O Centro Nacional de Combate ao Terrorismo (NCTC) da Nigéria está a rever a sua estratégia à medida que as organizações terroristas lançam novos ataques.
O NCTC, o Gabinete do Conselheiro de Segurança Nacional e outras partes interessadas discutiram a estratégia durante um workshop de dois dias em Fevereiro. Este seminário realizou-se no meio de uma vaga de ataques terroristas perto da fronteira norte do país com o Níger. Durante o evento, o Major-General Adamu Garba Laka, coordenador nacional do centro, caracterizou o extremismo violento como “um dos desafios de segurança mais complexos do nosso tempo.”
“Ameaça a segurança nacional e o próprio tecido de várias comunidades, instituições e coesão social,” Laka disse num relatório publicado no site do centro.
O documento oficial de estratégia antiterrorista do NCTC, conhecido como Quadro de Políticas e Plano de Acção Nacional (PCVE), foi desenvolvido em 2014 e revisto em 2016. Laka disse que a nova revisão irá incorporar uma abordagem de todo o governo e de toda a sociedade para combater a radicalização e o extremismo violento. Laka disse que mensagens eficazes também são cruciais para combater a violência extremista, promover o envolvimento positivo do público e garantir que os esforços de combate ao terrorismo sejam proactivos e baseados em evidências.
“Uma política é tão eficaz quanto a sua implementação e é por isso que estamos aqui reunidos hoje, para garantir que damos passos deliberados e estratégicos no sentido de localizar e operacionalizar este quadro,” afirmou no site do NCTC.
A revisão da estratégia coincidiu com a evolução das ameaças à segurança. No final de Janeiro, supostos combatentes da Província da África Ocidental do Estado Islâmico (ISWAP) mataram 20 soldados nigerianos, incluindo um oficial comandante, numa base militar na cidade de Malam Fatori, perto da fronteira com o Níger. Os terroristas atacaram em camiões equipados com armas e dominaram as tropas nigerianas num assalto coordenado.
“As tácticas utilizadas pelos actores não estatais continuam a evoluir e tornaram-se altamente imprevisíveis,” Laka disse numa reportagem da Voz da América (VOA). “A Nigéria está a lidar com os desafios da insegurança, graças aos esforços feitos pelo pessoal e pelas agências encarregadas de garantir a vida dos cidadãos, o que tem assegurado o declínio do número de tais incidentes.”
Kabiru Adamu, analista da Beacon Security and Intelligence Ltd., afirmou que os ataques na zona irão provavelmente aumentar se esta não for protegida pelos militares.
“Parece que o objectivo desse ataque em particular é enfraquecer a capacidade de resposta dos militares nigerianos,” Adamu disse à VOA. “O facto de não terem fortificado aquele local, o facto de não terem reposto rapidamente o que foi perdido — temos visto constantemente igrejas a serem queimadas, bases militares a serem atacadas.”
O analista de segurança Ebenezer Oyetakin argumentou que, para além de rever as estratégias de combate ao terrorismo, as autoridades também têm de descobrir os financiadores do terrorismo. Para além da luta contra o ISWAP, as forças armadas nigerianas têm tentado travar a insurgência do Boko Haram desde 2009.
“Quando se olha para a operação da al-Qaeda, se a compararmos com o ISIS — a forma como se deslocam na sua coluna — e depois a compararmos com o Boko Haram, veremos a semelhança, o que significa que são demasiado dinâmicos, não são apenas um bando de analfabetos que estão a tentar fazer face às despesas,” Oyetakin disse à VOA. “Devemos procurar os que estão por detrás deles em vez de nos preocuparmos com políticas que não estão a ser sinceramente implementadas.”
No início de Março, o NCTC afirmou que pretendia reforçar a colaboração com a Aliança dos Estados do Sahel (AES) para criar sinergias nos esforços militares no âmbito da Comissão da Bacia do Lago Chade. As juntas militares do Burquina Faso, do Mali e do Níger criaram a aliança em 2024. Laka disse que a cooperação com a AES permitirá que os países partilhem informações, recursos e conhecimentos.
“É também bem sabido que os desafios que enfrentamos no combate ao terrorismo são multifacetados e complexos, exigindo abordagens inovadoras e uma determinação inabalável,” Laka disse no site do NCTC. “Ao unirmo-nos neste espírito de compreensão e cooperação mútuas, reforçamos a nossa determinação e melhoramos as nossas capacidades para combater eficazmente o terrorismo.”