Africa CDC Expande Campanha de Testes e Rastreamento de Infecções pela COVID-19

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EQUIPA DA ADF

Os líderes de saúde pública de África estão a expandir os seus esforços a nível continental para testar a exposição das pessoas à COVID-19 a fim de rastrear o movimento e a evolução do vírus.

Dr. John Nkengasong, director do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) descreve a campanha como sendo a “versão 2.0” da Parceria para Acelerar a Testagem (PACT) daquela agência, um programa lançado em Agosto de 2020, numa altura em que a pandemia assolava o mundo.

“A testagem é a ferramenta número um para a luta contra esta pandemia, porque sem ela estaremos a lutar cegamente,” disse Nkengasong num comunicado. “Também precisamos de rastrear as pessoas infectadas, isolá-las e tratá-las. Ao apoiar os Estados-Membros da União Africana para fazer mais testes e rastreamentos a fim de identificar e isolar pessoas infectadas, seremos capazes de controlar o vírus e limitar a transmissão.”

O programa PACT expandido recebeu uma subvenção de 12 milhões de dólares da Fundação Rockefeller, sediada nos EUA, no início deste ano.

Ao aumentar a testagem, o Africa CDC espera expandir as suas capacidades de detectar surtos de COVID-19 antes de estes alcançarem proporções epidémicas — para “aniquilá-los” antes de estes crescerem, disse Nkengasong.

Para alcançar esse objectivo, o Africa CDC está a formar uma rede de profissionais de saúde da comunidade em todo o continente para realizarem testes e fazerem a vigilância. Também está a reforçar o fornecimento de testes de diagnóstico rápido para detectar infecções.

Até agora, o Africa CDC já enviou 18.000 profissionais de saúde da comunidade para fazerem o trabalho.

Desde que a pandemia começou, os países africanos já registaram aproximadamente 82,2 milhões de testes. Cinco países, nomeadamente Egipto, Etiópia, Marrocos, Nigéria e África do Sul, representam metade desses testes, com a África do Sul sozinha tendo realizado 19,4 milhões de testes.

A Europa, em contrapartida, realizou mais de 1,3 bilhões de testes desde que a pandemia começou.

Expandir a testagem de África significa expandir o seu fornecimento de testes. Isso já está a acontecer, uma vez que os laboratórios de Marrocos e de Senegal estão a criar testes de diagnóstico rápido que podem detectar a exposição à COVID-19 em cerca de 15 minutos a partir de uma zaragatoa nasal. O Uganda produziu o seu próprio teste rápido que utiliza amostras de sangue para detectar anticorpos depois de uma infecção pela COVID-19.

Os testes baseados em antigénio detectam proteínas associadas ao vírus. Os testes baseados em anticorpos identificam componentes-chave da resposta imunológica desencadeada por uma infecção.

Para além disso, o Africa ACDC recentemente credenciou especialistas de 16 países para analisarem a genética de amostras de vírus para identificar estirpes específicas.

Nkengasong sugeriu que os testes de diagnóstico rápido fossem simples o suficiente para que as pessoas pudessem realizá-los por si próprias, utilizando uma zaragatoa nasal, depois acrescentar reagentes ao kit de testagem. Kits de testagem semelhantes já estão a ser utilizados para testar a exposição ao HIV.

“Vamos aprender da lição do HIV/SIDA e colocar a testagem nas mãos da comunidade,” disse Nkengasong.

Os especialistas em matéria de saúde pública afirmam que o aumento dos testes provavelmente venha a aumentar o número de casos registados. África já registou mais de 8,6 milhões de casos desde o início de 2020 para uma população de cerca de 1,3 bilhões — uma taxa drasticamente baixa em relação a outras regiões do mundo. Os pesquisadores acreditam que o baixo número de testes realizados no continente é uma das razões para que isso aconteça.

Numa altura em que o Africa CDC inicia a sua campanha para o aumento dos testes da COVID-19, o seu primeiro desafio é reverter o actual declínio na testagem, que coincidiu com a queda no número de casos ao mesmo tempo que a terceira vaga também reduziu.

“A chave é que nós devemos colocar isso nas mãos da comunidade, como um autoteste,” disse Nkengasong. “Formamos tantas pessoas para fazer estes testes, será fácil.”

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