{"id":41539,"date":"2022-11-10T12:09:29","date_gmt":"2022-11-10T17:09:29","guid":{"rendered":"https:\/\/adf-magazine.com\/?p=41539"},"modified":"2022-11-20T09:11:02","modified_gmt":"2022-11-20T14:11:02","slug":"o-cabo-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adf-magazine.com\/pt-pt\/2022\/11\/o-cabo-esquecido\/","title":{"rendered":"O Cabo Esquecido"},"content":{"rendered":"<p>EQUIPA DA ADF<\/p>\n<p>FOTOS DE: AFP\/GETTY IMAGES<\/p>\n<p>Enquanto jovens rondavam pelas ruas de Moc\u00edmboa da Praia com catanas e AK-47s, no dia 5 de Outubro de 2017, algumas pessoas da cidade espreitavam pelas janelas com medo, gravando a marcha desafiadora com os seus telem\u00f3veis.<\/p>\n<p>Quando um militante empunhando uma arma passava por ali, um residente sussurrou o famoso e tem\u00edvel nome: \u201cal Shabaab.\u201d<\/p>\n<p>A cena faz parte de um document\u00e1rio da BBC Africa Eye, intitulado \u201cFilhos de Moc\u00edmboa: a crise de extremismo em Mo\u00e7ambique,\u201d que descreve os desafios representados pelo grupo terrorista que assola a prov\u00edncia de Cabo Delegado desde o seu primeiro ataque em Outubro de 2017. Naquele assalto, cerca de 30 insurgentes cercaram as tr\u00eas esquadras da pol\u00edcia daquela cidade, matando 17 pessoas, incluindo dois agentes da pol\u00edcia e invadiram os arsenais. Cabo Delgado \u00e9 conhecido pela alcunha Cabo Esquecido.<\/p>\n<p>Os residentes locais informalmente utilizam o nome al-Shabab, que se traduz para \u201ca juventude,\u201d para se referir ao grupo. Mas este grupo n\u00e3o est\u00e1 afiliado ao grupo terrorista da Som\u00e1lia, ligado ao al-Qaeda, que tem o mesmo nome. \u00c9 tamb\u00e9m chamado Ansar al-Sunna, que significa \u201cos defensores da tradi\u00e7\u00e3o.\u201d<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>O ataque de 2017 foi o primeiro de muitos na regi\u00e3o e causou a morte de mais de 3.700 pessoas e deixou mais de 850.000 pessoas deslocadas, at\u00e9 Fevereiro de 2022. As tropas e a pol\u00edcia ruandesas entraram no pa\u00eds em Julho de 2021 e, em pouco tempo, recapturaram Moc\u00edmboa da Praia com uma for\u00e7a de 1.000 homens.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_36409\" aria-describedby=\"caption-attachment-36409\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235464466.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36409\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235464466.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235464466.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235464466-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235464466-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235464466-768x512.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235464466-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36409\" class=\"wp-caption-text\">Oficiais da pol\u00edcia ruandesa, \u00e0 esquerda, e soldados mo\u00e7ambicanos em p\u00e9 durante um evento do dia 24 de Setembro de 2021, em Pemba, Cabo Delgado.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A miss\u00e3o multinacional da Comunidade para o Desenvolvimento da \u00c1frica Austral em Mo\u00e7ambique (SAMIM) foi destacada dias depois das for\u00e7as ruandesas, acrescentando v\u00e1rias centenas de soldados para as tropas de Mo\u00e7ambique entre oito pa\u00edses participantes: Angola, Botswana, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Lesoto, Malawi, \u00c1frica do Sul, Tanz\u00e2nia e Z\u00e2mbia. As for\u00e7as terrestres, na sua maioria, vieram de Botswana, Lesoto, \u00c1frica do Sul e Tanz\u00e2nia, tendo outros participantes, contribuindo com log\u00edstica, reportou o jornal sul-africano, Daily Maverick, em Janeiro de 2022.<\/p>\n<p>Mesmo numa altura em que as for\u00e7as mo\u00e7ambicanas, ruandesas e da SAMIM lograram sucessos not\u00e1veis durante o segundo semestre de 2021 e at\u00e9 2022, a viol\u00eancia brutal persistiu e, com ela, perguntas que procuram saber se a insurg\u00eancia pode ter iniciado anos atr\u00e1s.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>UMA HIST\u00d3RIA DE ISOLAMENTO<\/b><\/p>\n<p>A cidade portu\u00e1ria de Moc\u00edmboa da Praia situa-se a mais de 2.600 km de estrada da capital de Mo\u00e7ambique, Maputo. A dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos centros de governo \u00e9 uma caracter\u00edstica comum de zonas radicalizadas em pa\u00edses africanos. As dist\u00e2ncias tendem a resultar em presen\u00e7a reduzida do governo e de servi\u00e7os em zonas rec\u00f4nditas, criando percep\u00e7\u00f5es de marginaliza\u00e7\u00e3o entre os locais. Exemplos incluem o norte do Mali, onde nasceu o expansivo extremismo jihadista daquele pa\u00eds e o norte da Nig\u00e9ria, onde teve origem a insurg\u00eancia do Boko Haram.