Poucos dos presentes estavam tão entusiasmados quanto o Dr. Sabin Nsanzimana por participar na cerimónia oficial de lançamento da pedra fundamental para anunciar a construção do Laboratório Nacional de Referência Veterinária em Kigali, Ruanda.
Nsanzimana foi nomeado Ministro da Saúde em 2022, quando Ruanda, como o resto do mundo, ainda sentia os efeitos da pandemia da COVID-19. Nsanzimana, médico e epidemiologista, anteriormente liderou o Centro Biomédico do Ruanda e é co-presidente do conselho administrativo do Fundo Pandémico.
O Fundo Pandémico direccionou uma doação de 24,9 milhões de dólares para o Ruanda, incluindo 3 milhões de dólares para a construção do laboratório biológico BSL-3 de alta segurança, que visa fortalecer a capacidade da região de detectar e responder a doenças animais e zoonóticas.
“Esta instalação de detecção de doenças, este investimento que estamos a fazer aqui, não é apenas para o Ruanda,” Nsanzimana disse na cerimónia na estação de investigação Rubrizi, em Kigali, no dia 18 de Novembro. “É para a humanidade como um todo.”
Criado em 2022, o Fundo Pandémico financia investimentos para fortalecer as capacidades de prevenção, preparação e resposta a pandemias a nível nacional, regional e internacional. Países fundadores, como Alemanha, Japão e Estados Unidos, e organizações filantrópicas internacionais comprometeram-se a investir mais de 2 bilhões de dólares para fortalecer a preparação e prevenção global contra pandemias.
Quando uma nova estirpe de mpox foi detectada na República Democrática do Congo em 2024 e se espalhou rapidamente através das fronteiras, incluindo para Ruanda, a Organização Mundial de Saúde declarou uma emergência de saúde pública de interesse internacional.
O Fundo Pandémico acelerou a liberação de 128,9 milhões de dólares para 10 países afectados pela doença, incluindo o Ruanda. A doação de 24,9 milhões de dólares ajudará o Ruanda a concentrar-se na vigilância, nos sistemas laboratoriais e no desenvolvimento da força de trabalho.
“Estávamos a enviar algumas amostras para o exterior para testes,” disse Nsanzimana. “Os resultados eram caros e demorados, e esses atrasos podiam agravar a propagação das doenças. Esta questão será resolvida pela nova instalação.”
O laboratório irá melhorar a capacidade de diagnóstico de doenças animais com potencial pandémico. Os laboratórios BSL-3 são utilizados para estudar agentes infecciosos ou toxinas que podem ser transmitidos pelo ar e causar infecções potencialmente letais. As doenças zoonóticas são doenças infecciosas que se podem espalhar entre animais e seres humanos.
Priya Basu, directora-executiva do Fundo Pandémico do Banco Mundial, participou na inauguração e disse que o laboratório se concentrará em ampliar a vigilância baseada em indicadores e eventos nos sectores de saúde humana e animal, impulsionando a vigilância da resistência antimicrobiana e fortalecendo o monitoramento inovador.
“O caminho do Ruanda para a acreditação ISO 17025 [a norma internacional] posicionará ainda mais este laboratório como um recurso regional confiável para a vigilância transfronteiriça de doenças e práticas laboratoriais harmonizadas,” explicou.
O Ministro da Agricultura e Recursos Animais, Mark Cyubahiro Bagabe, disse que o novo laboratório substituirá uma instalação construída em 1983. Ele partilhou o entusiasmo de Nsanzimana de que este projecto irá melhorar a preparação para pandemias no continente.
“O Laboratório Nacional de Referência Veterinária do Ruanda irá reforçar a nossa capacidade nacional de prevenir, detectar e responder a ameaças de doenças antes que estas se propaguem, sobretudo aquelas que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos,” afirmou.
