A Nigéria ficou abalada depois de membros de um ramo do Boko Haram terem morto cerca de 200 pessoas e raptado 38, no dia 3 de Fevereiro. Algumas das vítimas foram mortas a tiro, outras foram queimadas vivas.
Os sobreviventes afirmaram que os jihadistas tinham enviado uma carta exigindo que os aldeões adoptassem a sua interpretação rigorosa do Islão e ficaram furiosos quando os líderes da comunidade recusaram. Woro é predominantemente muçulmana, e cerca de 90% das pessoas mortas no ataque eram muçulmanas.
Dias após o massacre, o jornal nigeriano Punch identificou Abubakar Saidu, conhecido localmente como Sadiku, como o líder do ataque. Sadiku lidera o grupo terrorista Jama’atu Ahlis Sunna Lidda’awati wal-Jihad (JAS). Em 2025, ele estabeleceu uma base na Reserva Florestal de Kainji, que se estende pelos Estados de Kwara e Níger. O grupo também está activo nos Estados de Borno e Kaduna, e em toda a Bacia do Lago Chade.
De acordo com o Instituto de Estudos de Segurança (ISS), Sadiku é natural do Estado de Borno. Foi enviado para o Estado do Níger em 2014 pelo falecido líder do JAS, Abubakar Shekau, e integrou um grupo encarregado de reunir-se com membros do grupo terrorista Darul Islam, que tinha rejeitado a proposta de aliança do Boko Haram. Sadiku, no entanto, encontrou uma causa comum com os seguidores do grupo e formou uma célula do JAS no Estado do Níger.
Viajou entre os Estados de Borno e Níger, instalou-se na Reserva Florestal de Alawa e coordenou com os Fulani locais. A célula de Sadiku começou a lançar ataques em 2021. Durante algum tempo, Sadiku manteve uma aliança com o notório chefe de bandidos, Dodo Gide, utilizando a parceria para adquirir armas, informações e influência local, até que diferenças ideológicas romperam as relações, levando a confrontos mortais.
A partir de acampamentos na floresta, como Kugu e Dogon Fili, no Estado do Níger, o JAS ataca forças de segurança e civis em aldeias e cidades, bem como em estradas nas áreas de governo local de Shiroro, Munya e Rafi. O grupo matou centenas de pessoas, deslocou milhares e colocou inúmeros dispositivos explosivos improvisados.
De acordo com o ISS e o jornal nigeriano Premium Times, o grupo é conhecido por raptar rapazes que são forçados a trabalhar e doutrinados em escolas islâmicas. Mulheres e raparigas, muitas vezes, são raptadas e forçadas a casar-se com combatentes do JAS. Ideologicamente fluido, o grupo mistura o jihadismo com o banditismo.
“Ao contrário da disciplina doutrinária e de comando mais rígida da facção rival do Boko Haram, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), o JAS prospera na fluidez ideológica e na predação,” escreveu o investigador do ISS, Taiwo Adebayo. “Os militantes invadem aldeias, praticando raptos e extorsões, que justificam como ‘fayhoo’ (espólios retirados a ‘infiéis’ civis). Esta flexibilidade parece ser fundamental para o seu enraizamento no Estado do Níger.”
O ataque a Woro ocorreu a menos de 4 quilómetros de Nuku, onde combatentes do grupo terrorista Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado à al-Qaeda, lançaram o seu primeiro ataque na Nigéria em Outubro de 2025. A proximidade sugere uma sobreposição operacional entre o JNIM e o JAS — seja uma aliança oportunista ou um pacto de não-agressão, o analista de segurança da África Ocidental e Oriental, Brandon Phillips, escreveu no X.
O massacre de Woro seguiu padrões semelhantes aos ataques recentes na área de Papiri, no Estado do Níger, indicando um avanço contínuo do JAS para sul, em direcção a áreas da Reserva de Kainji dominadas pelo JNIM. As ligações operacionais entre o JNIM e o JAS tornaram-se cada vez mais evidentes entre Novembro e Dezembro de 2025, quando Sadiku redistribuiu a maioria dos seus combatentes para áreas controladas pelo JNIM nos Estados de Kwara, Níger e sul de Kebbi, segundo Phillips.
O analista também associou o JNIM ao rapto de crianças católicas em Papiri, no Estado do Níger, após uma operação do JAS.
“Estes ataques ocorreram dentro das zonas operacionais estabelecidas do JNIM, sugerindo uma cooperação contínua entre os dois grupos,” escreveu Phillips.
