{"id":20371,"date":"2020-12-28T10:23:55","date_gmt":"2020-12-28T15:23:55","guid":{"rendered":"https:\/\/adf-magazine.com\/?p=20371"},"modified":"2021-01-04T12:44:11","modified_gmt":"2021-01-04T17:44:11","slug":"forjadas-no-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adf-magazine.com\/pt-pt\/2020\/12\/forjadas-no-fogo\/","title":{"rendered":"Forjadas No Fogo"},"content":{"rendered":"<p>EQUIPA DA <i>ADF<\/i><\/p>\n<p>\u00c0\u00a0medida que uma nova doen\u00e7a respirat\u00f3ria assustadora alastrava-se na China Ocidental e eventualmente seguia em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, a \u00c1frica estava a lidar com v\u00e1rios outros surtos de doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p>Na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC), os trabalhadores tentavam mitigar uma resistente epidemia do \u00c9bola, que come\u00e7ou em Agosto de 2018, na parte oriental daquela na\u00e7\u00e3o. Em Janeiro de 2019, um surto de sarampo atingiu a RDC, infectando mais de 300.000 pessoas at\u00e9 meados de Mar\u00e7o de 2020. Na Nig\u00e9ria, oficiais de sa\u00fade estavam a enfrentar o seu maior surto de sempre da febre Lassa, uma doen\u00e7a sazonal transmitida por ratos e espalhada atrav\u00e9s dos seus dejectos.<\/p>\n<p>Tudo isso aconteceu quando o continente tamb\u00e9m enfrentava surtos sazonais de c\u00f3lera e as amea\u00e7as sempre presentes de mal\u00e1ria, febre amarela e tuberculose. A \u00c1frica Austral continuava a enfrentar o profundo problema de HIV\/SIDA, que, durante d\u00e9cadas, foi uma preocupa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. A sombra do surto do \u00c9bola da \u00c1frica Ocidental de 2014-2016, que matou mais de 11.000 pessoas na Guin\u00e9, Lib\u00e9ria e Serra Leoa, ainda perturbava o continente.<\/p>\n<p>Foi neste contexto que o SARS-CoV-2, o coronav\u00edrus que causa a COVID-19, entrou no Egipto e depois passou para Arg\u00e9lia. O primeiro caso da \u00c1frica Subsaariana surgiu na Nig\u00e9ria depois que um italiano chegou a Lagos vindo de Mil\u00e3o, no dia 24 de Fevereiro de 2020, sem sintomas, reportou o canal France 24. Quatro dias depois, este homem esteve em quarentena num hospital de Yaba.<\/p>\n<p>A elevada taxa de infec\u00e7\u00e3o da COVID-19, combinada com a inexist\u00eancia de uma vacina ou de um tratamento medicinal eficaz, aumentou o espectro da cat\u00e1strofe no continente de 1,2 bilh\u00f5es de pessoas. At\u00e9 princ\u00edpios de Maio de 2020, a \u00c1frica tinha registado 54.027 casos de COVID-19 em 53 pa\u00edses e 2.074 mortes.<\/p>\n<p>Mais uma vez, uma doen\u00e7a mortal estava mesmo \u00e0 porta de \u00c1frica. Mas \u00e0 medida que as na\u00e7\u00f5es se preparavam para o pior, funcion\u00e1rios de sa\u00fade, oficiais do governo e pessoal de seguran\u00e7a exibiam grandes conhecimentos, destreza e capacidade de previs\u00e3o. A experi\u00eancia e a resili\u00eancia seriam as suas maiores armas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19883\" aria-describedby=\"caption-attachment-19883\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1203460755_edit.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19883\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1203460755_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"709\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1203460755_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1203460755_edit-300x197.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1203460755_edit-1024x672.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1203460755_edit-768x504.