Algumas forças aéreas africanas estão a reformar as suas frotas, ponderando a acessibilidade, os tipos de caças a serem comprados e a eliminação de aeronaves mais antigas, cuja manutenção é muito cara.
As forças aéreas estão a investir em aeronaves avançadas para lidar com terroristas, grupos criminosos e ameaças à segurança regional. Estão também a trabalhar no sentido de estabelecer parcerias de defesa com países como a Itália, a Turquia e os Estados Unidos.
A potência regional, Nigéria, anunciou planos para acelerar a aquisição de mais de 46 aeronaves militares avançadas, incluindo caças e helicópteros, como parte de uma “iniciativa de modernização da frota,” de acordo com um relatório da Business Insider Africa de Fevereiro de 2026. O país tem sido líder no uso de aeronaves de ataque mais leves para combater terroristas. A Insider Africa disse que a expansão da frota visa enfrentar “insurgências e desafios de segurança interna.”
As aeronaves de ataque A-29 Super Tucano da Nigéria têm sido um grande sucesso na luta contra o terrorismo. O país está a ponderar as vantagens de adquirir mais aeronaves pequenas em vez de se comprometer com caças de tamanho normal da “próxima geração,” maiores e mais caros. Estes são mais precisamente referidos como aeronaves de “quinta geração,” que podem incluir tecnologia furtiva, perfis de radar pequenos e sistemas avançados de aviónica e informática. Esses caças são concebidos para se conectarem com outras tecnologias durante a operação.
O Egipto, com a maior frota da Força Aérea de África, recebeu autorização para aderir ao programa de caças de quinta geração KAAN da Turquia, de acordo com a Military Africa. Esta aprovação é, alegadamente, o primeiro passo para o Egipto co-produzir e construir tais caças. A frota actual de caças da Força Aérea Egípcia inclui uma mistura de Lockheed Martin F-16, bem como caças Dassault Rafales e MiG-29.
A Argélia, com a segunda maior frota da Força Aérea de África, tornou-se o primeiro país do continente a começar a integrar caças de quinta geração, de acordo com a Business Insider Africa. “Esta aquisição é uma resposta directa às rivalidades regionais e uma tentativa de manter a superioridade qualitativa no Magrebe,” relatou a Business Insider, acrescentando que a chegada dos caças “altera fundamentalmente o equilíbrio de poder no Norte de África, dando a Argel uma plataforma capaz de desafiar as defesas ocidentais avançadas.”
O aumento da insegurança global levou o Marrocos a continuar a modernizar as suas Forças Armadas Reais, de acordo com a agência de notícias espanhola Atalayar Between Two Shores. O Marrocos está a competir com os significativos gastos militares da vizinha Argélia, relata a Atalayar.
“O país africano não está apenas a aumentar a sua capacidade em termos quantitativos, mas também a desenvolver bases de última geração que, juntamente com a implementação do serviço militar obrigatório, formam um tandem de crescimento e desenvolvimento que está a posicionar o Marrocos como um interveniente a ter em conta na cena internacional,” relatou a Atalayar.
Além dos seus caças, o Marrocos possui 24 helicópteros de ataque Apache AH-64E, que são considerados uma das plataformas de ataque mais modernas e eficazes do mercado.
Alguns investigadores militares afirmam que os caças furtivos não são a melhor ferramenta para caçar insurgentes e terroristas. África tem relativamente poucos conflitos de alta intensidade entre países que exijam tal poder de fogo. Burquina Faso, Mali, Somália e outros países que lidam com terroristas precisam de aviões de ataque ligeiro, juntamente com drones, helicópteros e aeronaves de vigilância, afirmam os investigadores.
Outros países, incluindo Argélia, Egipto e Etiópia, dependem de caças convencionais para dissuasão, principalmente ao lidar com países vizinhos. A Etiópia, por exemplo, tem países vizinhos com “recursos aéreos limitados e em grande parte envelhecidos,” o que deixa o país com “vantagens qualitativas e quantitativas claras,” de acordo com o Instituto de Relações Exteriores. O instituto afirmou no início de 2026 que a superioridade aérea da Etiópia “fortalece a dissuasão, ao mesmo tempo que aumenta a liberdade de acção da Etiópia em cenários de crise.”
No papel, vários países africanos parecem ter um poder de fogo aéreo significativo, mas as estatísticas são enganosas. As frotas de muitos países são compostas por aviões em segunda mão, doados ou comprados com desconto a outras potências aéreas mundiais. Muitas vezes, esses aviões são antigos e pouco fiáveis, e a manutenção e as peças tornaram-se demasiado caras. Algumas nações ainda dependem de aeronaves que estão “estatisticamente mais próximas de peças de museu do que de combatentes de ponta,” de acordo com a Military Africa, que considera a manutenção desses aviões “um pesadelo logístico.”
À medida que o panorama muda rapidamente, as forças aéreas estão a decidir que tipos de aeronaves comprar para modernizar as suas frotas nos próximos anos.
“O poder aéreo que pode voar, adaptar-se e resistir é, em última análise, mais valioso do que o poder aéreo que parece impressionante no papel,” a analista militar Joan Swart escreveu num relatório de Fevereiro de 2026 para a defenceWeb. “Nesse sentido, o caminho que África deve seguir não é a imitação, mas sim a concepção de capacidades de defesa das forças que reflictam as suas próprias realidades — e prioridades.”
