Pandemia Agudiza a Crise da Educação na Nigéria

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EQUIPA DA ADF

Mesmo antes do início da COVID-19, a Nigéria tinha os números mais elevados do mundo em termos de crianças em idade escolar que não frequentavam a escola.

A pandemia veio piorar a situação.

As medidas do confinamento obrigatório para prevenir a propagação da pandemia reduziram a frequência de crianças nas escolas de todo o país, particularmente entre alunos de 15 a 18 anos de idade, de acordo com um estudo de 2021, do Banco Mundial. Para os alunos nigerianos nesta faixa etária, a frequência nas escolas não é gratuita nem obrigatória.

Durante a pandemia, muitas famílias nigerianas deixaram de enviar alunos mais velhos de volta para a escola para que eles pudessem ganhar dinheiro e apoiar a família. O estudo do Banco Mundial sugeriu que “essa interrupção [da educação] provavelmente seja a causa das desistências nas escolas.”

O acesso desigual às oportunidades educativas e uma falta de tecnologias para o ensino à distância exacerbaram os desafios de um sistema de ensino que já estava em crise, disse Habeeb Saleh, antigo director de programas do Kano Literacy and Mathematics Accelerator, um programa de aceleração de aprendizagens do Estado de Kano.

A perda de aprendizagem experimentada durante a COVID-19 tem uma possibilidade de ter um impacto a longo prazo sobre o “capital humano” daquele país, um grupo de indicadores de bem-estar e de educação importantes ligados ao crescimento económico.

“O impacto da COVID-19 sobre a prestação de serviços de saúde e de ensino pode ter consequências a longo prazo mais profundas para o desenvolvimento do capital humano da Nigéria,” comunicou o The Brookings Institution num relatório de 2022.

Cerca de 13,2 milhões de crianças nigerianas em idade escolar geralmente não frequentam a escola por causa da pobreza, factores religiosos e outros, incluindo a violência, de acordo com um relatório da Universidade de Londres, de Abril de 2020.

“Esperamos partilhar as lições aprendidas no programa de habilidades fundamentais e debater sobre abordagens sustentáveis para o futuro de modo a ajudar as crianças da Nigéria a recuperarem em termos de habilidades fundamentais de leitura e matemática,” disse Saleh numa reportagem do jornal britânico, The Guardian.

Os resultados preliminares da Avaliação Nacional da Aprendizagem, de 2020, demonstraram que mais de 55% de alunos da quarta classe não eram capaz de ler fluentemente nem compreender. No mesmo ano, um Levantamento de Dados do Ensino na Nigéria demonstrou que menos de 67% de alunos de 12 a 14 anos de idade eram capazes de ler pelo menos uma entre três palavras, enquanto apenas pouco mais de 67% de alunos da mesma faixa etária eram capazes de somar números com um único dígito, de acordo com o The Guardian.

O Director Nacional da TaRL (Teaching at the Right Level), Inyang Udo-Umoren, destacou a importância de fortalecer a compreensão das crianças em matéria de habilidades fundamentais.

“Acreditamos que, para que as crianças tenham bons resultados de aprendizagem, temos de melhorar e fortalecer a capacidade dos professores para garantir que os resultados de aprendizagem melhorem, os professores precisam de muito apoio de tutoria,” disse Umoren numa reportagem do The Guardian. “E esse apoio de tutoria parte do sistema do governo.”

A Nigéria aloca cerca de 7% do seu orçamento ao sector da educação, embora a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura recomende que 15% a 20% do orçamento de um país seja alocado à educação.

Em Janeiro, o governo comprometeu-se em aumentar o orçamento anual da educação da Nigéria em 50% nos próximos dois anos e em 100% até 2025, comunicou o UNICEF.

“Muitíssimas crianças nigerianas hoje não estão na sala de aulas — e aquelas que estão, muitíssimas delas não estão ao ter um ensino sólido que se possa traduzir em boas perspectivas para o seu futuro,” Peter Hawkins, representante do UNICEF na Nigéria, disse num comunicado de imprensa.

Os alunos nigerianos que enfrentam as mais elevadas barreiras tendem a ser raparigas, crianças com deficiência, crianças de agregados familiares de baixa renda, crianças das zonas rurais e crianças deslocadas por causa da violência e outras emergências, de acordo com o UNICEF.

“Devemos olhar para as comunidades — líderes, pais, professores e cuidadores — e juntos encontrarmos as melhores estratégias para garantir que todas as crianças sejam matriculadas nas escolas, tenham acesso ao ensino contínuo e garantir que elas possam sair com habilidades de qualidade que as equipem para um futuro próspero,” disse Hawkins.

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