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19883\" class=\"wp-caption-text\">Param\u00e9dicos da Arg\u00e9lia vestem roupas de protec\u00e7\u00e3o numa unidade especial do Hospital de El-Kettar para o tratamento de doentes de COVID-19. Arg\u00e9lia foi o segundo pa\u00eds de \u00c1frica a registar um caso do v\u00edrus. AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>NIG\u00c9RIA ENTRA EM AC\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou o surto do \u00c9bola da \u00c1frica Ocidental de 2014, alguns \u2013 incluindo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) \u2013 receberam cr\u00edticas pelas suas reac\u00e7\u00f5es lentas. Contudo, a Nig\u00e9ria n\u00e3o foi um deles.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o estivesse no epicentro do surto, o \u00c9bola chegou \u00e0 parte mais densamente povoada da na\u00e7\u00e3o, no dia 20 de Julho de 2014, de acordo com a <i>Scientific American<\/i>. Dentro de poucas semanas, 19 pessoas contra\u00edram a doen\u00e7a. Estavam reunidas as condi\u00e7\u00f5es para que o desastre acontecesse, mas os oficiais de sa\u00fade da Nig\u00e9ria responderam com tr\u00eas t\u00e1cticas fundamentais:<\/p>\n<ul>\n<li>Rastreamento r\u00e1pido e minucioso de todos os potenciais contactos.<\/li>\n<li>Monitoria cont\u00ednua dos contactos.<\/li>\n<li>Isolamento r\u00e1pido dos potencialmente infectados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>As ac\u00e7\u00f5es paralisaram de forma s\u00fabita o v\u00edrus mortal, limitando o n\u00famero de casos a n\u00edvel nacional em apenas 20.<\/p>\n<p>O \u00c9bola \u00e9 muitas vezes mais mortal do que a COVID-19; a sua taxa de mortalidade aproximou-se dos 50% na pandemia da \u00c1frica Ocidental, entretanto \u00e9 mais dif\u00edcil de ser transmitida de uma pessoa para outra. \u00c9 necess\u00e1rio que haja contacto directo com fluidos corporais tais como sangue, fezes e outras secre\u00e7\u00f5es e tecidos. Descobriu-se que certas pr\u00e1ticas de funerais tradicionais eram uma forma comum de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A COVID-19 espalha-se com muito mais facilidade. As pessoas apenas precisam de apertar a m\u00e3o de algu\u00e9m infectado ou entrar em contacto com uma superf\u00edcie que a pessoa tenha tocado e depois tocar na sua cara para introduzir o patog\u00e9nico no seu corpo. O v\u00edrus tamb\u00e9m pode entrar durante a respira\u00e7\u00e3o por via de got\u00edculas de \u00e1gua libertadas durante tosses e espirros. Por ser menos mortal e pelo facto de muitas pessoas nunca apresentarem sintomas, a COVID-19 espalha-se muito mais rapidamente e para mais longe do que o \u00c9bola. Isto tamb\u00e9m faz com que seja muito mais prov\u00e1vel que os sistemas de sa\u00fade fiquem sobrecarregados, mesmo em na\u00e7\u00f5es altamente desenvolvidas.<\/p>\n<p>Em 2018, a Nig\u00e9ria activou em pleno o Centro de Controlo de Doen\u00e7as da Nig\u00e9ria (NCDC) e implantou, em todo o pa\u00eds, uma rede de laborat\u00f3rios, que podia rapidamente identificar casos da doen\u00e7a, de acordo com a revista <i>The Scientist<\/i>. Desde a eclos\u00e3o da COVID-19, o NCDC levou a cabo intensas campanhas de envolvimento popular para encorajar pr\u00e1ticas seguras e sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>O aumento da capacidade da Nig\u00e9ria foi validado depois do surgimento do seu primeiro caso de COVID-19. Funcion\u00e1rios de sa\u00fade colheram, testaram e analisaram amostras do viajante italiano que trouxe o v\u00edrus para a na\u00e7\u00e3o. Os t\u00e9cnicos sequenciaram o genoma dessas amostras no Centro Africano de Excel\u00eancia para Genomas de Doen\u00e7as Infecciosas, na Redeemer\u2019s University. Foi a primeira an\u00e1lise do SARS-CoV-2 em \u00c1frica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19987\" aria-describedby=\"caption-attachment-19987\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS1GOJM_edit.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19987\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS1GOJM_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"780\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS1GOJM_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS1GOJM_edit-300x217.