Em meados de Janeiro, tropas nigerianas a serviço da Operação Hadin Kai invadiram um esconderijo da Província do Estado Islâmico da África Ocidental no Triângulo de Tombuctu, no Estado de Borno. Quando as tropas avançavam sobre a base, drones armados atacaram-nas.
Um novo relatório do meio de comunicação The Premium Times sugere que o grupo terrorista, também conhecido como ISWAP, planeia aumentar o uso de drones armados contra as forças militares nigerianas no nordeste. O relatório foi publicado num momento em que as tropas nigerianas estão a aumentar a pressão sobre o ISWAP nos Estados de Borno, Yobe e Adamawa. Em várias ocasiões em Janeiro, as tropas lutaram com as forças do ISWAP e limparam esconderijos abandonados, de acordo com o analista de segurança nigeriano Zagazola Makama.
As tropas repeliram um ataque do ISWAP a uma base na área de Damboa, em Borno, no dia 13 de Janeiro. Elas responderam alguns dias depois invadindo o acampamento e expulsando os terroristas. Durante essa operação, as tropas sofreram o que fontes militares descreveram como “um ataque raro e preocupante por um drone armado operado por terroristas,” de acordo com a reportagem de Makama no X.
O ISWAP respondeu com um ataque a um posto militar avançado no dia 22 de Janeiro.
Makama relatou que as forças armadas da Nigéria mataram 22 terroristas do ISWAP em Janeiro durante a Operação Hadin Kai.
O Estado de Borno tem sido o centro das actividades de grupos terroristas islâmicos, incluindo o ISWAP, que se separou do Boko Haram em 2015. Evidências sugerem que o ISWAP começou a usar drones para vigilância e colecta de informações em 2020.
No final de Dezembro, o Defense News Nigeria publicou uma foto de um drone quadricóptero, baterias e um controlador capturados após um tiroteio com combatentes do ISWAP. O drone não estava armado e parecia que era usado para observação.
“Ao longo dos anos, as suas operações com drones têm demonstrado uma sofisticação crescente, e o grupo tem colaborado com o EI [Estado Islâmico] para obter assistência táctica e operacional,” a analista Nina Kurt escreveu em Julho de 2025 para a Global Network on Extremism & Technology.
Grupos terroristas têm usado drones disponíveis comercialmente para vigilância e reconhecimento há anos. Mais recentemente, começaram a converter alguns desses drones em dispositivos explosivos improvisados (DEI) voadores, anexando-lhes morteiros e granadas. Em Dezembro de 2024, Makama publicou imagens no X de drones armados que o ISWAP utilizou para atacar a Base Operacional Avançada de Wajiroko das tropas nigerianas em Damboa.
A reportagem do Premium Times revelou que combatentes do ISWAP que operam no Triângulo de Tombuctu e na Floresta de Sambisa adquiriram 35 drones através do Lago Chade. As fronteiras porosas da região do Lago Chade permitem o contrabando de armas, como drones, que fazem parte da guerra assimétrica dos grupos terroristas contra soldados e civis.
“Este desenvolvimento representa uma escalada perigosa na guerra da Nigéria contra o terrorismo,” Daniel Nduka Okonkwo escreveu para o Sahara Reporters, sobre o uso de drones armados pelo ISWAP.
As forças de segurança nigerianas têm usado drones para a sua própria vigilância de grupos terroristas. Em Abril de 2025, os militares lançaram o seu primeiro drone armado desenvolvido internamente, o Damisa, capaz de atacar locais terroristas. Os drones foram especificamente concebidos para transportar explosivos.
As forças armadas também adoptaram o sistema de guerra electrónica DM4S SkyWiper, fabricado na Lituânia, para interferir os sinais de controlo dos drones.
A evolução da estratégia de drones do ISWAP segue outros grupos terroristas no continente que começaram a utilizar drones armados contra as forças governamentais em Burquina Faso, República Democrática do Congo, Quénia, Líbia, Mali, Moçambique, Nigéria, Somália e Sudão.
“Estes grupos terroristas não operam sob as regras da fé, da lei ou da moralidade,” escreveu Okonkwo. “Eles não reconhecem limites para a guerra, apenas destruição, caos e sofrimento civil. Eles estão a atacar a humanidade.”
