{"id":140331,"date":"2026-09-24T14:43:17","date_gmt":"2026-09-24T18:43:17","guid":{"rendered":"https:\/\/adf-magazine.com\/?p=140331"},"modified":"2026-09-28T09:25:50","modified_gmt":"2026-09-28T13:25:50","slug":"estradas-em-chamas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adf-magazine.com\/pt-pt\/2026\/09\/estradas-em-chamas\/","title":{"rendered":"Estradas Em Chamas"},"content":{"rendered":"<p>As<b> <\/b>estradas da \u00c1frica Ocidental s\u00e3o mais do que rotas comerciais. Tornaram-se a linha de frente das guerras em expans\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No Burquina Faso, uma emboscada terrorista em 2022 a uma coluna de 200 ve\u00edculos perto de Djibo matou dezenas de pessoas e desencadeou uma agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que culminou num golpe militar. Mais a leste, no Estado de Borno, na Nig\u00e9ria, os terroristas t\u00eam utilizado minas terrestres e dispositivos explosivos improvisados (DEI) para paralisar a auto-estrada Maiduguri-Monguno, isolando os mercados e for\u00e7ando os civis a refugiarem-se em \u201csuper-campos\u201d para se protegerem.<\/p>\n<p>Em toda a regi\u00e3o de Mopti, no Mali, os terroristas destru\u00edram pontes para isolar cidades inteiras. Em Outubro de 2025, os terroristas da regi\u00e3o de Sikasso destru\u00edram uma coluna de cerca de 50 cami\u00f5es-cisterna que tinham entrado no pa\u00eds vindos da Costa do Marfim.<\/p>\n<p>Estes incidentes revelam uma verdade crescente: a infra-estrutura de transportes da \u00c1frica Ocidental tornou-se um alvo e uma arma. Uma nova investiga\u00e7\u00e3o dos autores analisou mais de 58.000 eventos violentos registados pelo Projecto de Localiza\u00e7\u00e3o de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) em 17 pa\u00edses e mostra que quase dois ter\u00e7os de todos os ataques ocorrem a menos de um quil\u00f3metro de uma estrada. A an\u00e1lise sublinha at\u00e9 que ponto o controlo das estradas define agora o controlo do territ\u00f3rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_139939\" aria-describedby=\"caption-attachment-139939\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol.webp\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-139939\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol.webp\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol.webp 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol-300x200.webp 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol-1024x683.webp 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol-768x512.webp 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol-150x100.webp 150w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-patrol-450x300.webp 450w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-139939\" class=\"wp-caption-text\">Soldados burquinab\u00eas patrulham a estrada de Dori at\u00e9 ao campo de refugiados de Goudebo, em Fevereiro de 2020. O controlo das estradas conduz, em \u00faltima inst\u00e2ncia, ao controlo do territ\u00f3rio. \u00a0AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>AS ESTRADAS SANGRENTAS DA \u00c1FRICA OCIDENTAL<\/b><\/p>\n<p>As estradas s\u00e3o as art\u00e9rias do Estado. Transportam mercadorias, tropas e influ\u00eancia. Mas, em grande parte do Sahel e da sua periferia costeira, as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es das estradas e as redes escassas transformaram a mobilidade numa aposta perigosa.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia \u00e9 mais intensa ao longo dos principais corredores que ligam capitais fr\u00e1geis a fronteiras remotas. No Mali, a auto-estrada de 640 quil\u00f3metros que liga Mopti e Gao \u00e9 a rota mais mort\u00edfera do Sahel, marcada por mais de 400 incidentes violentos desde 2012. No noroeste angl\u00f3fono dos Camar\u00f5es, a estrada em torno de Bamenda registou mais de 700 ataques desde 2018, alimentados pela viol\u00eancia separatista.<\/p>\n<p>Estes pontos cr\u00edticos ilustram um padr\u00e3o mais amplo. A nossa investiga\u00e7\u00e3o revelou que a viol\u00eancia diminui drasticamente com a dist\u00e2ncia da rede rodovi\u00e1ria: 65% dos incidentes violentos ocorrem num raio de 1 quil\u00f3metro de uma estrada, mas apenas 4% ocorrem a mais de 10 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. A tend\u00eancia \u00e9 quase id\u00eantica, independentemente de a viol\u00eancia envolver emboscadas, dispositivos explosivos improvisados (DEI) ou ataques a civis.