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS1GOJM_edit-1024x740.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS1GOJM_edit-768x555.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19987\" class=\"wp-caption-text\">Dr. Chikwe Ihekweazu, director-geral do Centro de Controlo de Doen\u00e7as da Nig\u00e9ria REUTERS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta realiza\u00e7\u00e3o marca a capacidade da Nig\u00e9ria de contribuir para uma pesquisa importante da gen\u00f3mica da doen\u00e7a e da evolu\u00e7\u00e3o das contamina\u00e7\u00f5es em tempo real, disse Chikwe Ihekweazu, director-geral do NCDC. Tamb\u00e9m mostra que as na\u00e7\u00f5es investiram na capacidade de diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>\u201cQuer a ferramenta seja utilizada para surtos de doen\u00e7a ou para vigil\u00e2ncia rotineira, agora temos a capacidade de realizar sequenciamento a n\u00edvel nacional, que tradicionalmente tem sido feito por meio de colabora\u00e7\u00f5es com laborat\u00f3rios de fora do pa\u00eds,\u201d disse Ihekweazu a <i>The Scientist<\/i>.<\/p>\n<p>A Nig\u00e9ria tamb\u00e9m tem sido agressiva no rastreamento de passageiros que entram pelos aeroportos e atrav\u00e9s de visitas porta-a-porta de modo a travar o avan\u00e7o da COVID-19. A OMS coordenou e deu o seu apoio t\u00e9cnico ao pessoal dos terminais de chegada do Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos.<\/p>\n<p>Em meados de Mar\u00e7o, a monitoria dos passageiros inclu\u00eda formul\u00e1rios de auto-preenchimento e medi\u00e7\u00f5es de temperatura. Uma enfermeira tamb\u00e9m observava os passageiros para procurar quaisquer sinais vis\u00edveis de doen\u00e7a. As pessoas que apresentassem tais sinais ou que declarassem estar doentes ou que tivessem estado expostas eram conduzidas a um rastreamento adicional.<\/p>\n<p>No dia 10 de Abril, a Nig\u00e9ria enviou funcion\u00e1rios de sa\u00fade para casas e postos de sa\u00fade em Lagos, uma cidade de 21 milh\u00f5es de pessoas, para realizarem inqu\u00e9ritos electr\u00f3nicos sobre sintomas de COVID-19. \u201cEste \u00e9 um esfor\u00e7o para intensificar a nossa busca por poss\u00edveis casos de COVID-19 nas diferentes comunidades espalhadas pelo Estado,\u201d disse o Comiss\u00e1rio de Estado de Lagos para a Sa\u00fade, Akin Abayomi, \u00e0 Radio France Internationale.<\/p>\n<p>Em meio a estes esfor\u00e7os de vigil\u00e2ncia da doen\u00e7a, a Nig\u00e9ria e outros pa\u00edses tamb\u00e9m estavam a empregar uma das mais importantes armas utilizadas no surto de \u00c9bola: o rastreamento de contactos. Esta t\u00e9cnica \u00e9 essencial para qualquer grande surto de doen\u00e7a contagiosa. A pessoa doente inicial \u00e9 isolada e tratada. De seguida, qualquer outra pessoa que possa ter estado perto da mesma \u00e9 tamb\u00e9m rastreada e testada para verificar se tem algum sintoma. Faz-se a monitoria dos contactos sem sintomas at\u00e9 que tenha passado o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o. Caso esses contactos apresentem algum sintoma, s\u00e3o isolados e tratados. Depois os seus contactos s\u00e3o igualmente rastreados, e assim por diante.<\/p>\n<p>Sempre que poss\u00edvel, \u00e9 importante manter os pacientes de COVID-19 isolados dos outros que estejam a receber tratamento m\u00e9dico. Muito cedo, a Nig\u00e9ria criou cl\u00ednicas de isolamento separadas para evitar sobrecarregar o seu sistema de sa\u00fade \u00e0 medida que os casos aumentavam, de acordo com um estudo feito pelo Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos de \u00c1frica (CEEA). O mesmo modelo encontra-se agora em vigor em cerca de 20 pa\u00edses.