O oitavo golpe de Estado bem-sucedido na África Ocidental nos últimos cinco anos ocorreu na Guiné-Bissau no dia 26 de Novembro. Apenas 11 dias depois, a imagem já familiar de soldados uniformizados apareceu na televisão estatal do Benin pouco depois das 2 horas da manhã de 7 de Dezembro, quando uma facção rebelde do exército anunciou o seu golpe.
Desta vez, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) tomou rapidamente medidas militares para intervir.
“As forças leais do Benin repeliram o ataque inicial, mas a situação exigia um tratamento cuidadoso para evitar baixas civis desnecessárias,” o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Benin, Olushegun Bakari, disse numa conferência de imprensa à margem de uma reunião agendada da CEDEAO no dia 12 de Dezembro, em Abuja, na Nigéria. “Procurámos apoio, não porque o nosso exército fosse incapaz, mas porque o presidente Patrice Talon queria evitar grandes perdas de vidas humanas.”
A pedido de Talon, caças nigerianos foram enviados para patrulhar o espaço aéreo do Benin e lançaram ataques contra os soldados sediciosos que se entrincheiraram na estação de televisão e na base militar de Camp Togbin, perto do aeroporto de Cotonou, a maior cidade do país. A CEDEAO destacou soldados de Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Serra Leoa.
Ao usar a sua Força em Estado de Alerta para impedir o golpe no Benin, a CEDEAO demonstrou a sua capacidade de preservar a paz na África Ocidental, uma região assolada por recentes golpes militares inconstitucionais.
Desde 2020, 11 golpes em toda a África foram bem-sucedidos, a maioria dos quais no Sahel. A tentativa de golpe no Benin foi a quinta a falhar no mesmo período.
Paul Melly, analista da BBC para a África Ocidental, afirmou que a tentativa de golpe no Benin diferia dos golpes anteriores nos países-membros da CEDEAO e apresentava circunstâncias mais favoráveis para uma intervenção enérgica.
“Ao agir tão rapidamente, a CEDEAO talvez tenha aprendido uma lição com a sua resposta errada ao golpe de 2023 no Níger,” escreveu num artigo de 9 de Dezembro. “Naquela ocasião, não estava praticamente organizado para intervir militarmente nas horas seguintes à detenção do chefe de Estado eleito, Mohamed Bazoum, pelos líderes golpistas — talvez o único momento em que uma rápida operação de comando para resgatá-lo e proteger edifícios importantes poderia ter tido alguma possibilidade de sucesso.
Desta vez, no Benin, a situação foi bem diferente: Talon ainda estava no controlo total, mesmo que alguns golpistas ainda estivessem a resistir. Assim, ele, como presidente internacionalmente reconhecido, podia legitimamente solicitar o apoio de outros países-membros do bloco regional.”
Em nove horas, as autoridades governamentais declararam o fim da revolta. Talon apareceu na televisão estatal mais tarde naquela noite para garantir o retorno da paz e da estabilidade. Ele reconheceu que foi a rápida mobilização das forças que “nos permitiu frustrar esses aventureiros.”
Analistas afirmaram que os autores do golpe tinham queixas militares e económicas, mas avaliaram mal o desejo público de mudança de regime. Os líderes do governo beninense elogiaram as tropas profissionais que foram as primeiras a reagir e a proteger os principais funcionários.
“Nem todas as forças armadas aderiram,” o analista político Ryan Cummings disse à Al Jazeera num artigo publicado a 16 de Dezembro. “Havia divisão dentro do exército, e essa foi a janela de oportunidade que permitiu a intervenção da CEDEAO. … Ouso dizer que, se não houvesse um contragolpe, a CEDEAO não se teria envolvido, pois, teria sido uma guerra convencional.”
Após o incidente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Yusuf Tuggar, instou os membros da CEDEAO a manter a cooperação regional para proteger a ordem constitucional.
“As instituições democráticas sobrevivem quando os Estados vizinhos mantêm canais de comunicação abertos,” disse numa reunião da CEDEAO de 12 de Dezembro. “Todos vimos o que aconteceu no Benin e a rápida reacção. A coordenação que garantiu a manutenção da democracia no Benin é um exemplo do que deve ocorrer sempre que a democracia é ameaçada na nossa região.”
Encorajados pelo facto de a CEDEAO ter demonstrado a sua capacidade de intervir quando surgem ameaças, os especialistas apelaram ao bloco regional para trabalhar de forma proactiva para reforçar os princípios democráticos e responsabilizar os membros quando há falhas.
A CEDEAO “queria lembrar à região que tem o poder de intervir quando o contexto o permite,” afirmou Cummings. “A certa altura, era necessário traçar uma linha na areia.”
