No final de Outubro, a Marinha do Quénia apreendeu 1.024 quilogramas de metanfetamina de um navio que interceptou a 630 quilómetros da costa de Mombaça, no Oceano Índico. As autoridades consideraram essa apreensão um recorde.
O tráfico de drogas, a pirataria e a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada são ameaças contínuas nas águas da África Oriental e no Oceano Índico Ocidental. O exercício Usalama Baharini 2025, uma operação de treino em segurança marítima realizada de 17 a 20 de Novembro na Academia Marítima Bandari, em Mombaça, teve como objectivo abordar essas ameaças.
O primeiro exercício Usalama Baharini foi realizado em Maio de 2024. Usalama Baharini significa “segurança no mar” em Swahili.
A Força Naval da União Europeia na Somália, comumente conhecida como Operação Atalanta, conduziu o exercício e tem como objectivo melhorar a segurança marítima no Oceano Índico Ocidental e no Mar Vermelho.
Entre os participantes estavam a Marinha do Quénia, a Guarda Costeira, a Unidade Antinarcóticos da Direcção de Investigações Criminais, a Autoridade Marítima, a Autoridade Portuária, o Serviço de Vida Selvagem, o Serviço de Pesca, o Serviço Florestal, o Serviço Nacional de Inteligência, o Gabinete do Director do Ministério Público e a Interpol.
O Brigadeiro Mohamed Shemote, comandante da frota da Marinha do Quénia, disse que o exercício é fundamental para melhorar a colaboração e a interoperabilidade entre os parceiros participantes.
“Este exercício irá aprimorar a nossa capacidade de detectar, dissuadir e responder a um amplo espectro de ameaças marítimas, incluindo pirataria, contrabando, pesca ilegal e terrorismo,” Shemote disse num comunicado de imprensa. “O exercício Usalama Baharini proporciona uma plataforma vital para a colaboração entre as forças navais, as agências de aplicação da lei e os parceiros regionais. Através desta união de esforços, reforçamos a nossa prontidão e construímos um escudo mais resiliente sobre as nossas águas comuns.”
As conferências começaram com um seminário sobre operações antinarcóticos e as regras de combate na interdição marítima. Outros seminários centraram-se nos direitos humanos e na aplicação da lei no mar, na pesca ilegal em processos judiciais, que foram conduzidos por especialistas da Operação Atalanta e do Serviço de Pescas do Quénia. Os especialistas da Interpol conduziram sessões sobre o intercâmbio de informações em investigações internacionais, preservação da cena do crime e uma introdução à recolha de provas para socorristas.
A Marinha do Quénia conduziu workshops sobre medidas de combate à pirataria, jurisdição em alto mar, operações de interdição marítima e uso da força. Funcionários do serviço florestal e da vida selvagem discutiram a protecção de habitats marítimos críticos e espécies que vivem em áreas protegidas. Outras sessões centraram-se na teoria da escalada da força, comunicação táctica e comunicações interagências.
Os exercícios tácticos centraram-se em simulações de visita, abordagem, busca e apreensão; cenários de abordagem não cooperante; tratamento de detidos imobilizados; entradas tácticas; e manobras tácticas de alta velocidade. O último dia do exercício envolveu um treino em que as forças quenianas, incluindo uma unidade antinarcóticos, apreenderam um navio-mãe pirata que transportava drogas e esquifes usados para abordar embarcações civis.
Cristina Barrios, chefe de imprensa política e informação da Delegação da UE no Quénia, elogiou a cooperação contínua entre a UE e os seus parceiros marítimos.
“A União Europeia continua empenhada em apoiar as agências quenianas para reforçar as suas capacidades de segurança marítima,” Barrios disse num comunicado de imprensa. “Este exercício demonstra o poder do trabalho em equipa e o compromisso comum entre os parceiros participantes. Não estamos apenas unidos por quadros institucionais sólidos baseados no direito internacional, mas também pela nossa cooperação prática para manter a segurança dos nossos espaços marítimos.”