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es est\u00e3o a demonstrar que aprenderam da experi\u00eancia que tiveram com o \u00c9bola e outros surtos de doen\u00e7as, referiu o estudo do CEEA. As na\u00e7\u00f5es que estabeleceram centros de isolamento durante os surtos de \u00c9bola de 2014 e da RDC est\u00e3o a reabri-los para isolar pacientes de COVID-19 dos centros de sa\u00fade normais. As experi\u00eancias anteriores tamb\u00e9m refor\u00e7aram a necessidade de focalizar-se mais nas medidas de preven\u00e7\u00e3o em detrimento de tratamentos terap\u00eauticos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_20011\" aria-describedby=\"caption-attachment-20011\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTX7DI0Y_edit.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20011\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTX7DI0Y_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"754\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTX7DI0Y_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTX7DI0Y_edit-300x209.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTX7DI0Y_edit-1024x715.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTX7DI0Y_edit-768x536.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20011\" class=\"wp-caption-text\">Uma mulher somali vende frutas a um cliente parado num c\u00edrculo como forma de manter o distanciamento social num mercado de Mogad\u00edscio. REUTERS<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>\u00c1FRICA DO SUL LIDERA A TESTAGEM<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Sul, anos de tratamento e rastreamento de tuberculose e HIV deixaram os oficiais de sa\u00fade com conhecimento e infra-estruturas para realizarem a testagem em grande escala.<\/p>\n<p>Especialistas olham para a testagem massiva como sendo a forma de seguir o rasto da propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus enquanto se certificam que as pessoas infectadas sejam isoladas e tratadas e os seus contactos testados. A \u00c1frica do Sul respondeu a esta necessidade destacando unidades de testagem m\u00f3veis e centros de rastreamento nas suas cidades mais densamente povoadas, onde cerca de 25% dos 57 milh\u00f5es de habitantes da na\u00e7\u00e3o vivem, reportou a Associated Press (AP).<\/p>\n<p>A grande densidade populacional, uma condi\u00e7\u00e3o comum de muitos centros urbanos de \u00c1frica, representa um desafio. O distanciamento social, uma t\u00e1ctica crucial na luta contra a COVID-19, \u00e9 virtualmente imposs\u00edvel nestes lugares. Fam\u00edlias numerosas, em muitos casos, partilham um \u00fanico quarto e as casas encontram-se muito pr\u00f3ximas umas das outras. A lavagem das m\u00e3os tamb\u00e9m \u00e9 um problema quando, \u00e0s vezes, centenas de pessoas s\u00e3o obrigadas a partilhar uma \u00fanica torneira. Todas estas condi\u00e7\u00f5es fazem com que a testagem seja crucial.<\/p>\n<p>\u201cEstas s\u00e3o zonas onde existe uma elevada concentra\u00e7\u00e3o de pessoas com HIV e TB, as quais est\u00e3o em risco de ter sintomas graves,\u201d disse \u00e0 AP o virologista de Durban, Denis Chopera, director executivo da Rede da \u00c1frica Subsaariana para a Pesquisa de Excel\u00eancia de TB\/HIV. \u201cEstas s\u00e3o zonas que podem rapidamente se tornar em pontos cr\u00edticos.\u201d<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul esperava realizar 30.000 testes de COVID-19 por dia at\u00e9 ao final de Abril de 2020. Isso a colocaria entre os melhores de \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cPossu\u00edmos infra-estrutura de testagem, hist\u00f3rico e experi\u00eancia de testagem sem precedentes no mundo,\u201d disse \u00e0 AP Francois Venter, do Instituto de Sa\u00fade Reprodutiva e HIV de Wits, na Universidade de Witwatersrand. \u00c9 uma oportunidade que n\u00e3o nos podemos dar ao luxo de desperdi\u00e7ar.\u201d<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul h\u00e1 muito tempo vem usando um teste de TB que produz resultados em poucas horas. O sistema, que extrai material gen\u00e9tico para obter resultados, levou ao desenvolvimento de um teste de COVID-19, reportou a AP. Esperava-se que a na\u00e7\u00e3o come\u00e7asse a utiliz\u00e1-lo na primavera. Esse teste \u00e9 muito mais r\u00e1pido do que os testes convencionais com recurso a zaragatoas nasofar\u00edngeas.