{"id":29882,"date":"2022-01-12T09:30:16","date_gmt":"2022-01-12T14:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/adf-magazine.com\/?p=29882"},"modified":"2022-01-31T14:27:22","modified_gmt":"2022-01-31T19:27:22","slug":"terreno-desconhecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adf-magazine.com\/pt-pt\/2022\/01\/terreno-desconhecido\/","title":{"rendered":"Terreno Desconhecido"},"content":{"rendered":"<p>POR CYRIL ZENDA<\/p>\n<p>Um grupo rebelde implac\u00e1vel e obscuro infiltrou-se na prov\u00edncia de Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique. Os militantes associados ao Estado Isl\u00e2mico, conhecidos como Ansar al-Sunna, \u201cdefensores da tradi\u00e7\u00e3o,\u201d surgiram em Outubro de 2017 e fomentaram a viol\u00eancia, que matou mais de 2.500 pessoas e for\u00e7ou o deslocamento de mais de 700.000 pessoas, at\u00e9 meados de Mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n<p>Em Cabo Delgado, prov\u00edncia situada na fronteira norte de Mo\u00e7ambique com a Tanz\u00e2nia, vivem cerca de 2,3 milh\u00f5es de pessoas, 60 por cento das quais mu\u00e7ulmanas. \u00c9 tamb\u00e9m conhecida a n\u00edvel local como \u201cCabo Esquecido.\u201d<\/p>\n<p>Desde 2019, o governo mo\u00e7ambicano contratou empresas militares privadas (EMPs) para ajudar a combater os rebeldes, com resultados modestos. Os grupos s\u00e3o controversos e destacam as ramifica\u00e7\u00f5es financeiras e de direitos humanos da externaliza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a nacional para interesses privados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, analistas afirmam que a confian\u00e7a de Mo\u00e7ambique em EMPs de elevado custo, na prov\u00edncia nordeste com vastos recursos de g\u00e1s natural, pode n\u00e3o ser sustent\u00e1vel a longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cOs riscos s\u00e3o demasiado elevados,\u201d afirmou Lionel Dyck, director do Dyck Advisory Group, uma EMP sul-africana que ajuda o governo a conter a insurrei\u00e7\u00e3o em Cabo Delgado. \u201cNo entanto, as For\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a de Mo\u00e7ambique n\u00e3o est\u00e3o preparadas e t\u00eam recursos insuficientes, pelo que temos de agir depressa,\u201d disse Dyck \u00e0 p\u00e1gina da internet Africa Unauthorised, em Julho de 2020.<\/p>\n<p>Desde o final de 2017, o ex\u00e9rcito do pa\u00eds est\u00e1 a tentar reprimir o grupo armado que destabilizou a regi\u00e3o onde a ExxonMobil, a Total e outras empresas internacionais de produ\u00e7\u00e3o de energia conseguiram capitalizar 60 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em jazigos de g\u00e1s natural.<\/p>\n<figure id=\"attachment_28985\" aria-describedby=\"caption-attachment-28985\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/1823599170_edit.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-28985\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/1823599170_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"713\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/1823599170_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/1823599170_edit-300x198.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/1823599170_edit-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/1823599170_edit-768x507.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-28985\" class=\"wp-caption-text\">Este ve\u00edculo em destro\u00e7os foi abandonado na berma da estrada ap\u00f3s uma emboscada militar a uma coluna de civis em Mo\u00e7ambique, em Mar\u00e7o de 2021. DYCK ADVISORY GROUP\/REUTERS<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>MOTIVOS DA INSURG\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p>Assim que as empresas de produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s come\u00e7aram a construir os alicerces, Ansar al-Sunna iniciou a sua insurrei\u00e7\u00e3o destrutiva. Os residentes locais apelidam o grupo de \u201cal-Shabaab,\u201d mas n\u00e3o tem quaisquer liga\u00e7\u00f5es \u00e0 filial da al-Qaeda na Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver consenso sobre os motivos da insurrei\u00e7\u00e3o, os analistas concordam que a religi\u00e3o possa ter proporcionado um ponto de encontro de todos os descontentes com as desigualdades socioecon\u00f3micas e pol\u00edticas generalizadas que existem desde que Mo\u00e7ambique se tornou independente de Portugal, em 1975. Estas condi\u00e7\u00f5es atra\u00edram a maioria dos jovens para movimentos radicais, como \u00e9 o caso do Ansar al-Sunna, que promete que o seu modelo do Isl\u00e3o ser\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o para a corrup\u00e7\u00e3o e o elitismo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s ocup\u00e1mos [as cidades] para mostrar que o actual governo \u00e9 injusto,\u201d afirmou um militante num v\u00eddeo, em 2020, de acordo com a BBC. \u201cHumilha os pobres e d\u00e1 o lucro aos patr\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Dr. Eric Morier-Genoud, cientista pol\u00edtico nascido em Mo\u00e7ambique, licenciado pela Queen\u2019s University, em Belfast, Irlanda do Norte, associa a insurrei\u00e7\u00e3o a din\u00e2micas hist\u00f3ricas e sociais espec\u00edficas.