Profissionais de Saúde Africanos Recuperam-se do Estresse Relacionado com a Pandemia

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EQUIPA DA ADF

Cerca de 70% dos profissionais de saúde de Gana e do Quénia estão a enfrentar esgotamento e estresse à medida que perdem pacientes (e colegas) para a COVID-19, demonstra um novo estudo.
Perto de 62% dos profissionais de saúde em ambos os países afirmaram que não estavam preparados para as exigências emocionais e físicas trazidas pela pandemia, enquanto aproximadamente 1 em cada 3 afirmaram estar insatisfeitos com o seu trabalho, de acordo com o estudo feito pela revista de pesquisa PLOS Global Public Health.

“Dada a já precária posição do pessoal de saúde em África, se não forem feitos esforços para melhorar a satisfação no emprego entre os profissionais de saúde, a pandemia pode piorar quer por situações de profissionais de saúde abandonarem o seu trabalho ou apresentarem fraco desempenho,” Patience Afulani, autora principal do estudo e professora assistente de epidemiologia, na Universidade de Califórnia, disse numa reportagem da SciDev.net, uma página de notícias da internet sobre ciência e tecnologia, sem fins lucrativos.

O estudo da PLOS Global observou que a insatisfação no emprego entre os profissionais de saúde de toda a África Subsariana estava em alta antes de esta ser atingida pela COVID-19.

A pandemia exacerbou a situação. Os profissionais de saúde enfrentam os maiores riscos de serem infectados e temem ficar infectados e contaminar os seus familiares. A pandemia também trouxe maiores cargas horárias, estresse causado pela falta de equipamento de protecção individual (EPI) e problemas de saúde mental, de acordo com o estudo da PLOS Global.

Os sistemas de saúde de países como Gana e Quénia estiveram sobrecarregados antes da pandemia. O Gana possui menos de uma cama de hospital por cada 1.000 pessoas e o Quénia cerca de uma cama por 1.000 pessoas. Ambos os países possuem menos de dois médicos por cada 10.000 pessoas, de acordo com a PLOS Global.

A resposta do Quénia à pandemia foi prejudicada pela corrupção. Uma investigação ordenada pelo presidente Uhuru Kenyatta, em Agosto de 2020, concluiu que o país perdeu 70,4 milhões de dólares devido a um mau uso de fundos, noticiou a Human Rights Watch. Aquele dinheiro podia ter ajudado a fornecer aos profissionais de saúde equipamento adequado de protecção, melhor as capacidades de testagem e outras medidas de prevenção.

“As autoridades quenianas deviam tomar medidas urgentes para garantir que os profissionais de saúde da linha da frente da luta contra a COVID-19 sejam capazes de trabalhar num ambiente que não os colocaria em elevados riscos sem necessidade,” Otsieno Namwaya, director da Human Rights Watch para a África Oriental, disse na página da internet da organização, em finais de Outubro.

Os profissionais de saúde quenianos entrevistados pela Human Rights Watch disseram que estavam sobrecarregados, com estresse e não se sentiam apoiados pelas autoridades, porque foram recrutados menos de 1.000 enfermeiros com contratos de um ano e não foi recrutado nenhum médico novo.

“Estávamos a ser pagos 10.000 xelins quenianos (100 dólares) por mês, que ficamos sem receber por seis meses,” disse um enfermeiro à Human Rights Watch. “As autoridades não nos deram subsídio de risco, nem seguros, nem cobertura de saúde, nem EPIs e depois fomos colocados na zona de emergência, onde estávamos mais expostos.”

Uma enfermeira ganesa, Evelyn Narki Dowuona, que trabalha no Hospital Municipal de Ga East, em Acra, disse à Organização Mundial de Saúde (OMS), em Julho de 2020, que, apesar de o hospital dela ter seguido todos os protocolos de segurança, ainda assim, ela está preocupada com a segurança dela e dos seus colegas.

“Sempre que se ouve falar sobre um outro colega do seu país que foi infectado ou que esteja a morrer por causa desta pandemia, isso realmente causa uma grande preocupação e tristeza,” disse Dowuona, num artigo da página da internet da OMS. “É um grande golpe. Pergunta-se a si próprio se são os profissionais de saúde que estão a ser infectados ou a morrer, quem irá fazer a gestão da pandemia. É muito triste.”

As taxas de infecção pela COVID-19 têm vindo a reduzir de forma constante no Gana e no Quénia desde Agosto. De acordo com o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, o Quénia registou mais de 254.400 casos de COVID-19 e 5.325 mortes, enquanto o Gana registou mais de 130.700 casos de coronavírus e mais de 1.200 mortes, até ao dia 18 de Novembro.


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