<\/p>\n<p>\u201cIsso diminuir\u00e1 drasticamente o nosso tempo de testagem e as m\u00e1quinas menores poder\u00e3o ser colocadas em ve\u00edculos m\u00f3veis, que s\u00e3o ideais para a testagem comunit\u00e1ria,\u201d disse \u00e0 AP o Dr. Kamy Chetty, PCA do Servi\u00e7o Nacional de Laborat\u00f3rios de Sa\u00fade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19891\" aria-describedby=\"caption-attachment-19891\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1211441679_edit.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19891\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1211441679_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1211441679_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1211441679_edit-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1211441679_edit-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1211441679_edit-768x512.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/GettyImages-1211441679_edit-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19891\" class=\"wp-caption-text\">Um trabalhador da Cruz Vermelha do Qu\u00e9nia entrega desinfectande das m\u00e3os num dos bairros pobres de Nairobi para combater a propaga\u00e7\u00e3o da Covid-19. \u00c9 dif\u00edcil garantir-se o distanciamento social nestas zonas e \u00e1gua limpa para a lavagem das m\u00e3os pode ser escassa. AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>O NOVO DESAFIO DA \u00c1FRICA OCIDENTAL<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p>O v\u00edrus \u00c9bola deixou uma impress\u00e3o duradoira na Guin\u00e9-Conacri, Lib\u00e9ria e Serra Leoa. Todos esses tr\u00eas pa\u00edses estavam despreparados para o v\u00edrus mortal e a sua capacidade de resposta dependia amplamente da ajuda de outras na\u00e7\u00f5es de \u00c1frica e de outras partes. Contudo, quando se espalhou a not\u00edcia da COVID-19, as fortes liga\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o com a China levaram-na a responder cedo e com uma riqueza de previs\u00e3o e experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Dr. Mosoka Fallah, um veterano da pandemia de 2014 e respons\u00e1vel do Instituto Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica, que foi estabelecido aquando do surgimento do \u00c9bola, liderou a estrat\u00e9gia de prepara\u00e7\u00e3o para a COVID-19 na Lib\u00e9ria. Ele viu o potencial perigo quase que imediatamente, ao ter conhecimento de que 300 cidad\u00e3os de nacionalidade chinesa haviam chegado \u00e0 Lib\u00e9ria vindos da China, assim como 80 cidad\u00e3os da Lib\u00e9ria. Come\u00e7ou a comunicar com contrapartes na Serra Leoa e Guin\u00e9-Conacri num grupo de WhatsApp, reportou a revista <i>Time<\/i>. Falaram sobre rastreamentos em aeroportos, potenciais interdi\u00e7\u00f5es de voos e quarentenas. Isso foi em Janeiro de 2020, quando muitos pa\u00edses ainda n\u00e3o se tinham apercebido da potencial amea\u00e7a do novo v\u00edrus.<\/p>\n<p>Em finais de Janeiro, Fallah estava a trabalhar com Dr. Jerry Brown, que era o gestor de um dos maiores centros de tratamento do \u00c9bola na Lib\u00e9ria. Eles trabalharam para organizar forma\u00e7\u00f5es a fim de ajudar o pessoal do hospital a reconhecer os sintomas da COVID-19, reportou a <i>Time<\/i>. A OMS ajudou-os a adquirir kits de testagem e eles levaram a cabo uma forma\u00e7\u00e3o para colaboradores sobre como realizar um teste do v\u00edrus. Isso permitiu que a Lib\u00e9ria realizasse todos os testes de COVID-19 no pa\u00eds, uma capacidade que n\u00e3o foi poss\u00edvel durante a crise do \u00c9bola. Fallah tamb\u00e9m recuperou as esta\u00e7\u00f5es de lavagem das m\u00e3os que estavam espalhadas por todos os lugares durante o surto do \u00c9bola.