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia \u00e9 exacerbada mais ainda pelo facto de que Mo\u00e7ambique ainda est\u00e1 a recuperar de uma guerra civil brutal que decorreu de 1977 a 1992. Estima-se que a guerra tenha matado milhares de pessoas e deixado outras milhares deslocadas. Para al\u00e9m disso, a costa de Cabo Delgado geralmente est\u00e1 associada aos rebeldes do movimento de Resist\u00eancia Nacional Mo\u00e7ambicana, conhecido como RENAMO. Na guerra, as suas for\u00e7as lutaram contra a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique, conhecida como FRELIMO, que agora \u00e9 liderada pelo Presidente de Mo\u00e7ambique, Filipe Nyusi.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36421\" aria-describedby=\"caption-attachment-36421\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531477.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36421\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531477.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531477.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531477-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531477-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531477-768x512.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531477-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36421\" class=\"wp-caption-text\">Soldado ruand\u00eas faz patrulha pr\u00f3ximo de um cami\u00e3o incendiado, em Palma, Cabo Delgado, em Setembro de 2021.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Alguns afirmam que esta divis\u00e3o pol\u00edtica serve para separar mais ainda Cabo Delgado e o seu povo da aten\u00e7\u00e3o e das preocupa\u00e7\u00f5es do governo. Um outro grande problema regional \u00e9 a descoberta e a capitaliza\u00e7\u00e3o de vastas reservas de g\u00e1s natural e interesses em pequenas minas de rubi. Especialistas apontam para o facto de os residentes locais estarem a ser exclu\u00eddos e \u2014 por vezes retirados \u2014 de locais de extrac\u00e7\u00e3o mineira de rubis na regi\u00e3o, depois de beneficiar por muitos anos do com\u00e9rcio artesanal, perdendo assim o acesso a oportunidades econ\u00f3micas, incluindo il\u00edcitas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Geografia, hist\u00f3ria e pol\u00edtica. Todas elas s\u00e3o culpadas em v\u00e1rios graus pelas condi\u00e7\u00f5es que subsistem actualmente em Cabo Delgado. Mas os especialistas afirmam que o governo de Mo\u00e7ambique tamb\u00e9m cometeu erros ao longo da caminhada, por n\u00e3o ouvir os alertas e as preocupa\u00e7\u00f5es das bases. Se as for\u00e7as de seguran\u00e7a tivessem prestado aten\u00e7\u00e3o muito antes, em 2015, talvez a insurg\u00eancia pudesse ser confrontada de forma eficaz no seu est\u00e1gio inicial.<\/p>\n<p><b>A RESPOSTA DE MO\u00c7AMBIQUE<\/b><\/p>\n<p>Quando terminou o ataque de Outubro de 2017, a pol\u00edcia mo\u00e7ambicana chegou, atribuiu a culpa pela viol\u00eancia aos bandidos e declarou que iria lidar com a situa\u00e7\u00e3o dentro de uma semana, Dr. Salvador Forquilha, investigador s\u00e9nior do Instituto de Estudos Sociais e Econ\u00f3micos de Mo\u00e7ambique, disse \u00e0 ADF.<\/p>\n<p>Forquilha disse que o governo cometeu v\u00e1rios grandes erros em 2017. Primeiro, as for\u00e7as de seguran\u00e7a responderam com viol\u00eancia e encerraram mesquitas e fizeram algumas apreens\u00f5es r\u00e1pidas. Isso semeou confus\u00e3o e tamb\u00e9m deixou agitados alguns mu\u00e7ulmanos mo\u00e7ambicanos, de acordo com os relatos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36397\" aria-describedby=\"caption-attachment-36397\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1233002926.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36397\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1233002926.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"719\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1233002926.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1233002926-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1233002926-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1233002926-768x511.