À medida que grupos terroristas em África angariam fundos, recrutam e coordenam online, as forças de segurança e as empresas de tecnologia estão a colaborar para combatê-los.
“Os terroristas estão omnipresentes na internet, e isso requer muitas ferramentas actualizadas e um número suficiente de agentes do nosso lado para monitorizar todas essas ferramentas,” o Major Guéable Hervé Zeni, chefe do Gabinete de Defesa Cibernética das Forças Armadas da Costa do Marfim, disse num webinar recente organizado pelo Centro de Estudos Estratégicos de África.
O webinar centrou-se nas melhores formas de os países africanos combaterem o terrorismo online.
Zeni e a sua equipa de especialistas em tecnologia prestam muita atenção, entre outras coisas, às conversas online envolvendo terroristas conhecidos para prever potenciais ataques terroristas em toda a África Ocidental.
“Estamos a tentar monitorizar estas actividades para antecipar as acções que estes terroristas podem levar a cabo no nosso país ou nos países vizinhos,” afirmou Zeni.
A Costa do Marfim faz fronteira com o Burquina Faso e o Mali, que lideram o mundo em termos de violência terrorista. Tal como os seus vizinhos ao longo do norte do Golfo da Guiné, a Costa do Marfim tem concentrado grande parte da sua atenção recente em impedir que grupos como o Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado à al-Qaeda, se espalhem pelo seu país.
Zeni e a sua equipa actuam como um sistema de alerta avançado e partilham o que aprendem com outras agências governamentais da região.
“A rede é muito importante, sobretudo quando se combate o terrorismo online,” considerou Zeni. “Contamos com vários parceiros com quem interagimos para criar uma resposta.”
Essa lista de parceiros, muitas vezes, inclui as empresas de tecnologia que operam sites de redes sociais, trocas de dinheiro móvel e outras ferramentas que os terroristas utilizam para comunicar.
As empresas online estão empenhadas em erradicar a actividade terrorista nas suas plataformas, afirmou Erin Saltman, directora sénior do Fórum Global da Internet para Combater o Terrorismo (GIFCT).
No entanto, a variedade de tamanhos e capacidades das empresas de internet torna difícil apanhar todos os maus actores, afirmou. Um ponto fraco é a capacidade de monitorizar actividades em línguas locais. Quase 70 línguas são faladas na Costa do Marfim. A Nigéria tem 200.
“Nenhuma pessoa ou empresa de tecnologia sabe tudo,” disse Saltman. “Essa é uma área em que veremos muitos avanços nos próximos anos.”
Para complicar ainda mais as coisas, grupos terroristas como o Boko Haram começaram a usar jogos online inofensivos como ferramentas de recrutamento para atingir os jovens, disse Saltman.
Ao trabalhar com equipas africanas de combate ao terrorismo, as empresas de tecnologia podem sinalizar actividades suspeitas para as forças de segurança locais. Elas também podem investigar — e, em alguns casos, interromper — actividades que as equipas de combate ao terrorismo identificam como ameaças potenciais.
As interrupções podem variar desde bloquear pessoas que tentam repetidamente criar contas online até derrubar redes inteiras de suspeitos de terrorismo, usando IA para identificar os seus interesses comuns.
A relação entre as equipas de combate ao terrorismo africanas e as empresas de tecnologia pode encontrar obstáculos relacionados com a tecnologia proprietária ou a privacidade.
“Às vezes, essas plataformas se recusam a partilhar a identidade dos indivíduos,” disse Zeni. “Isso é um desafio. Às vezes, essas plataformas não cooperam connosco, com o governo da Costa do Marfim e com o sistema judicial.”
Existem muitos obstáculos na partilha de informações de combate ao terrorismo online entre países, disse Zeni.
Zeni acrescentou que a luta contra terroristas online requer formação contínua das equipas que realizam o trabalho. “Procuramos enfatizar a formação da nossa equipa,” disse Zeni. “Não é a tecnologia que tem prioridade, mas o pensamento.”