<\/p>\n<p>A Lib\u00e9ria confirmou o seu primeiro caso no dia 16 de Mar\u00e7o de 2020. Uma semana depois, oficiais declararam uma emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica e pediram ajuda ao Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Popula\u00e7\u00e3o (UNFPA). Os mesmos oficiais urgentemente recrutaram, formaram e empregaram rastreadores de contactos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil trabalhar como rastreador de contactos, especialmente quando ainda existe um elevado n\u00edvel de rejei\u00e7\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o a n\u00edvel da comunidade,\u201d disse o rastreador Octavius Koon.<\/p>\n<p>Dada a fraca capacidade no sector de cuidados de sa\u00fade durante o per\u00edodo do surto do \u00c9bola, as na\u00e7\u00f5es afectadas entenderam que era necess\u00e1rio existir uma comunica\u00e7\u00e3o eficaz para evitar a propaga\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o. Rumores podem sair rapidamente do controlo e fazer com que a popula\u00e7\u00e3o fique contra os que combatem a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Para combater a falta de confian\u00e7a durante a pandemia da COVID-19, o UNFPA recruta rastreadores de contacto das zonas mais afectadas e empregam-nos nas suas pr\u00f3prias comunidades.<\/p>\n<p>O pa\u00eds aprendeu uma li\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil com o surto do \u00c9bola sobre a import\u00e2ncia de edificar a confian\u00e7a entre os cidad\u00e3os. \u201cA queda vertiginosa nas infec\u00e7\u00f5es veio atrav\u00e9s da mudan\u00e7a comportamental do p\u00fablico em geral,\u201d disse \u00e0 ACSS Gyude Moore, um antigo conselheiro da ent\u00e3o Presidente Ellen Johnson-Sirleaf. \u201cE isso apenas aconteceu quando o envolvimento da comunidade e a confian\u00e7a passaram a ser uma parte essencial da resposta.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_20003\" aria-describedby=\"caption-attachment-20003\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS30640_edit.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20003\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS30640_edit.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS30640_edit.jpg 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS30640_edit-300x200.jpg 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS30640_edit-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS30640_edit-768x512.jpg 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/RTS30640_edit-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20003\" class=\"wp-caption-text\">Uma enfermeira mede a temperatura dum viajante no Aeroporto Internacional de Kotoka em Acra, Gana, em Janeiro de 2020.<br \/>REUTERS<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>O PAPEL DAS FOR\u00c7AS DE SEGURAN\u00c7A<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p>Uma das formas de edificar e manter a confian\u00e7a entre os civis \u00e9 certificando-se de que os representantes do governo \u2013 em particular, as for\u00e7as de seguran\u00e7a \u2013 se comportem de formas a respeitar os direitos do povo e observar o estado de direito. As na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica Ocidental aprenderam durante a crise de \u00c9bola que se deve tomar muito cuidado ao destacar as for\u00e7as policiais e militares em apoio a resposta contra uma pandemia. No passado, oficiais do governo destacaram for\u00e7as de seguran\u00e7a ao servi\u00e7o dos seus pr\u00f3prios regimes sem terem em conta os direitos civis. Essa hist\u00f3ria pode fazer a ideia de usar soldados armados para fazerem com que se respeite a quarentena algo problem\u00e1tico para os civis.