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1233002926-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36397\" class=\"wp-caption-text\">Este acampamento para pessoas deslocadas internamente, no distrito de Metuge, Cabo Delgado, albergava 30.000 pessoas em Maio de 2021, uma por\u00e7\u00e3o delas deslocadas pelos insurgentes.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cPenso que o governo n\u00e3o estava preparado para lidar com um fen\u00f3meno como estes,\u201d disse Forquilha \u00e0 ADF. \u201cRecorde-se que tivemos uma guerra civil durante 16 anos e ainda estamos no processo de terminar com o processo da guerra civil com a reintegra\u00e7\u00e3o de antigos membros da guerrilha do grupo rebelde RENAMO. &#8230;Portanto, isso foi uma surpresa.\u201d<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, disse, houve problemas de organiza\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o entre a pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito. \u00c0s vezes, essa falta de coordena\u00e7\u00e3o levou a conflitos entre os dois grupos. Enquanto este problema persistia, os insurgentes espalharam-se para mais e mais zonas at\u00e9 que as for\u00e7as do Ruanda e da SAMIM foram destacadas para aquele lugar, em 2021.<\/p>\n<p>\u201cPenso que a abordagem do lado do governo para lidar com o fen\u00f3meno foi errada desde o in\u00edcio e, de facto, foi tarde quando o governo entendeu que o pa\u00eds estava a enfrentar um problema s\u00e9rio ligado ao jihadismo e ao terrorismo,\u201d disse Forquilha \u00e0 ADF.<\/p>\n<p><b>SEMENTES DE EXTREMISMO<\/b><\/p>\n<p>O ataque de Outubro de 2017 \u00e9 amplamente considerado o primeiro ataque organizado e coordenado do Ansar al-Sunna. Mas n\u00e3o foi o primeiro exemplo de viol\u00eancia em Cabo Delgado ou a primeira indica\u00e7\u00e3o de que o ensino isl\u00e2mico radical estava a germinar na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ansar al-Sunna surgiu em 2015, atacando mu\u00e7ulmanos locais. O document\u00e1rio da BBC Eye indica que os l\u00edderes locais estavam a soar o alarme sobre novas formas de ensinamento isl\u00e2mico a entrarem na regi\u00e3o em 2015.<\/p>\n<p>O presidente do munic\u00edpio de Moc\u00edmboa da Praia anunciou que um grupo chamado al-Shabaab estava a recrutar jovens na regi\u00e3o e que representava uma amea\u00e7a \u00e0 paz, reportou a BBC Eye. Um ano depois, em 2016, um director de escola disse \u00e0 R\u00e1dio Comunit\u00e1ria de Nacedje, em Macomia, que a participa\u00e7\u00e3o nas escolas tinha diminu\u00eddo e que ele culpava uma seita isl\u00e2mica que dizia que ir \u00e0 escola era in\u00fatil.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36385\" aria-describedby=\"caption-attachment-36385\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1164625682.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36385\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1164625682.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1164625682.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1164625682-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1164625682-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1164625682-768x512.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1164625682-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36385\" class=\"wp-caption-text\">Uma mulher segura uma crian\u00e7a em meio aos restos de uma aldeia incendiada por insurgentes nos arredores de Macomia, na prov\u00edncia mo\u00e7ambicana de Cabo Delgado.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 2016, um chefe local enviou uma lista de preocupa\u00e7\u00f5es ao conselho isl\u00e2mico local com elementos de uma prega\u00e7\u00e3o peculiar dos insurgentes. As instru\u00e7\u00f5es orientavam os adoradores para orarem sem tirarem os seus sapatos, n\u00e3o trazerem identifica\u00e7\u00e3o consigo, evitarem escolas financiadas pelo Estado e evitarem a bandeira e os eventos nacionais. \u201cEles estiveram a recrutar mu\u00e7ulmanos que n\u00e3o estavam assim cientes, que n\u00e3o tinham estudado e eram pobres,\u201d disse ele na reportagem da BBC.<\/p>\n<p>\u201cOs l\u00edderes mu\u00e7ulmanos estavam realmente a alertar e alguns deles foram falar com as autoridades locais para dizer \u2018olha, estamos a enfrentar muitos desafios nas nossas mesquitas locais,\u2019\u201d contou Forquilha \u00e0 BBC. \u201cTemos pessoas que v\u00eam de fora, especialmente jovens, que tentam pregar um islamismo muito radical. N\u00e3o houve ac\u00e7\u00f5es muito claras por parte do governo&#8230; de modo a lutar contra o grupo mesmo no in\u00edcio.