Ramificações Mais Recentes da Ómicron Impulsionam Uma Vaga Rápida e Menos Mortal na África do Sul

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EQUIPA DA ADF

Enquanto a quinta vaga de infecções pela COVID-19 da África do Sul vai diminuindo o seu impacto, os investigadores aprenderam uma lição fundamental da experiência: as novas subvariantes de uma variante podem impulsionar infecções tanto quanto as variantes completamente novas.

A quinta vaga da África do Sul que veio e foi num período de poucas semanas foi impulsionada pelas estirpes BA .4 e BA.5 da variante Ómicron da COVID-19. Botswana e África do Sul registaram a primeira estirpe da Ómicron em Novembro de 2021.

Meses depois do aparecimento inicial da Ómicron, a decisão da África do Sul de colocar um fim a virtualmente todas as restrições da pandemia permitiu a propagação da Ómicron pela população. A transmissão da COVID-19 leva a novas versões, uma vez que o vírus realiza mutações quando passa de um hospedeiro para o outro.

As subvariantes BA.4 e BA.5 ganharam as suas designações por serem a quarta e a quinta ramificações genéticas provenientes da variante Ómicron original. A BA.4 apareceu na província de Limpopo, em Janeiro. A BA.5 apareceu na província de KwaZulu-Natal, em Fevereiro.

As duas estirpes propagaram-se rapidamente pela população da África do Sul, partindo de 1% dos testes no início do ano para 40% (BA.4) e 20% (BA.5) até finais de Abril. Até finais de Maio, elas em conjunto representavam 90% das amostras testadas. As maiores concentrações foram nas províncias populosas de Gauteng e KwaZulu-Natal.

Pesquisas demonstraram que a BA.4 e a BA.5 possuem as mesmas mutações nas proteínas spike que permitem que o vírus “destranque” e infecte células saudáveis. Uma destas mutações também esteve presente na variante Delta.

O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças registou as variantes da Ómicron em 48 países-membros desde o início do ano.

Embora mais de 95% de sul-africanos tenham alguma forma de imunidade da COVID-19, a BA.4 e a BA.5 demonstraram ser capazes de vencê-la. A imunidade enfraquecida pode ser a razão para um aumento nas infecções por BA.4 e BA.5, de acordo com Houriiya Tegally, especialista em bioinformática no Centro de Resposta e Inovação Epidémica da África do Sul e autora principal de um estudo das novas subvariantes.

“Todos pensavam que apenas as novas variantes seriam capazes de causar novas vagas, mas agora estamos a ver que a Ómicron pode fazê-lo,” disse Tegally à revista Nature.

A Dra. Katelyn Jetelina, que escreve para o blog “O Seu Epidemiologista Local” descreveu a mudança da estirpe original da Ómicron para a actual situação, com a BA.4 e a BA.5 a dominarem “a batalha da Ómicron.”

A África do Sul passou pela batalha no início deste ano, mas outros países, incluindo Portugal e EUA, estão envolvidos nela agora, escreveu no seu boletim informativo, Substack.

“As subvariantes BA.4/5 são particularmente boas em escapar aos anticorpos e reinfectar pessoas anteriormente infectadas com a Ómicron,” escreveu Jetelina.

Devido a variações nos níveis de imunidade da população e nos esforços de saúde pública, o impacto de BA.4 e BA.5 pode ser muito diferente da experiência da Africa do Sul, escreveu Jetelina.

Na África do Sul, as subvariantes BA.4 e BA.5 produziram números muito menores de infecções, internamentos e mortes do que qualquer versão anterior da COVID-19. Esta continuou a ser uma tendência vista desde que a variante Beta apareceu, em finais de 2020 — cada vaga seguinte foi mais fraca do que a antecedente.

Deste modo, os estudos da Ómicron demonstraram que continua a ser tão mortal para pessoas sem imunidade como com qualquer outra variante.

Para além disso, a BA.4 e a BA.5 são cerca de quatro vezes mais capazes do que outras estirpes da Ómicron de vencerem a resistência criada pela imunidade natural ou adquirida, de acordo com investigadores da Universidade de Columbia.

“Estas novas subvariantes da Ómicron foram detectadas em todo o mundo, não obstante estejam em pequenos níveis actualmente,” escreveram os investigadores. “Contudo, as suas trajectórias de crescimento nos EUA e na África do Sul indicam uma vantagem significativa de transmissão que irá provavelmente resultar em maior expansão.”

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