Líderes Procuram Estimular as Economias Africanas Atingidas pela COVID-19

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EQUIPA DA ADF

Aumento de preços, cadeias de fornecimento lentas e dívidas enormes. Tudo isso prejudicou as economias do mundo inteiro, mas o continente africano foi o mais atingido.

Um novo relatório do Fundo Monetário Internacional concluiu que se prevê que a recuperação económica da África Subsaariana, depois da COVID-19, seja a mais lenta do mundo em 2021. Embora se espere que a economia da região aumente em 3,7 porcento este ano, a taxa para o resto do mundo é superior a 6%, de acordo com o FMI. Em 2020, a economia da África Subsariana retraiu-se em 1,9%, o pior desempenho que a região já registou.

Analistas afirmam que as medidas para conter a pandemia, como os confinamentos obrigatórios, os toques de recolher obrigatório e as restrições de viagens prejudicaram as economias enquanto as dívidas aumentavam. O aumento do preço dos produtos alimentares e a perda de rendimentos para os agregados familiares também exacerbaram os desafios da segurança alimentar da região.

“Enquanto a África Subsaariana navega por uma pandemia persistente com repetidas vagas de infecções, um regresso à normalidade estará longe de ser fácil,” Abebe Aeemro Selassie, director do Departamento Africano do FMI, disse num comunicado de imprensa.

Para acelerar o crescimento económico, os políticos devem lidar com as necessidades de despesas para o desenvolvimento, conter as dívidas públicas e “mobilizar os rendimentos dos impostos em circunstâncias onde as medidas adicionais geralmente não são vistas com bons olhos,” disse Selassie.

“Satisfazer estes objectivos nunca foi fácil e requer um acto difícil de equilibração,” disse Selassie. “Para a maior parte dos países, as prioridades políticas urgentes incluem a priorização das despesas, a mobilização de rendimentos, a melhoria da credibilidade e a melhoria do ambiente de negócios.”

Em toda a África, uma recuperação económica mais rápida pode ser alcançada através da implementação de políticas que impulsionam o crescimento das grandes empresas e a melhoria da produtividade agrícola, de acordo com uma análise feita pela Brookings Institution, uma organização sem fins lucrativos que lida com políticas públicas.

Em 2020, o sector agrícola de África teve um melhor desempenho em relação a outros sectores da economia, continuando uma tendência de 20 anos, em que as taxas de crescimento anual do continente na área da produção agrícola foram as que registaram o crescimento mais rápido no mundo, de acordo com o relatório da Brookings, que argumentou que o crescimento do sector agrícola é crucial para a redução da pobreza.

“Mais importante do que isso, o sucesso de ambas estratégias pode melhorar as oportunidades de emprego em toda a África e fortalecer a redução da pobreza, numa altura em que o progresso nesses aspectos se encontra estagnado,” escreveu a instituição, em Outubro.

Alívio da Dívida

Em Agosto, o FMI anunciou que iria alocar 650 bilhões de dólares em reservas conhecidas como Direitos Especiais de Saque (DES) para ajudar a aliviar o fardo da dívida das economias em vias de desenvolvimento que mais foram atingidas pela pandemia.

Foi a maior alocação da história do FMI, a Directora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, disse num artigo da Africa Renewal, uma revista publicada pelas Nações Unidas.

Mas apenas 33,6 bilhões de dólares foram destinados a países africanos.

“Não é suficiente,” presidente francês, Emmanuel Macron, disse no artigo da Africa Renewal.

O presidente senegalês, Macky Sall, concordou, chamando o valor de uma “gota de água” para 55 países.

Mais tarde, Macron comprometeu-se em alocar a quota de DES, de 27,5 bilhões de dólares, da França para África e apelou que outros países fizessem o mesmo.

“Estamos prontos, e Portugal está pronto,” disse Macron na reportagem da Africa Renewal. “Devemos alcançar até 100 bilhões de dólares para África e juntos triplicarmos o valor de DES alocados ao continente.”

A cota de DES de Portugal é de 2,8 bilhões de dólares.

Macron também anunciou a criação da Aliança para o Empreendedorismo de África, que irá mobilizar 1 bilhão de dólares para apoiar pequenas e médias empresas. A subsecretária-geral da ONU, Vera Songwe, elogiou o gesto.

“Cerca de 70% a 80% das economias africanas são compostas de pequenas e médias empresas,” disse Songwe num artigo da África Renewal. “Estamos a falar de DES avaliados em bilhões de dólares, mas estes bilhões são eventualmente distribuídos para as pequenas empresas. Esse tipo de alianças pode ajudar a impulsionar o crescimento.”

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