\u201d<\/p>\n<p><b>INFLU\u00caNCIAS EXTERNAS<\/b><\/p>\n<p>Problemas ligados a inefic\u00e1cias do governo h\u00e1 muito estiveram presentes na prov\u00edncia de Cabo Delgado e nas zonas circunvizinhas. Mas as ra\u00edzes do islamismo radical podem estender-se para fora da regi\u00e3o e atravessar a fronteira para Tanz\u00e2nia e outros lugares, de acordo com alguns especialistas. O Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos de \u00c1frica (ACSS) realizou um webinar em Outubro de 2021 para debater as origens da viol\u00eancia em Cabo Delgado.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Nesse webinar, Dino Mahtani, ent\u00e3o director-adjunto do Programa Africano do Grupo Internacional de Crise, apontou para a repress\u00e3o dos radicais isl\u00e2micos na Tanz\u00e2nia, em 2017, que podem ter pressionado os extremistas a entrarem em Mo\u00e7ambique, onde se juntaram aos extremistas daquele ponto.<\/p>\n<p><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>As repress\u00f5es, disse Mahtani, tiveram como alvo aqueles que eram afiliados \u201ca franquias do al-Qaeda da costa Swahili\u201d desde a Som\u00e1lia, passando pelo Qu\u00e9nia e pela Tanz\u00e2nia, entrando depois em Mo\u00e7ambique. O grupo do Estado Isl\u00e2mico, disse, est\u00e1 a procurar \u201cfurar\u201d a rede e inclu\u00ed-la na sua posse que j\u00e1 inclui as For\u00e7as Democr\u00e1ticas Aliadas, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Estudos demonstram que os tanzanianos recrutados desde 2017 aparecem em acampamentos na regi\u00e3o leste da RDC e depois em Cabo Delgado, \u201cent\u00e3o, existem movimentos de ida e volta de rapazes da costa swahili que participam em conflitos violentos em Cabo Delgado, mas tamb\u00e9m no leste do Congo,\u201d disse Mahtani.<\/p>\n<p>Dr. Adriano Alfredo Nuvunga, director do Centro para Democracia e Desenvolvimento, uma organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil sem fins lucrativos em Mo\u00e7ambique, concorda que as influ\u00eancias externas moldaram a insurg\u00eancia de Cabo Delgado.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o, disse Nuvunga no webinar do ACSS, h\u00e1 muito vem sendo marginalizada e negligenciada pelo governo central. \u201cTodo o tecido social que \u00e9 conducente ao conflito est\u00e1 ligado a problemas locais,\u201d disse atrav\u00e9s de um int\u00e9rprete. Mas a viol\u00eancia b\u00e1rbara perpetrada pelos insurgentes, que inclui decapita\u00e7\u00f5es e mutila\u00e7\u00f5es, aponta para m\u00e9todos terroristas que est\u00e3o a ser importados para Cabo Delegado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36417\" aria-describedby=\"caption-attachment-36417\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531467.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36417\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531467.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531467.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531467-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531467-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531467-768x512.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/GettyImages-1235531467-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-36417\" class=\"wp-caption-text\">Um soldado ruand\u00eas, parte das for\u00e7as militares e da pol\u00edcia, composta por 1.000 homens, faz patrulha pr\u00f3ximo de Palma, Cabo Delgado, em Setembro de 2021.<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>O QUE PODIA SER FEITO?<\/b><\/p>\n<p>Forquilha concorda que muitos extremistas atravessaram a fronteira, vindo da Tanz\u00e2nia. \u201cO que \u00e9 surpreendente \u00e9 ver que o governo levou tanto tempo, por exemplo, para cooperar com Tanz\u00e2nia,\u201d disse \u00e0 ADF. Mo\u00e7ambique podia ter aprendido mais sobre o que esperar e como lidar com a insurg\u00eancia, comunicando com Qu\u00e9nia, Tanz\u00e2nia e Uganda, todos eles confrontaram viol\u00eancia extremista h\u00e1 v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>Seria muito bom que outros pa\u00edses africanos que enfrentam desafios semelhantes levassem potenciais amea\u00e7as a s\u00e9rio desde o in\u00edcio, disse. Isso inclui fazer uso eficaz de servi\u00e7os de intelig\u00eancia estatais e procurar garantir que as institui\u00e7\u00f5es do governo sejam suficientemente fortes para garantir resili\u00eancia e oportunidades econ\u00f3micas para os residentes.