<\/p>\n<p>Parte da raz\u00e3o \u00e9 a log\u00edstica. As for\u00e7as de seguran\u00e7a e os civis t\u00eam de utilizar os mesmos corredores de transporte estreitos para deslocar pessoas e abastecimentos. Os terroristas exploram essa previsibilidade, lan\u00e7ando emboscadas ou colocando explosivos nas poucas rotas pavimentadas dispon\u00edveis. Entretanto, os Estados dependem desses mesmos corredores para reafirmar o controlo, criando um ciclo vicioso mortal que torna a pr\u00f3pria mobilidade uma fonte de inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p><b>CENTROS URBANOS NO INTERIOR REMOTO<\/b><\/p>\n<p>A geografia da viol\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 a mudar. Durante as fases iniciais das insurg\u00eancias na regi\u00e3o, os ataques concentravam-se em torno das cidades e das principais auto-estradas. Mas, \u00e0 medida que os grupos terroristas se expandiam, come\u00e7aram a atacar mais profundamente nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>Em 2011, quando a viol\u00eancia urbana atingiu o seu pico na \u00c1frica Ocidental, quase 90% de todos os ataques ocorreram a menos de 1 quil\u00f3metro de uma estrada. Em 2024, esse n\u00famero tinha diminu\u00eddo em cerca de um ter\u00e7o. Esta mudan\u00e7a reflecte o que chamamos de ruraliza\u00e7\u00e3o do conflito: um processo no qual grupos terroristas e rebeldes procuram ref\u00fagio e apoio em comunidades remotas, longe do alcance dos governos centrais.<\/p>\n<p>Mesmo com o avan\u00e7o das linhas de frente, no entanto, as rotas de transporte continuam a ser cruciais. Emboscadas rurais, minas terrestres e ataques a colunas continuam a depender do acesso rodovi\u00e1rio. Os grupos armados utilizam o controlo sobre os transportes para cobrar impostos aos comerciantes, impor bloqueios e restringir a circula\u00e7\u00e3o de civis.<\/p>\n<p>O cerco de Djibo, no norte do Burquina Faso, \u00e9 um dos exemplos mais evidentes. De 2020 a 2024, os terroristas cercaram a cidade, cortando todas as principais vias de acesso e impedindo a chegada de alimentos ou suprimentos m\u00e9dicos, excepto por via a\u00e9rea. Centenas de civis morreram, e o isolamento da cidade alimentou a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que desestabilizou a lideran\u00e7a do pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, os militantes t\u00eam utilizado bloqueios como t\u00e1ctica fundamental no centro, sul e oeste do Mali, afectando Kayes, Mopti, Nioro, S\u00e9gou, Sikasso e a capital, Bamako.<\/p>\n<figure id=\"attachment_139935\" aria-describedby=\"caption-attachment-139935\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-139935\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali.webp\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali.webp 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali-300x200.webp 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali-1024x683.webp 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali-768x512.webp 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali-150x100.webp 150w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-mali-450x300.webp 450w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-139935\" class=\"wp-caption-text\">Civis e militares no Mali e em todo o Sahel t\u00eam de utilizar as mesmas estradas, o que torna ambos vulner\u00e1veis aos terroristas, que frequentemente atacam perto de infra-estruturas. REUTERS<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>A NOVA GEOGRAFIA DO PERIGO<\/b><\/p>\n<p>Em toda a \u00c1frica Ocidental, v\u00e1rios corredores destacam-se como especialmente perigosos.<\/p>\n<p><b>Mali:<\/b> a RN16 entre Mopti e Gao e a RN17 que conduz \u00e0 fronteira com o N\u00edger s\u00e3o alvos frequentes de emboscadas e ataques com dispositivos explosivos improvisados (DEI). Um n\u00famero crescente de ataques ocorreu entre Bamako e a fronteira sul com a Costa do Marfim no corredor da RN7, ao longo do qual \u00e9 transportada a maior parte do petr\u00f3leo consumido no pa\u00eds.<\/p>\n<p><b>Burquina Faso:<\/b> a estrada N3 que liga Djibo e Dori, perto da fronteira com o Mali, continua a ser uma das mais perigosas, reflectindo anos de esfor\u00e7os terroristas para bloquear cidades-chave.<\/p>\n<p><b>Nig\u00e9ria:<\/b> as auto-estradas A3 e A4 que partem de Maiduguri, incluindo as rotas para Bama e Damaturu, sofreram centenas de ataques, com militantes a utilizarem bombas \u00e0 beira da estrada e emboscadas m\u00f3veis.