A nova Força Unificada da Aliança dos Estados do Sahel (Força Unificada da AES) procura melhorar os esforços de combate ao terrorismo no Burquina Faso, Mali e Níger — uma região em conflito onde os esforços coordenados anteriores falharam.
Lançada em Dezembro de 2025 pelas juntas militares no poder nos três países, a Força Unificada enfrenta desafios profundos colocados pelo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado à al-Qaeda, pelo Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP), entre outros grupos terroristas e milícias armadas. A força aumentou de 5.000 para 6.000 soldados em Fevereiro, num contexto de crescente violência contra civis nos três países.
“Estamos cientes de que os [terroristas] beneficiam de apoio material, financeiro, em armas e de inteligência de alta tecnologia,” afirmou na altura o General Abdourahamane Tchiani, líder da junta militar do Níger, na televisão estatal nigerina. Acrescentou que a força também foi reorganizada “para que possa enfrentar qualquer eventualidade.”
A Força Conjunta do G5 Sahel foi o esforço mais recente dos Estados do Sahel central para estabelecer um mecanismo de segurança conjunto. A força do G5, que incluía tropas de Burquina Faso, Mali, Mauritânia, Níger e Chade, foi criada em Julho de 2017. Enfrentou desafios críticos, incluindo escassez de financiamento, restrições logísticas e capacidade operacional limitada, antes de dissolver-se em Dezembro de 2023.
Enquanto alguns analistas alertam que a Força Unificada da AES poderá enfrentar problemas semelhantes, outros, tais como Leylatou Saidou Daoura e Rahinatou Leïla Salia, do Instituto de Estudos de Segurança, assinalam diferenças fundamentais entre as forças. A Força Conjunta do G5 Sahel dependia fortemente de fontes de financiamento externas para apoio e realização de operações militares conjuntas, o que limitava a autonomia dos países do Sahel. A força dos Estados da AES utiliza fundos do Fundo de Apoio Patriótico do Burquina Faso, do Fundo de Solidariedade para a Salvaguarda da Pátria do Níger e do Fundo de Apoio a Projectos de Infra-estruturas Básicas e Desenvolvimento Social do Mali. Os países estão também a trabalhar para evitar que a força se torne excessivamente dependente de um único país externo para obter apoio.
Conforme observado por Daoura e Salia, os batalhões da força do G5 estavam confinados a sectores geográficos designados, com direitos de perseguição limitados a um raio de 100 quilómetros de cada lado das fronteiras nacionais. A força AES pretende operar nos três países.
“O quartel-general tem plena autoridade operacional sobre as tropas, o que lhe permite mobilizar e deslocar tropas sem aprovação prévia dos Estados-maiores nacionais — uma importante limitação estrutural para o G5 Sahel,” escreveram os analistas.
Ao contrário da sua antecessora, a força AES poderá ser reforçada pela determinação dos Estados-membros em preservar a soberania e por um forte alinhamento político e uma estreita coordenação entre os três governos, de acordo com Daoura e Salia. Afirmam que a força tentará provavelmente replicar os esforços de uma operação tripartida de 2025 na área de Liptako Gourma, onde as fronteiras dos três países se encontram. Vários combatentes afiliados ao EI foram mortos e quatro detidos na região de Tillabéri, no Níger, durante a Operação Yereko 2, em Março de 2025.
A “eficácia da força AES dependerá da sua capacidade de cooperar com os exércitos dos Estados vizinhos — muitos dos quais também enfrentam ameaças de extremismo violento e redes criminosas,” escreveram Daoura e Salia. “Os canais de abastecimento ilícito e contrabando de recursos operacionais (armas, motorizadas, combustível, drones, etc.) para grupos armados atravessam muitas fronteiras na região.”
A violência no Burquina Faso, Mali e Níger aumentou desde que estes países ficaram sob controlo militar entre 2022 e 2023, agravando condições humanitárias já desastrosas. Agora, os terroristas estão a aumentar a pressão sobre as capitais dos três países.
No dia 29 de Janeiro, o ISSP atacou o aeroporto da capital do Níger, Niamey, onde a aliança tem a sua sede. De acordo com o Projecto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, o ataque foi a primeira utilização de drones pelo grupo terrorista no Níger. O JNIM impôs um bloqueio de combustível durante meses à capital do Mali, Bamako.
O Burquina Faso foi classificado como o país mais afectado pelo terrorismo a nível global pelo mais recente Índice Global de Terrorismo. Desde que o Capitão Ibrahim Traoré tomou o poder no Burquina Faso em 2022, os terroristas mataram cerca de 87% mais civis do que nos três anos anteriores e operam com relativa liberdade em cerca de 80% do país. As forças alinhadas com o governo terão morto cerca de 132% mais civis do que nos três anos anteriores, segundo relatou o Atlantic Council em Fevereiro.
