COVID-19 Retarda a Educação das Raparigas Sul-Africanas

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EQUIPA DA ADF

Desde o ensino pré-escolar ao ensino primário e secundário, o impacto da COVID-19 sobre o sistema de ensino básico será sentido por muitos anos.

Na África do Sul, a pandemia reverteu 20 anos de ganhos feitos pelo Departamento de Ensino Básico (DBE), que afirma ter-se perdido um ano de aprendizagem.

Principalmente as raparigas foram seriamente afectadas pelo encerramento das escolas.

Um estudo recente envolveu 565 raparigas e mulheres jovens com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos.

“Mais da metade das jovens que tinham sido matriculadas no ensino não foram capazes de continuar com os seus estudos,” Zoe Duby, autora principal do estudo, escreveu num recente artigo para o The Conversation Africa. “Os motivos que levaram a isso incluem a falta de telemóveis ou de acesso à internet confiável e o facto de os agregados familiares enfrentarem insegurança alimentar.

“As raparigas que tinham maior probabilidade de experimentar interrupções do ensino foram aquelas que pertenciam a famílias pobres.”

Dezenas de milhares de raparigas sul-africanas não regressaram quando as escolas reabriram.

Com mais de 15 milhões de habitantes, a província de Gauteng registou um aumento em 60% de gravidezes de adolescentes desde o início da pandemia.

As Nações Unidas estimam que 23% das raparigas do continente não estão nas escolas primárias, em comparação com 19% dos rapazes. Dados do Banco Mundial indicam que cerca de quatro em cada 10 raparigas casam-se antes de completarem 18 anos de idade.

Os encerramentos das escolas também deixaram as raparigas susceptíveis à violência sexual por parte de familiares, vizinhos e membros da comunidade.

Um estudo de 2021 demonstrou que as desistências nas escolas da África do Sul triplicaram de cerca de 230.000 antes da pandemia para aproximadamente 750.000.

O UNICEF atribuiu o aumento ao impacto socioeconómico da COVID-19 sobre as famílias, afirmando que as crianças que vivem em ambientes rurais e urbanos informais foram as mais afectadas, com a pobreza dos agregados familiares a desempenhar um papel fundamental.

“Quando as crianças não são capazes de interagir com os seus professores e os seus colegas directamente, a sua aprendizagem sofre,” Directora-Executiva do UNICEF, Catherine Russell, disse num comunicado, em Maio de 2022. “Quando não são capazes de interagir com os seus professores e colegas em nenhuma circunstância, a sua perda de aprendizagem pode tornar-se permanente.

“Este aumento da desigualdade no acesso à aprendizagem significa que os riscos de educação se tornam o maior divisor e não o maior equalizador. Quando o mundo falha na educação das suas crianças, todos sofremos.”

Duby, uma investigadora de saúde pública sócio-comportamental, do Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul, disse que alguns participantes, no seu estudo de 2022, demonstraram resiliência educativa.

“Nem tudo foi tenebroso e sombrio,” escreveu. “Houve alguns raios de luz nas histórias das jovens.

“Algumas raparigas falaram sobre como elas encontraram formas de lidar com a situação, e com o uso de recursos à disposição e criatividade, tinham permanecido motivadas e concentradas. Isso ajudou a reduzir as interrupções no seu ensino.”

Martin Gustafsson, um investigador do Departamento de Economia, da Universidade de Stellenbosch, que também aconselha o DBE, está à procura de respostas nos resultados do estudo de 2021, intitulado”Progress in International Reading Literacy Study”, que avalia a capacidade de leitura de crianças a nível mundial e será divulgado em finais de 2022.

“Isso será muito importante para compreender o impacto da pandemia,” disse numa apresentação durante o encontro sobre os Estudos de Leitura nas Classes Iniciais de Indaba, no dia 9 de Junho. “Penso que, se os nossos resultados forem iguais aos que tivemos em 2016, ficaremos muito felizes.

“Com quase toda a certeza, não iremos ver a trajectória de melhorias [da educação da África do Sul] a continuar, por causa da pandemia.”

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