<\/p>\n<p>\u201cO movimento surgiu num grupo religioso, social e \u00e9tnico espec\u00edfico, conhecido como os Mwani,\u201d explicou Morier-Genoud. \u201cEles consideram que t\u00eam sido marginalizados h\u00e1 d\u00e9cadas devido \u00e0 migra\u00e7\u00e3o na sua \u00e1rea, \u00e0 falta de desenvolvimento econ\u00f3mico e \u00e0 influ\u00eancia pol\u00edtica dos pa\u00edses vizinhos.\u201d<\/p>\n<p>Lorenzo Macagno, que pesquisou sobre o Isl\u00e3o na prov\u00edncia de Nampula, em Mo\u00e7ambique, defende que a viol\u00eancia insurgente na prov\u00edncia adjacente de Cabo Delgado pode ser uma express\u00e3o das tens\u00f5es causadas pelos jihadistas, que caracterizaram o Isl\u00e3o em Mozambique durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cConheci, na prov\u00edncia de Nampula, um Isl\u00e3o hospitaleiro e pac\u00edfico, mas sei que tamb\u00e9m tem sido marcado por tens\u00f5es internas e que agora conhecem uma extrapola\u00e7\u00e3o \u2018jihadista\u2019 em Cabo Delgado,\u201d afirmou Macagno, professor associado do Departamento de Antropologia da Universidade de Paran\u00e1, Brasil.<\/p>\n<p>Para Macagno, a pobreza, a repress\u00e3o do Estado e a presen\u00e7a de capital estrangeiro em projectos de g\u00e1s natural em Cabo Delgado n\u00e3o s\u00e3o suficientes para explicar a insurrei\u00e7\u00e3o armada na prov\u00edncia. Estes factores est\u00e3o presentes em v\u00e1rias partes de \u00c1frica e do mundo, mas n\u00e3o h\u00e1 \u201cempreendimentos jihadistas.\u201d<\/p>\n<p>Os grupos armados \u201capresentam-se como messi\u00e2nicos e com uma agenda de salva\u00e7\u00e3o de um Isl\u00e3o que combate mu\u00e7ulmanos considerados ap\u00f3statas e que colaboram com o Estado laico,\u201d afirmou.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Map.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29883\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Map.jpg\" alt=\"\" width=\"1275\" height=\"933\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Map.jpg 1275w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Map-300x220.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Map-1024x749.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Map-768x562.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Map-86x64.jpg 86w\" sizes=\"(max-width: 1275px) 100vw, 1275px\" \/><\/a>UMA SOLU\u00c7\u00c3O MILITAR<\/strong><\/p>\n<p>Em Maputo, o governo do Presidente Filipe Nyusi qualificou a rebeli\u00e3o armada de actos de banditismo e destacou for\u00e7as militares com o intuito de aniquilar rapidamente os militantes. No entanto, a resposta foi largamente inadequada.<\/p>\n<p>Os investigadores do Observat\u00f3rio do Meio Rural (OMR), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental mo\u00e7ambicana, n\u00e3o ficaram surpreendidos com a falha do destacamento militar. Afirmam que alguns membros das For\u00e7as Armadas, que tamb\u00e9m sofrem de neglig\u00eancia por parte do governo, sofrem as mesmas injusti\u00e7as que os militantes.<\/p>\n<p>Dizem que, no in\u00edcio da rebeli\u00e3o, os cidad\u00e3os tinham mais receio das for\u00e7as governamentais do que dos insurgentes.<\/p>\n<p>\u201cDe facto, os militares no terreno queixam-se de serem mal pagos e de problemas log\u00edsticos,\u201d explicaram os investigadores do OMR.<\/p>\n<p>Os destacamentos militares tamb\u00e9m provocaram a ira das comunidades. Alguns residentes locais \u201cqueixam-se de roubo e extors\u00e3o de dinheiro pelos militares,\u201d afirmam os investigadores. \u201cReportagens locais e v\u00eddeos do WhatsApp mostram o sentimento generalizado de que os militares n\u00e3o est\u00e3o a proteger devidamente as popula\u00e7\u00f5es, ao evitarem confrontos com os insurgentes.