<\/p>\n<p>De acordo com a nossa investiga\u00e7\u00e3o, estas zonas correspondem estreitamente \u00e0s \u00e1reas onde o controlo estatal \u00e9 mais fraco e onde a acessibilidade dos transportes \u00e9 mais prec\u00e1ria. A escassez de infra-estruturas agrava a inseguran\u00e7a. Com apenas algumas estradas vi\u00e1veis ligando as principais cidades, um \u00fanico bloqueio ou uma ponte destru\u00edda pode isolar regi\u00f5es inteiras.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>EMBOSCADAS E EXPLOSIVOS IMPROVISADOS<\/b><\/p>\n<p>O aumento das emboscadas tem sido uma das evolu\u00e7\u00f5es mais marcantes nos muitos conflitos do Sahel. Entre 2000 e 2011, foram registadas menos de 60 emboscadas em toda a regi\u00e3o. Em 2023, esse n\u00famero tinha aumentado para mais de 260 por ano.<\/p>\n<p>Os grupos terroristas utilizam emboscadas n\u00e3o s\u00f3 para matar soldados e apreender armas, mas tamb\u00e9m para semear o medo e perturbar a log\u00edstica militar. Os ataques, muitas vezes, ocorrem em zonas pouco povoadas, onde as colunas circulam lentamente e a visibilidade \u00e9 reduzida. No Mali, uma emboscada realizada em 2024 por rebeldes Tuaregues matou mais de 100 soldados malianos e mercen\u00e1rios do Grupo Wagner perto de Tin Zaouatine, junto \u00e0 fronteira com a Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>Os DEI constituem uma outra amea\u00e7a crescente. Como s\u00e3o normalmente colocados perto de estradas, os DEI s\u00e3o um indicador de qu\u00e3o de perto a viol\u00eancia acompanha os corredores de transporte. Desde 2021, o Burquina Faso e o Mali t\u00eam sofrido, cada um, mais de 100 incidentes com DEI anualmente, muitos dos quais visando colunas militares ou humanit\u00e1rias. O impacto vai al\u00e9m das v\u00edtimas imediatas. As minas e os explosivos impedem os agricultores de cultivarem os seus campos e os comerciantes de utilizarem as estradas regionais, aprofundando o isolamento econ\u00f3mico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_139931\" aria-describedby=\"caption-attachment-139931\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-139931\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street.webp\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"715\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street.webp 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street-300x199.webp 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street-1024x678.webp 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street-768x508.webp 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street-150x99.webp 150w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/roads-kids-street-450x298.webp 450w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-139931\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as atravessam uma rua em Damasak, no estado de Borno, na Nig\u00e9ri. \u00a0AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>QUANDO AS ESTRADAS SE TORNAM ARMAS<\/b><\/p>\n<p>Para os terroristas, as estradas s\u00e3o mais do que alvos. Tamb\u00e9m s\u00e3o ferramentas de controlo. Em grande parte do Sahel, grupos armados erguem postos de controlo para tributar comerciantes e monitorar os movimentos da popula\u00e7\u00e3o. Um \u00fanico bloqueio de estrada pode tornar-se um posto alfandeg\u00e1rio em miniatura, um local de propaganda ou um ponto de emboscada.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o do Lago Chade, tais t\u00e1cticas obrigaram as for\u00e7as nigerianas, em 2019, a consolidar as tropas em super-campos fortificados, cedendo vastos territ\u00f3rios rurais aos insurgentes. Din\u00e2micas semelhantes s\u00e3o vis\u00edveis em todo o Chade e N\u00edger, onde militantes exploram a rede rodovi\u00e1ria limitada para dominar corredores-chave.<\/p>\n<p>Por vezes, grupos terroristas destroem deliberadamente pontes e passagens hidr\u00e1ulicas para isolar comunidades ou punir popula\u00e7\u00f5es consideradas como cooperantes com o governo. No centro do Mali, duas pontes destru\u00eddas em meados de 2021 isolaram aldeias inteiras em Mopti e Bandiagara durante mais de um ano, obrigando as Na\u00e7\u00f5es Unidas a financiar a reconstru\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. As novas pontes s\u00f3 foram conclu\u00eddas em Dezembro de 2022.