A região ocidental de Tillabéri, no Níger, tornou-se a área mais mortífera do Sahel central para os civis, devido a um aumento dos ataques por parte de grupos terroristas como o Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP) e o Jama’at Nusrat al Islam wal Muslimin (JNIM),
De acordo com o Projecto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), mais de 1.200 das 1.939 mortes registadas no Níger no ano passado ocorreram em Tillabéri. O ISSP foi responsável pelo maior número de vítimas mortais em ataques a civis, seguido pelas operações das forças armadas nigerinas e do JNIM, que está afiliado à al-Qaeda.
“A violência em Tillabéri estendeu-se geograficamente por muitos dos departamentos da região, ilustrando a sua crescente importância para a militância jihadista e a rivalidade,” escreveram os investigadores do ACLED. “Tillabéri também se destacou em termos de danos causados a civis, pois registou o nível mais elevado de ataques contra civis entre todas as regiões dos três países do Sahel central ao longo do último ano.”
Situada ao longo das fronteiras do Níger com o Burquina Faso e o Mali, Tillabéri circunda o distrito da capital, Niamey, e tornou-se um local onde os terroristas “matam, saqueiam e extorquem,” Amadou Arouna Maiga, coordenador da União de Tillabéri para a Paz e a Segurança, disse à Agence France-Presse.
O departamento de Tera, em Tillabéri, que faz fronteira com o Burquina Faso a oeste, registou o nível mais elevado de violência no ano passado. A região também liga vários teatros de conflito sobrepostos, incluindo a região de Liptako-Gourma, que abrange as regiões fronteiriças do Burquina Faso, Mali e Níger; o Complexo W-Arly-Pendjari, que se estende pelo Benin, Burquina Faso e Níger; e as regiões malianas de Dosso, Menaka e Tahoua.
A junta militar do Níger, liderada pelo General Abdourahamane Tchiani, prometeu melhorar a segurança e combater o terrorismo quando assumiu o poder em Julho de 2023. Isso não aconteceu, e a investigadora
argumentou recentemente que o Níger se encontrava numa posição comparativamente mais forte do que os seus vizinhos do Sahel antes do golpe. De acordo com dados do ACLED, não houve um aumento dramático na frequência de ataques terroristas no período imediatamente anterior à tomada do poder por Tchiani.
“Antes do golpe, o Níger seguia uma estratégia que era, segundo os padrões realistas, coerente: construir um equilíbrio de poder através de alianças e gerir as ameaças com a capacidade disponível,” Namora escreveu para a revista Modern Diplomacy. “A junta desmantelou essa estratégia, desencadeou um novo dilema de segurança e agravou precisamente as condições que alegava estar a remediar.”
Fê-lo expulsando as forças ocidentais e recorrendo a mercenários russos — primeiro o Grupo Wagner, agora o Africa Corps — para assistência em matéria de segurança. Tanto as forças nigerinas como os mercenários russos têm sido, desde então, acusados de matar civis, bem como de violações de direitos humanos e massacres.
De acordo com o Centro Global para a Responsabilidade de Proteger, as tropas de Tchiani intensificaram as operações de contra-insurgência em Dezembro de 2025 e declararam uma “mobilização geral,” concedendo poderes abrangentes para requisitar civis e recursos para reforçar as operações. No entanto, o ISSP lançou, no dia 29 de Janeiro, um ataque sem precedentes ao aeroporto internacional e à base aérea militar em Niamey. Isso envolveu a primeira utilização relatada de drones pelo grupo no Níger.
Um meio de comunicação do Estado Islâmico partilhou um vídeo do ataque no qual militantes do EI falavam Kanuri, uma língua mais comummente utilizada na bacia do Lago Chade. Os militantes do ISSP provêm de diversas áreas, mas isto pode significar que operadores de drones mais experientes do Estado Islâmico na Província da África Ocidental tiveram um papel no ataque, de acordo com Ladd Serwat, analista sénior do ACLED.
No dia 24 de Março, o ISSP matou sete soldados nigerinos e roubou um veículo militar após atacar a aldeia de Wanni, em Tillabéri. Os residentes locais afirmaram que os terroristas chegaram por volta das 9h00 e roubaram gado antes de partirem. Os soldados nigerinos foram emboscados enquanto os perseguiam, segundo noticiou o jornal nigeriano Daily Post.
Os investigadores do ACLED prevêem que Tillabéri continuará a ser marcada pela dinâmica transfronteiriça e pela mobilidade dos militantes.
“A dinâmica actual do conflito sugere que, sem mudanças significativas nas condições de segurança da região, Tillabéri provavelmente continuará a ser um foco de violência no próximo ano,” escreveram os investigadores em Janeiro.