\u201d<\/p>\n<p>Os soldados e agentes da pol\u00edcia mo\u00e7ambicanos est\u00e3o entre os funcion\u00e1rios p\u00fablicos mais mal pagos. Esta situa\u00e7\u00e3o, associada a uma grave falta de recursos, afectou gravemente a moral e criou condi\u00e7\u00f5es perfeitas para a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Graph2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29887\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Graph2.jpg\" alt=\"\" width=\"502\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Graph2.jpg 502w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Graph2-300x298.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ADF_V14N3_POR_Graph2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><\/a>UM REF\u00daGIO PARA MERCEN\u00c1RIOS<\/strong><\/p>\n<p>Em meados de 2019, quando se tornou evidente que as For\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a de Mo\u00e7ambique n\u00e3o t\u00eam capacidade para lidar com a insurrei\u00e7\u00e3o, Nyusi pediu ajuda \u00e0s EMPs.<\/p>\n<p>Cerca de 200 mercen\u00e1rios do Grupo Wagner, uma EMP controlada por Yevgeny Prigozhin, um homem de neg\u00f3cios russo com estreitas liga\u00e7\u00f5es ao Kremlin, chegou em segredo a Cabo Delgado, em Setembro de 2019. O facto de o Grupo Wagner ter garantido um contrato lucrativo com v\u00e1rias EMPs com vasta experi\u00eancia na regi\u00e3o revela a falta de transpar\u00eancia desses contratos.<\/p>\n<p>A falta de experi\u00eancia na regi\u00e3o por parte do Grupo Wagner teve um pre\u00e7o elevado. Em Novembro de 2019, o Grupo Wagner retirou-se precipitadamente de Cabo Delgado depois de ter sofrido baixas elevadas, incluindo algumas decapita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Encorajados pelas vit\u00f3rias contra as for\u00e7as russas mais bem equipadas, os insurgentes iniciaram ataques mais arrojados em 2020.<\/p>\n<p>Este acontecimento obrigou o governo a contratar o Dyck Advisory Group, em Abril de 2020. Isso deu frutos de imediato, incluindo a morte de 129 insurgentes.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas das atrocidades cometidas s\u00e3o das mais violentas que presenciei, e eu estive presente em muitas guerras, em v\u00e1rios locais diferentes,\u201d Dyck, um antigo coronel do ex\u00e9rcito do Zimbabwe, disse ao Africa Unauthorised, em Julho de 2020, quando apresentou relat\u00f3rios detalhados de mutila\u00e7\u00e3o de corpos e canibalismo. \u201cApesar da barbaridade, este inimigo est\u00e1 organizado, motivado e bem equipado. Se n\u00e3o conseguirmos travar esta situa\u00e7\u00e3o, vai espalhar-se rapidamente para o sul e ser\u00e1 um desastre para toda a regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Um funcion\u00e1rio da empresa de Dyck afirmou, no dia 31 de Mar\u00e7o de 2021, que Mo\u00e7ambique n\u00e3o pretendia continuar o contrato com a empresa. Este an\u00fancio surgiu depois de um relat\u00f3rio da Amnistia Internacional acusar todas as partes em conflito de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Alegadamente, Mo\u00e7ambique ter\u00e1 contratado o Paramount Group, uma empresa aeroespacial e de tecnologia sediada na \u00c1frica do Sul. Apesar do Paramount Group n\u00e3o fornecer pessoal, disponibiliza ve\u00edculos blindados, avi\u00f5es, ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados e navios de guerra, bem como treino para pilotos, c\u00e3es-pol\u00edcia e operadores de ve\u00edculos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_29065\" aria-describedby=\"caption-attachment-29065\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1231369284_edit.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-29065\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1231369284_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"761\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1231369284_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1231369284_edit-300x211.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1231369284_edit-1024x722.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1231369284_edit-768x541.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-29065\" class=\"wp-caption-text\">Abrigos tempor\u00e1rios no distrito de Metuge, em Cabo Delgado, servem de casa para pessoas que fogem da viol\u00eancia militar. AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O CUSTO DAS EMPs<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil saber o real custo dos mercen\u00e1rios, mas analistas afirmam que as EMPs s\u00e3o sempre muito caras.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida de que o recurso a EMPs \u00e9 muito controverso num pa\u00eds como Mo\u00e7ambique; a falta de transpar\u00eancia significa que \u00e9 dif\u00edcil avaliar o lucro destes contratos, mas \u00e9 evidente que as empresas privadas s\u00e3o dispendiosas, o rendimento de algumas EMPs \u00e9 quatro vezes superior ao do sal\u00e1rio dos militares dos EUA,\u201d escreveu o perito em seguran\u00e7a Ben Simonson para a Global Risk Insights.