Nigéria Oferece Muitas Lições Sobre a COVID-19

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EQUIPA DA ADF

A bordagem da Nigéria na gestão da pandemia ofereceu aos especialistas muito por discutir. O país mais habitado do continente está a receber elogios e críticas pela sua resposta à COVID-19.

A Nigéria registou 256.148 casos de COVID-19 e 3.143 mortes desde o dia 27 de Fevereiro de 2020, de acordo com o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças. Embora estes números relativamente baixos de casos possam ser parcialmente explicados pela escassez de testes — até ao dia 5 de Junho, a Nigéria tinha administrado 5.198.572 testes — a fraca taxa de mortalidade do continente também fez com que houvesse muita análise internacional.

Recentes estudos de sangue no continente demonstraram que até 65% da população africana já esteve infectada com a COVID-19.

Na Nigéria, a maior parte do estudo esteve centrada na resposta do governo e na capacidade do seu sistema de prestação de cuidados de saúde.

O virologista e conselheiro do governo nigeriano, Oyewale Tomori, acredita que a resposta do seu país e o desempenho das autoridades sanitárias oferecem uma mistura de coisas.

“A primeira coisa que a COVID fez foi expor as fraquezas do nosso sistema de saúde,” disse numa entrevista do dia 18 de Maio, para a revista online Nature Africa, publicada pela revista científica, Nature.

“Estas são algumas das coisas sobre a nossa planificação que precisamos analisar. Teremos realmente planificado adequadamente? De quantos laboratórios precisamos? Não teríamos conseguido com menos e melhorado o acesso dos Estados aos laboratórios?”

Em retrospectiva, Tomori acredita que os confinamentos obrigatórios e os encerramentos das escolas na Nigéria foram desnecessários. Mas o seu maior ganho destas respostas do governo é advogar para que os países africanos padronizem as suas respostas à pandemia para as suas próprias taxas de infecção, demografia e seus sistemas de prestação de cuidados de saúde.

O Centro de Controlo de Doenças da Nigéria (NCDC) marcou dois anos da sua resposta à COVID-19 com um artigo que avalia o seu desempenho, destacando os sucessos e perspectivando o futuro.

A Nigéria criou centros de tratamento de doenças contagiosas, laboratórios moleculares e centros de operações de emergência de saúde pública em cada Estado. O NCDC liderou a formação de mais de 40.000 profissionais de saúde em matéria de controlo e prevenção de infecções e concluiu a digitalização do sistema de vigilância de doenças contagiosas daquele país.

O NCDC também forneceu equipamento de prestação de cuidados de extrema importância aos hospitais enquanto garantia a provisão regular de testes e materiais de tratamento.

“Apesar deste progresso, é essencial que estes investimentos em infra-estruturas de saúde sejam mantidos mesmo depois da COVID-19,” afirmou o NCDC, no dia 28 de Fevereiro de 2022. “A nossa prioridade continua a ser trabalhar com as instituições do governo relevantes e com os nossos parceiros para aprender lições da pandemia e reconstruir melhor.”

Tomori, o antigo presidente da academia nigeriana de ciências que ajudou a lutar contra a pólio e o Ébola na região, alerta que o continente deve preparar-se para futuras pandemias.

“Espero que estejamos a aprender disso [resposta à COVID-19],” disse. “Mas, infelizmente, muitos dos países africanos, logo que a epidemia acaba, esquecemos todas as lições que aprendemos. E depois quando vem a sua próxima, começamos tudo de novo a partir de zero.”

É necessário que haja uma grande ênfase na vigilância viral em África, disse Tomori.

“Para estarmos livres de pandemias, deve haver vigilância eterna,” recomendou. “Não é algo em que ficamos de férias. Ficamos de férias no que diz respeito à vigilância. Não podemos nos atrever a fazer isso.

“A segurança de saúde global está ancorada na segurança de saúde nacional. As epidemias não começam em todo o mundo ao mesmo tempo. Começa a partir de um lugar. Sendo assim, cada país deve preparar-se [como se] a pandemia fosse começar a partir de si.”

Da mesma forma, o Secretário-Executivo da Academia Nigeriana de Ciências, Doyin Odubanjo, deseja ver o continente a priorizar a força laboral da saúde da linha da frente como um aspecto de extrema importância da preparação para a pandemia.

“A força laboral da saúde na Nigéria, e de facto em África, deve ser vista como sendo extremamente importante para o desenvolvimento nacional,” disse ele à revista online, The Conversation Africa. “Devem ser implementadas melhores estratégias para os reter. Deve haver melhores pacotes de acção social para os profissionais de saúde.

“Mesmo países com melhor força laboral da saúde para os rácios populacionais, em pouco tempo, ficaram sobrecarregados e agora irão repor ou refortalecer os seus sistemas de saúde, buscando da força laboral subvalorizada de lugares como a África. Devemo-nos proteger contra isso.

“É altura de construirmos estrategicamente, criar sistemas fortes que também geram confiança para a nossa população.”

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