A Força Aérea Tunisina recebeu uma aeronave de transporte C-130 Hercules, a quarta dos Estados Unidos desde 2021.
As autoridades americanas entregaram a aeronave numa cerimónia na Base Aérea Sidi Ahmed, em Bizerte, no dia 13 de Janeiro.
Durante a cerimónia, o Ministro da Defesa Nacional da Tunísia, Khaled Sehili, elogiou a parceria estratégica entre os dois países, dizendo que ela se baseava em interesses comuns e respeito mútuo.
Salientou que a Tunísia e os EUA estão a trabalhar juntos para desenvolver as capacidades operacionais do exército nacional, fornecendo equipamentos e suprimentos especiais, intensificando programas de treino e exercícios, trocando experiências e prestando apoio técnico.
A Tunísia está pronta para continuar e fortalecer essa cooperação, dado o seu papel como fonte de segurança e factor-chave de estabilidade na região, Sehili disse à multidão durante a cerimónia.
A Tunísia recebeu pela última vez um C-130H em Novembro de 2024. A Força Aérea opera agora cinco C-130H, um C-130B e dois C-130J Super Hercules de geração mais recente, que foram entregues entre 2013 e 2015, segundo a página da internet defenceWeb.
A permuta é a mais recente de uma série de actualizações da Força Aérea Tunisina. Em Setembro de 2024, a Tunísia adquiriu quatro aviões utilitários Textron Aviation C-208B Grand Caravan EX. Eles foram configurados para missões de inteligência, com recursos de visão nocturna e outros equipamentos sofisticados de vigilância. A Tunísia também adquiriu oito aviões de treino Beechcraft T-6C Texan II. Além de treinar pilotos e pessoal de apoio, as aeronaves são utilizadas para reforçar a segurança ao longo da fronteira sul, incluindo o combate ao contrabando transfronteiriço e ao terrorismo.
As aquisições de aeronaves incluem peças sobressalentes, treino de voo, desenhos técnicos, apoio logístico e equipamento de apoio em terra, informou a página da internet defenceWeb.
A transferência do C-130H ocorreu no âmbito do programa Artigos de Defesa Excedentes dos EUA, que permite aos EUA transferir equipamentos militares excedentes para parceiros estrangeiros como doação ou a um custo reduzido. O pedido da Tunísia dos quatro aviões excedentes data de 2019.
A Tunísia e os EUA trabalham juntos há mais de 40 anos nas operações do C-130, incluindo treino e manutenção. O C-130 é um avião de transporte militar turbopropulsor de quatro motores que foi produzido pela primeira vez em 1955. Os aviões têm normalmente 29 metros de comprimento e 40 metros de envergadura. Foram projectados para transportar tropas por distâncias médias e para poderem aterrar em aeródromos curtos e básicos. Em África, são normalmente utilizados para transporte de tropas, segurança regional e operações de combate ao terrorismo.
Ao longo dos anos, cerca de 70 países de todo o mundo adquiriram os C-130, incluindo Argélia, Botswana, Camarões, Chade, Egipto, Etiópia, Líbia, Marrocos, Níger, Nigéria e República do Congo. Já foram produzidos mais de 2.500 aviões deste tipo. Os aviões têm sido constantemente melhorados durante a produção, com as versões mais recentes a subir mais rápido e mais alto, a voar mais longe a uma velocidade de cruzeiro mais alta e a decolar e pousar numa distância mais curta.
ACTUALIZAÇÃO MILITAR
A Tunísia está a actualizar a sua infra-estrutura militar e a adquirir sistemas de defesa aérea e drones, em parte, devido a problemas de segurança em outros países da região, como a Líbia e o Mali.
“Este novo empreendimento não é apenas uma actualização militar, mas um passo para redefinir o papel da Tunísia na região, com foco na salvaguarda dos interesses nacionais e na conquista da independência estratégica num mundo em mudança,” de acordo com um relatório de 2024 de Maryam Al-Jumaili para o Centro Internacional de Estudos Estratégicos de Segurança e Militares. “Este período de transição requer uma visão abrangente e uma cooperação estreita entre o governo e o povo para garantir o sucesso destas iniciativas e alcançar um futuro mais seguro e próspero na Tunísia.”
À medida que a Tunísia moderniza a sua frota aérea, a sua doutrina estratégica continua a ser “estritamente defensiva,” moldada pela sua localização no Norte de África e pela instabilidade na vizinha Líbia, de acordo com o site GlobalMilitary.net. A postura militar da Tunísia enfatiza a segurança das fronteiras e o combate às ameaças transnacionais.
Os aviões de carga da Força Aérea fornecem transporte aéreo crítico para a defesa e contribuem para o socorro humanitário e as capacidades de combate a incêndios. A Força Aérea Tunisina destaca pessoal para missões de manutenção da paz das Nações Unidas, incluindo a República Centro-Africana, para tarefas de resgate aéreo e transporte.
Os recentes compromissos da Força Aérea têm sido principalmente para operações de combate ao terrorismo, segundo o site GlobalMilitary.net. “Essas actividades envolvem fortemente missões de inteligência, vigilância e reconhecimento para monitorizar uma insurgência activa e proteger as regiões fronteiriças.”
O último grande ataque terrorista na Tunísia ocorreu em Maio de 2023. Desde então, o país tem perseguido agressivamente pistas do terrorismo, de acordo com reportagens da imprensa. No final de Janeiro, as autoridades tunisinas anunciaram que tinham desmantelado uma célula terrorista de quatro membros numa região fronteiriça perto da fronteira entre a Tunísia e a Argélia. Todos os quatro membros da célula foram mortos, de acordo com o Middle East Online.
Com a expansão da sua frota da Força Aérea e outras actualizações militares, a Tunísia está a “abrir um novo capítulo” no meio de desafios de segurança e geopolíticos, escreveu Al-Jumaili.
“Este novo empreendimento não é apenas uma actualização militar, mas um passo para redefinir o papel da Tunísia na região, com foco na salvaguarda dos interesses nacionais e na conquista da independência estratégica num mundo em mudança.”