<\/p>\n<p>Se o governo de Mo\u00e7ambique tivesse seguido esta abordagem mais colaborativa desde o in\u00edcio, isso podia ter impedido que os insurgentes se incorporassem de forma incontrol\u00e1vel na regi\u00e3o, o que veio a causar n\u00fameros significativos de pessoas deslocadas internamente e outros problemas, considerou Forquilha.<\/p>\n<p>Forquilha, que j\u00e1 realizou pesquisas e inqu\u00e9ritos nas regi\u00f5es afectadas de Cabo Delgado, estava na regi\u00e3o, em Janeiro de 2022, a conversar com residentes de Pemba, uma cidade portu\u00e1ria e capital da prov\u00edncia. Disse que os residentes afirmaram que \u201cainda existem ataques em alguns lugares,\u201d apesar da presen\u00e7a das for\u00e7as militares multinacionais. Pequenos grupos de insurgentes agora t\u00eam como alvo pequenas aldeias para os seus ataques, o que ser\u00e1 mais dif\u00edcil e levar\u00e1 mais tempo para os soldados os combater. As for\u00e7as militares podem minimizar o problema de seguran\u00e7a, \u201cmas isso n\u00e3o ir\u00e1 eliminar a insurg\u00eancia em si,\u201d disse.<\/p>\n<p>Antes da interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do Ruanda e da SAMIM, Mo\u00e7ambique recorreu a empresas militares privadas: primeiro, ao famoso Grupo Wagner, da R\u00fassia, depois ao sul-africano, Dyck Advisory Group. As for\u00e7as do Grupo Wagner deixaram o pa\u00eds depois de sofrerem pesadas derrotas, e o Dyck saiu depois do seu contrato terminar no in\u00edcio de 2021. Os participantes do webinar do ACSS concordaram com Forquilha que as interven\u00e7\u00f5es militares por si s\u00f3 provavelmente n\u00e3o ir\u00e3o acabar com a insurg\u00eancia em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Idriss M. Lallali, director da Unidade de Alerta e Preven\u00e7\u00e3o, no Centro Africano para Estudos e Pesquisas sobre o Terrorismo, tra\u00e7ou paralelos entre Mo\u00e7ambique e aquilo que aconteceu no Mali desde 2012. Mo\u00e7ambique deve \u201crestabelecer a presen\u00e7a do Estado\u201d e criar a confian\u00e7a entre o Estado, o sector de seguran\u00e7a e a popula\u00e7\u00e3o que serve.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o desenvolver certas partes do seu pa\u00eds, isso vir\u00e1 contra o governo em algum momento,\u201d disse Lallali no webinar. \u201cE penso que o que aconteceu no Mali est\u00e1 agora a acontecer em Mo\u00e7ambique.\u201d<\/p>\n<p>Neste ponto, disse Forquilha, Mo\u00e7ambique ter\u00e1 de lidar com as din\u00e2micas internas com esfor\u00e7os socioecon\u00f3micos que abordam a pobreza e a falta de emprego. Isso faria muito em dar oportunidades aos jovens, preterindo o recrutamento dos extremistas. Tais esfor\u00e7os tamb\u00e9m precisam de alcan\u00e7ar as prov\u00edncias vizinhas de Nampula, Niassa e Zamb\u00e9zia, onde as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o semelhantes.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o externa das liga\u00e7\u00f5es do Ansar al-Sunna com organiza\u00e7\u00f5es terroristas internacionais, como o grupo do Estado Isl\u00e2mico e as redes da \u00c1frica Oriental, destaca a necessidade de coopera\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses. O grupo do Estado Isl\u00e2mico come\u00e7ou a reivindicar os ataques dos insurgentes em 2019, \u201cent\u00e3o existe uma liga\u00e7\u00e3o e n\u00f3s n\u00e3o podemos recusar a liga\u00e7\u00e3o,\u201d disse Forquilha.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o penso que um pa\u00eds sozinho possa lutar contra o terrorismo, jihadismo, ou seja o que for, sem cooperar com outros pa\u00edses, com outros Estados, com outros outras na\u00e7\u00f5es,\u201d disse Forquilha. \u201cPorque tornou-se um fen\u00f3meno global, uma amea\u00e7a global e t\u00eam de ser combatida como tal. Por isso, a componente da coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 muito, muito importante a ser tida em conta.\u201d<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EQUIPA DA ADF FOTOS DE: AFP\/GETTY IMAGES Enquanto jovens rondavam pelas ruas de Moc\u00edmboa da Praia com catanas e AK-47s, no dia 5 de Outubro de 2017, algumas pessoas da cidade espreitavam pelas janelas com medo, gravando a marcha desafiadora com os seus telem\u00f3veis. 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