrogatórios ocasionalmente mais longos nos postos de controlo fronteiriços e numa melhoria da monitorização das instituições religiosas, dos edifícios governamentais e das infra-estruturas turísticas.
“Nada disso é anormal, dado o contexto regional,” escreveu Chokri. “Trata-se de infra-estruturas de protecção.”
