O grupo terrorista al-Shabaab, ligado à al-Qaeda, cercou Mogadíscio e ameaça tomar a capital nacional da Somália com ataques contínuos e ousados na cidade e arredores, de acordo com um relatório recente.
No início de Outubro, o grupo usou um carro disfarçado de veículo militar para bombardear uma filial da Agência Nacional de Inteligência e Segurança da Somália (NISA), destruindo informações valiosas e libertando dezenas de prisioneiros. O ataque ocorreu perto do palácio presidencial. Um ataque em Julho teve como alvo uma base militar em Mogadíscio. Os postos de controlo do al-Shabaab agora cercam os arredores de Mogadíscio, e o grupo controla cerca de 30% do território da Somália.
Mogadíscio é agora “essencialmente uma metrópole com um corpo diplomático e um exército desmoralizado e ineficaz,” o analista Matt Bryden escreveu para o Centro de Estudos Estratégicos de África. Em Novembro, o chefe das Forças de Defesa da Somália, General Odowaa Yusuf Raage, disse ao Parlamento que entre 10.000 e 15.000 soldados foram mortos ou feridos em combate nos últimos três anos. Muitos dos soldados foram mortos em combates com o al-Shabaab e o grupo Estado Islâmico na Somália.
“Na ausência de uma mudança drástica de rumo, os cenários prováveis a curto prazo incluem o colapso do governo federal e a tomada da capital nacional pelo al-Shabaab, com consequências profundas para a estabilidade e a segurança regionais,” escreveu Bryden, sócio fundador de Sahan, um centro de políticas e investigação focado em temas de segurança no Corno de África.
As deficiências das forças de segurança da Somália deixam o governo federal dependente da Missão de Apoio e Estabilização da União Africana na Somália. No entanto, a interferência política de Mogadíscio deixa a missão “sem força, sem uma cadeia de comando unificada e com uma hemorragia de apoio dos doadores, ameaçando a redução ou o fim da missão,” escreveu Bryden.
Alguns observadores acreditam que as tentativas do presidente Hassan Sheikh Mohamud de alterar a Constituição, impor um novo sistema eleitoral e redesenhar o mapa federal são sinais de que ele quer manter o poder após o fim do seu mandato, em Maio de 2026. De acordo com Bryden, isso deixa a classe política da Somália polarizada e incapaz de formar uma frente unida contra o al-Shabaab.
“A tomada de Mogadíscio pelo al-Shabaab pode já ser apenas uma questão de tempo — seja por meio de acção militar ou negociações,” escreveu Bryden. “Se for esse o caso, um novo ciclo de conflito armado entre um al-Shabaab ainda mais fortalecido, no controlo de Mogadíscio e seus 4 milhões de habitantes, e seus inimigos jurados em outras partes do país será praticamente inevitável. Os países vizinhos enfrentariam igualmente a possibilidade acrescida de novos ataques terroristas nas suas fronteiras. O tempo das medidas incompletas e esperançosas já passou. Apenas uma intervenção urgente, decisiva e concertada pode impedir que a Somália se torne um Estado jihadista.”
Samatar Talliye, residente em Mogadíscio, disse à Fox News Digital que o perigo reside principalmente em locais onde o governo está ausente.
Existem “bolsões em Jubaland, no Estado de South West, em Hirshabbele e em Galmadug,” disse Talliye. “Os governos estaduais são fracos e, na maioria das vezes, controlam apenas algumas das grandes cidades, ao contrário da Puntlândia e da Somalilândia, que controlam a maior parte do seu Estado.”
As forças de segurança somalis tiveram alguns sucessos recentes contra o al-Shabaab. No dia 10 de Dezembro, a NISA matou pelo menos 12 militantes do al-Shabaab no distrito de Afgooye, a 29 quilómetros de Mogadíscio. Um líder sénior do al-Shabaab estava entre os mortos. A operação teve como alvo esconderijos e locais onde os terroristas estavam a preparar explosivos. No entanto, civis e dois soldados da NISA foram mortos quando o al-Shabaab disparou morteiros contra áreas civis, informou a agência num comunicado de imprensa.
Membros da brigada das forças especiais Danab da Somália capturaram, em meados de Setembro, vários combatentes do al-Shabaab durante uma operação em Toratorow, na região de Lower Shabelle. O Ministério da Defesa da Somália disse que os militantes foram presos e acusados de extorquir e abusar de civis da área. Um deles, identificado como Zakariye, é filho de Macallin Cabdirahman, um proeminente líder do al-Shabaab.
Apesar destes sucessos, Bryden escreveu que salvar a Somália do “abismo” é mais um desafio político do que militar.
”O al-Shabaab só pode ser derrotado através de uma acção militar simultânea em várias frentes, com o objectivo estratégico de desmantelar os seus bastiões no vale do rio Juba e no sudoeste da Somália,” escreveu Bryden. “Isso, por sua vez, só pode ser alcançado através da mobilização coordenada das forças de segurança dos Estados-Membros Federais (FMS), com unidades federais seleccionadas a desempenhar um papel de apoio. Tal exige um nível de confiança entre o FGS [governo federal] e os líderes políticos dos FMS que actualmente não existe.”
A administração de Mohamud “parece estar mais focada em marginalizar e subordinar” os Estados-membros federais do que em obter o seu apoio na luta contra o al-Shabaab, acrescentou Bryden.