<\/p>\n<p>As EMPs que perderam o contrato com Mo\u00e7ambique, quando contratou o Grupo Wagner, declararam que, na altura, o Grupo estava a cobrar mensalmente 25.000 d\u00f3lares por cada mercen\u00e1rio no terreno, al\u00e9m de equipamento e outras quest\u00f5es log\u00edsticas.<\/p>\n<p>Se estes valores estiverem correctos, os pagamentos mensais a uma EMP podem facilmente ultrapassar a massa salarial da totalidade do ex\u00e9rcito mo\u00e7ambicano de 11.200 soldados, que recebem uma m\u00e9dia de 70 d\u00f3lares por m\u00eas.<\/p>\n<p>Os elevados custos privados suscitaram d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de Mo\u00e7ambique de aguentar as despesas a longo prazo, tendo em conta o tipo de insurg\u00eancia prolongada dos jihadistas, como a que foi levada a cabo por Boko Haram, na \u00c1frica Ocidental, e pelo al-Shabaab, na Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>Calton Cadeado, professor da Universidade Joaquim Chissano, em Maputo, e perito em defesa e seguran\u00e7a, atribui a culpa a pol\u00edticas anteriores.<\/p>\n<p>\u201cAs For\u00e7as Armadas foram enfraquecidas por motivos pol\u00edticos, econ\u00f3micos e geopol\u00edticos,\u201d afirmou Cadeado. \u201cEm termos pol\u00edticos, houve v\u00e1rias opini\u00f5es, em especial de doadores, que utilizaram argumentos c\u00ednicos, baseados na teoria liberal, para impor um fraco investimento nas For\u00e7as Armadas.\u201d<\/p>\n<p>Cadeado afirma que a falta de investimento nos militares foi um erro. \u201cActualmente, \u00e9 obrigat\u00f3rio modernizar as For\u00e7as Armadas.\u201d<\/p>\n<p>Simonson concordou que as EMPs tenham surgido para colmatar uma grande lacuna de seguran\u00e7a, uma vez que as for\u00e7as militares mo\u00e7ambicanas n\u00e3o t\u00eam capacidade para o fazer.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida de que as defici\u00eancias operacionais nas for\u00e7as de seguran\u00e7a de Mo\u00e7ambique tenham dado origem a uma situa\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel: a forte depend\u00eancia nas empresas privadas. Acima de tudo, qualquer coisa \u00e9 melhor do que nada, e, neste caso, o recurso \u00e0s EMPs impediu que uma situa\u00e7\u00e3o muito mais grave se tornasse ainda pior,\u201d afirmou Simonson. \u201cInfelizmente, a verdade \u00e9 que a guerra \u00e9 um neg\u00f3cio de muito lucro, e onde quer que haja conflito, h\u00e1 empresas militares privadas que procuram lucrar com a situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_29037\" aria-describedby=\"caption-attachment-29037\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1164625791_edit.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-29037\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1164625791_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1164625791_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1164625791_edit-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1164625791_edit-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1164625791_edit-768x512.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/GettyImages-1164625791_edit-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-29037\" class=\"wp-caption-text\">Rebeldes queimaram esta casa na Aldeia da Paz, nos arredores de Macomia, em Mo\u00e7ambique. AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SOLU\u00c7\u00d5ES N\u00c3O MILITARES<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de Nyusi e o seu governo proporem solu\u00e7\u00f5es militares para a rebeli\u00e3o, analistas afirmam que deve ser sempre considerada a utiliza\u00e7\u00e3o de meios n\u00e3o militares para p\u00f4r termo ao conflito.<\/p>\n<p>\u201cT\u00eam de lidar de maneira construtiva com os problemas relacionados com a propriedade da terra, come\u00e7ar a resolver as tens\u00f5es sect\u00e1rias e evitar humilhar os mu\u00e7ulmanos nas respectivas opera\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a se querem impedir que as guerrilhas isl\u00e2micas tirem partido do descontentamento local e conquistem mais terreno,\u201d afirmou Morier-Genoud.