Grupos terroristas dos Estados do nordeste da Nigéria estão a expandir o uso de drones comerciais prontos a usar (COTS), aumentando a sua capacidade de atacar complexos militares e alvos civis nos Estados de Borno e Yobe.
No fim-de-semana que começou a 28 de Fevereiro, soldados nigerianos repeliram ataques do Boko Haram contra três bases operacionais avançadas na região. Após matarem 10 terroristas, os soldados recuperaram uma variedade de armas, incluindo drones armados.
O Premium Times da Nigéria noticiou no início deste ano que terroristas do Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) adquiriram 35 drones quadricópteros transportados através de rotas de contrabando na bacia do Lago Chade.
“Se o ISWAP e outros grupos terroristas conseguirem obter drones em grande escala, isso sugere que a insegurança na Nigéria, particularmente no nordeste e noroeste, pode estar a entrar numa fase mais perigosa,” o analista Ezenwa E. Olumba escreveu para a London School of Economics and Political Science.
Os terroristas de toda a região têm usado drones para recolher informações, direccionar armas e filmar propaganda. A adição de drones armados dá aos grupos terroristas a capacidade de alterar o ritmo da violência, escreveu Olumba.
“Os drones podem permitir-lhes realizar ataques repetidos e sustentados contra as formações militares nigerianas, em vez de ataques esporádicos,” acrescentou. “Isso também aumenta a possibilidade de ataques coordenados com vários drones por parte dos terroristas, utilizando enxames de drones.”
Com os terroristas a adoptarem drones armados, os residentes temem um aumento da violência.
“O ISWAP provou ser altamente adaptável, aprendendo e evoluindo em resposta às estratégias militares do Estado,” Samuel Malik, que trabalha para a Good Governance Africa, disse à DW.
Numa tentativa de impedir ataques com drones, as autoridades nigerianas proibiram o uso de drones civis de estilo comercial em certas partes do país mais afectadas por grupos terroristas. O analista Taiwo Adebayo, do Instituto de Estudos de Segurança da África do Sul, pediu que a Nigéria se empenhe mais em bloquear os suprimentos dos terroristas, como o corredor do Lago Chade, e interromper o seu financiamento.
Olumba apontou que grupos como o Boko Haram e o ISWAP estão a adicionar drones armados ao seu arsenal, em parte, porque podem pagar por isso — eles são suficientemente ricos para gastar muito dinheiro em drones que serão usados apenas uma vez.
Analistas afirmam que os governos devem responder à crescente ameaça dos quadricópteros armados desenvolvendo melhores contramedidas, bem como a sua própria indústria de drones. Nos últimos anos, a Nigéria intensificou a produção doméstica de drones por meio de empresas como a Briech UAS e a Terra Industries. O primeiro drone produzido pela Briech foi lançado em Abril de 2025.
Olumba insta o governo nigeriano a investir directamente nos fabricantes de drones para garantir a sua longevidade e reduzir a sua necessidade de receitas estrangeiras.
“Um apoio estável financiado pelo Estado permitiria às empresas gastar menos tempo à procura de financiamento e mais tempo em investigação, testes e produção,” escreveu.
A Nigéria deve encontrar um meio de construir e lançar diversos sistemas de drones, reforçar as defesas aéreas e implementar medidas eficazes de combate aos drones em regiões de alto risco.
“A próxima fase da contra-insurgência será moldada menos pelo poder de fogo e mais pela velocidade de adaptação às tecnologias emergentes,” escreveu Olumba.
