O governo do Gana divulgou um plano para capacitar a sua população jovem, que é a chave para o desenvolvimento económico do país. Poderá também ser a chave para manter o terrorismo à distância.
De acordo com o World Data Lab, em 2024, cerca de 6,9 milhões de pessoas do norte do Gana viviam em situação de pobreza extrema, definida como um limiar de vida igual ou inferior a 2,15 dólares por dia. O desemprego juvenil aumentou em todo o país e a maioria dos empregados tem empregos pouco remunerados e instáveis que oferecem pouca ou nenhuma segurança a longo prazo.
“Trata-se de um risco para a segurança nacional e temos de o enfrentar de forma agressiva,” George Opare Addo, que dirige o recém-criado Ministério do Desenvolvimento e Capacitação da Juventude, disse à revista The Africa Report. “Há demasiado tempo que falamos dos jovens da boca para fora. Este novo ministério garante que os jovens contribuam de forma significativa para o desenvolvimento do país.”
Há anos que a ameaça do terrorismo proveniente da região do Sahel lança uma sombra sobre o Gana. O seu vizinho a norte, o Burquina Faso, perdeu o controlo de mais de metade do seu território, à medida que uma coligação de grupos terroristas ligados à al-Qaeda, conhecida como JNIM, se estabeleceu.
Em 2024, um dirigente da JNIM disse à Radio France Internationale que o objectivo era entrar no Benin, no Gana e no Togo. Ao contrário do Benin e do Togo, o Gana nunca sofreu um grande ataque terrorista.
Os especialistas alertam para o facto de os militantes atravessarem frequentemente a vasta e porosa fronteira com o norte do Gana para recrutar nas comunidades locais.
“Não se trata apenas de uma área onde podem descansar e abastecer-se,” Aaron Atimpe, investigador na área da prevenção do extremismo violento, disse à Reuters. “No processo, as pessoas estão a ser radicalizadas e recrutadas.”
Kojo Impraim, Director de Media para a Paz e o Desenvolvimento Sustentável, da Media Foundation for West Africa, sediada em Acra, há muito que defende uma estratégia exclusivamente militar para o norte do Gana.
“É necessária uma abordagem de toda a sociedade para prevenir ou combater o extremismo violento,” escreveu num artigo de opinião publicado em 2024 na página da internet de notícias ganesa Joy Online. “Isso implica uma combinação de segurança cinética e abordagens de governação suaves. O Governo do Gana manifestou o seu empenho em prevenir a ameaça do extremismo violento. A abordagem cinética ou tradicional da segurança requer tácticas complementares de governação suave para reforçar a resiliência da comunidade.”
Sherif Ghali, que lidera a Câmara de Jovens Empresários do Gana, ficou satisfeito com a criação do Ministério do Desenvolvimento e Capacitação da Juventude.
“É um passo na direcção certa,” ele disse à estação de televisão ganesa Joy News numa entrevista do dia 5 de Fevereiro. “Mas agora o que George Opare Addo deve fazer é olhar para tudo o que prometeram: empreendedorismo jovem, competências de inovação, formação em competências digitais, saúde mental.”
Addo disse que um programa nacional de aprendizagem será a peça central da estratégia de emprego do governo, concebida para formar jovens para atender às necessidades de um mercado de trabalho em constante mudança em todo o mundo. Referiu também o aumento da inteligência artificial e da automatização como ameaças aos empregos tradicionais.
“O relatório estratégico tecnológico da União Africana prevê que, entre 2025 e 2030, África necessitará de mais de 20 milhões de empregos no espaço digital,” afirmou. “Se não prepararmos os nossos jovens agora, ficaremos para trás.”
O Gana também planeia formar um milhão de programadores nos próximos quatro anos para responder à crescente procura mundial de desenvolvimento de software. Ghali espera que o novo ministério faça um melhor trabalho de coordenação de todas as iniciativas governamentais no domínio da juventude.
“Todos os ministérios têm uma componente para lidar com os jovens, mas não existe um ponto em que todos eles sincronizem ou coordenem os seus esforços,” afirmou. “O problema é que não há forma de coordenar. Não há forma de comunicar, pelo que todos estão a fazer o que podem de forma individual.”
O Professor Justice Bawole, director da Escola Superior de Gestão da Universidade do Gana, analisou as novas iniciativas governamentais e fez eco de algumas das preocupações de Ghali.
“[Este plano é] louvável na resolução de questões centradas na juventude, mas fica aquém em áreas críticas como a adequação do financiamento, resultados mensuráveis e envolvimento activo dos jovens na implementação de políticas,” Bawole disse à revista The Africa Report. “Os nossos jovens estão cansados e frustrados com a falta de oportunidades para atingirem os seus sonhos e aspirações. Infelizmente, os progressos têm sido lentos e intangíveis. Para manter a fé e a confiança dos nossos cidadãos … temos de proporcionar oportunidades de emprego aos nossos jovens.”