<\/p>\n<p>Cadeado disse que era importante que o governo resolvesse os problemas que fomentam o descontentamento nas popula\u00e7\u00f5es locais. Acrescentou que o governo deve investir no desenvolvimento a n\u00edvel local e estar mais atento \u00e0 explos\u00e3o juvenil nas \u00e1reas afectadas pela insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A guerra civil ap\u00f3s a independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique, entre 1977 e 1992, entre a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique Marxista-leninista dirigente, conhecida como FRELIMO, e as for\u00e7as rebeldes da Resist\u00eancia Nacional Mo\u00e7ambicana, conhecida como RENAMO, s\u00f3 terminou depois de negocia\u00e7\u00f5es. Isso levanta s\u00e9rias d\u00favidas sobre a possibilidade do fim do actual conflito atrav\u00e9s de meios puramente militares.<\/p>\n<p>\u201cA solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser apenas militar, porque \u00e9 praticamente imposs\u00edvel derrotar um movimento de guerrilha num cen\u00e1rio de pobreza, desigualdade e tens\u00f5es hist\u00f3ricas profundas,\u201d avisaram os investigadores do OMR. Acrescentaram que as for\u00e7as de seguran\u00e7a privada n\u00e3o compreendem a din\u00e2mica local ou os terrenos florestais, o que \u00e9 complicado numa \u00e1rea onde os rebeldes t\u00eam algum apoio local.<\/p>\n<p><strong>A AJUDA EXTERNA COME\u00c7A A CHEGAR<\/strong><\/p>\n<p>A hostilidade de longa data do governo mo\u00e7ambicano com os estrangeiros n\u00e3o tem ajudado a conquistar a ajuda externa. O governo tem sido acusado de perseguir jornalistas, funcion\u00e1rios das ag\u00eancias humanit\u00e1rias e formadores de opini\u00e3o, alguns dos quais ajudaram a denunciar as atrocidades ocorridas em zonas de conflito.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e0 medida que a insurrei\u00e7\u00e3o persistia, as na\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o e de outras regi\u00f5es come\u00e7aram a considerar v\u00e1rios tipos de ajuda. No final de 2020, a Tanz\u00e2nia ofereceu-se para executar opera\u00e7\u00f5es militares conjuntas ao longo da fronteira comum, e Portugal ofereceu-se para treinar membros do ex\u00e9rcito mo\u00e7ambicano.<\/p>\n<p>Na Primavera de 2021, uma dezena de boinas verdes do Ex\u00e9rcito dos EUA iniciou um programa de dois meses para treinar fuzileiros navais mo\u00e7ambicanos sobre opera\u00e7\u00f5es militares b\u00e1sicas que possam ser \u00fateis, como planeamento, log\u00edstica e cuidados \u00e0s v\u00edtimas de combate, noticiou o The New York Times. Os EUA est\u00e3o tamb\u00e9m a considerar fornecer apoio em termos de servi\u00e7os secretos.<\/p>\n<p>Em Abril de 2021, as For\u00e7as de Defesa Nacional da \u00c1frica do Sul enviaram tropas para fornecer apoio log\u00edstico a cidad\u00e3os sul-africanos que pretendem regressar a casa, de acordo com o Eyewitness News, da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de Maio de 2021, a Uni\u00e3o Europeia anunciou que estava a considerar uma miss\u00e3o militar de treino em Mo\u00e7ambique, noticiou a Reuters.<\/p>\n<p>Depois de meses de delibera\u00e7\u00f5es, a Comunidade para o Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC), composta por 16 membros, aceitou, a 23 de Junho de 2021, destacar a sua for\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o regional para ajudar a combater o terrorismo em Mo\u00e7ambique. Os oficiais n\u00e3o indicaram o n\u00famero de tropas, os calend\u00e1rios de destacamento nem os cargos.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 apenas o primeiro passo para uma solu\u00e7\u00e3o mais abrangente,\u201d disse Liesl Louw-Vaudran, investigador s\u00e9nior do Instituto de Estudos de Seguran\u00e7a, \u00e0 Reuters. \u201c\u00c9 a primeira vez que a for\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o da SADC mobiliza uma opera\u00e7\u00e3o de combate ao terrorismo que n\u00e3o \u00e9 pela manuten\u00e7\u00e3o da paz. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito complexa.\u201d<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><b><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Cyril-Zenda_edit.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-29021 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Cyril-Zenda_edit-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>SOBRE O AUTOR<\/b><\/p>\n<p>Cyril Zenda \u00e9 um jornalista residente em Harare, no Zimbabwe. Possui artigos publicados no Fair Planet, na TRT World Magazine, The New Internationalist, Toward Freedom e SciDev.Net.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR CYRIL ZENDA Um grupo rebelde implac\u00e1vel e obscuro infiltrou-se na prov\u00edncia de Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique. 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