<\/p>\n<p>Estes actos de destrui\u00e7\u00e3o sublinham o poder simb\u00f3lico e estrat\u00e9gico das infra-estruturas de transporte. O controlo sobre quem pode se deslocar, para onde e a que custo tornou-se um elemento central da autoridade pol\u00edtica nas guerras da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>O PARADOXO DE INFRAESTRUTURAS E SEGURAN\u00c7A<\/b><\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o aponta para um paradoxo. As mesmas estradas que possibilitam o poder do Estado tamb\u00e9m o exp\u00f5em. Em toda a regi\u00e3o, as for\u00e7as governamentais e os civis dependem de infra-estruturas limitadas, enquanto os terroristas exploram essa depend\u00eancia para infligir danos a baixo custo. Isso permite aos terroristas enfraquecer continuamente as capacidades das for\u00e7as governamentais e minar a confian\u00e7a p\u00fablica nos regimes no poder, enquanto contornam a necessidade de lan\u00e7ar ataques directos contra as principais cidades.<\/p>\n<p>Melhorar a seguran\u00e7a na \u00c1frica Ocidental exigir\u00e1, portanto, investir n\u00e3o s\u00f3 em tropas, mas tamb\u00e9m em transportes. Expandir e manter redes rodovi\u00e1rias pode reduzir o isolamento, facilitar o com\u00e9rcio e permitir respostas militares e humanit\u00e1rias mais r\u00e1pidas. Como observa o Clube do Sahel e da \u00c1frica Ocidental, da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico, a falta de transportes acess\u00edveis continua a ser um dos maiores obst\u00e1culos \u00e0 seguran\u00e7a e ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>Sessenta anos ap\u00f3s a independ\u00eancia, vastas \u00e1reas da regi\u00e3o ainda carecem de estradas pavimentadas que as liguem \u00e0s capitais nacionais. Esta aus\u00eancia faz com que as popula\u00e7\u00f5es se sintam abandonadas e proporciona terreno f\u00e9rtil para a rebeli\u00e3o. Enquanto o isolamento persistir, os insurgentes continuar\u00e3o a explorar a geografia da neglig\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_139927\" aria-describedby=\"caption-attachment-139927\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-139927\" src=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block.webp\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block.webp 1080w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block-300x200.webp 300w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block-1024x683.webp 1024w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block-768x512.webp 768w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block-150x100.webp 150w, https:\/\/adf-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/road-block-450x300.webp 450w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-139927\" class=\"wp-caption-text\">Soldados malianos operam um posto de controlo em Konna, 50 quil\u00f3metros a norte de Mopti. AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>A BATALHA PELA MOBILIDADE<\/b><\/p>\n<p>O controlo das estradas est\u00e1 a remodelar a geografia do poder na \u00c1frica Ocidental. Os conflitos da regi\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o travados apenas pelo territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m pela capacidade de deslocar-se atrav\u00e9s dele.<\/p>\n<p>Dos desertos do Mali \u00e0s florestas da Nig\u00e9ria, cada ataque a uma coluna ou ponte representa mais do que um golpe t\u00e1ctico. \u00c9 um ataque ao fr\u00e1gil tecido conjuntivo que une n\u00e3o apenas os Estados, mas tamb\u00e9m toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 que a pr\u00f3pria mobilidade seja assegurada, as estradas da regi\u00e3o ser\u00e3o linhas de vida e campos de batalha. <span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>SOBRE OS AUTORES: Steven M. Radil \u00e9 consultor de seguran\u00e7a internacional e director da GeoPublic Analytics LLC. Olivier Walther \u00e9 professor associado no Departamento de Geografia da Universidade da Fl\u00f3rida. Alexander Thurston \u00e9 professor associado na Escola de Assuntos P\u00fablicos e Internacionais da Universidade de Cincinnati.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As estradas da \u00c1frica Ocidental s\u00e3o mais do que rotas comerciais. Tornaram-se a linha de frente das guerras em expans\u00e3o na regi\u00e3o. No Burquina Faso, uma emboscada terrorista em 2022 a uma coluna de 200 ve\u00edculos perto de Djibo matou dezenas de pessoas e desencadeou uma agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que culminou num golpe militar. 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