<\/p>\n<p>Navegar com balan\u00e7o delicado de seguran\u00e7a e obedi\u00eancia civil pode ser dif\u00edcil para for\u00e7as tipicamente treinadas apenas para tarefas de campo de batalha. John Siko, director da consultoria de seguran\u00e7a Burnham Global, sediada em Dubai, disse \u00e0 Voz da Am\u00e9rica (VOA) que a maior parte dos militares de \u00c1frica n\u00e3o tem treinamento para manter a \u201cordem p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Algumas for\u00e7as do continente, tais como aquelas que possuem uma extensa experi\u00eancia de manuten\u00e7\u00e3o de paz, constru\u00edram vilas fict\u00edcias e utilizaram actores pagos a fim de testar a reac\u00e7\u00e3o dos soldados antes de serem destacados. \u201cExiste um grande desejo e necessidade de treinos de ordem p\u00fablica para certificar que os homens possam responder de uma forma que respeite os direitos humanos quando isso de facto acontecer\u201d, disse Siko \u00e0 VOA.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Sul, a na\u00e7\u00e3o com maior n\u00famero de casos de COVID-19 no continente, o lockdown foi em termos gerais bem-sucedido, mas alguns soldados e agentes da pol\u00edcia foram acusados de ter utilizado for\u00e7a excessiva. Em Mar\u00e7o, 2.820 soldados foram destacados para o lockdown. Na terceira semana de Abril, o Presidente Cyril Ramaphossa anunciou que destacaria um n\u00famero adicional de 73.180 tropas para fazer cumprir a ordem at\u00e9 ao dia 26 de Junho, de acordo com o The Defense Post.<\/p>\n<p>Em princ\u00edpios de Maio, soldados armados patrulhavam ruas e lojas da \u00c1frica do Sul, interpelando os cidad\u00e3os que estivessem fora de casa sem m\u00e1scaras faciais.<\/p>\n<p>Com esse tipo de presen\u00e7a militar \u00e9 essencial que os soldados demonstrem conten\u00e7\u00e3o e respeito pelos direitos humanos. Se n\u00e3o fizerem isso, podem realmente reduzir as hip\u00f3teses de as pessoas doentes procurarem por ajuda, escreveu o Dr. Shannon Smith, professor de pr\u00e1tica e director de abordagem na ACSS. As for\u00e7as de seguran\u00e7a devem ser destacadas com cuidado, de prefer\u00eancia sob a orienta\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00c9 muito prov\u00e1vel que a press\u00e3o social encoraje os civis a aderirem ao distanciamento social e a outros requisitos da pandemia, escreveu o Dr. Mark Duerksen, associado de pesquisa da ACSS.<\/p>\n<p>\u201cAs for\u00e7as militares e policiais seriam mais utilizadas para garantir a seguran\u00e7a de lugares como centros de testagem, hospitais e para trabalhadores do sector de sa\u00fade caso seja necess\u00e1rio\u201d, escreveu Duerksen num estudo da ACSS divulgado a 9 de Abril de 2020. \u201cPara al\u00e9m disso, a pol\u00edcia pode ser destacada para proteger mulheres e crian\u00e7as que estejam a sofrer viol\u00eancia dom\u00e9stica significativa enquanto permanecem confinadas em casa\u201d.<\/p>\n<p>O Presidente Ramaphosa, da \u00c1frica do Sul, pediu \u00e0s tropas sul-africanas que trabalham durante a pandemia para que fossem uma \u201cfor\u00e7a de bondade\u201d. Num artigo que escreveu para a <i>Time<\/i>, em Abril de 2020, Ramaphosa disse que a \u00c1frica est\u00e1 unida, provada no fogo dos surtos de doen\u00e7as e cheia de cientistas e pesquisadores de classe mundial.<\/p>\n<p>\u201cCom o apoio necess\u00e1rio, seremos capazes de edificar sobre aquilo que temos\u201d, escreveu Ramaphosa. \u201cSeremos capazes de refor\u00e7ar as infra-estruturas de sa\u00fade e os sistemas de sa\u00fade no continente. Seremos capazes de amenizar o impacto da inevit\u00e1vel queda econ\u00f3mica para a nossa popula\u00e7\u00e3o e seremos capazes de solucionar o problema desta pandemia, pa\u00eds por pa\u00eds\u201d.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EQUIPA DA ADF \u00c0\u00a0medida que uma nova doen\u00e7a respirat\u00f3ria assustadora alastrava-se na China Ocidental e eventualmente seguia em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, a \u00c1frica estava a lidar com v\u00e1rios outros surtos de doen\u00e7as infecciosas. 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