COVID-19 Incentiva o Crescimento da Saúde em Linha na África Oriental

Reading Time: 2 minutes

EQUIPA DA ADF

A indústria da telesaúde estava a expandir-se em todo o mundo antes de a COVID-19 passar a ser um termo de destaque, mas a pandemia revelou o seu potencial.

Na África Oriental, historicamente uma região carente no que diz respeito a cuidados de saúde, a COVID-19 acelerou a adaptação de tecnologias digitais por parte de pacientes e provedores.

Em meio a um vírus mortal e contagioso, os benefícios da telesaúde, também conhecida como telemedicina e saúde em linha, são claros: limitar o contacto para os profissionais de saúde; permitir que os pacientes infectados, vulneráveis e em locais remotos recebam serviços mesmo estando no isolamento; e poupar dinheiro através da redução da necessidade de infra-estruturas físicas.

“A pandemia da COVID-19 criou uma explosão da telesaúde,” Mason Marks, da Universidade de Harvard, na área de ética de tecnologia e inovações biomédicas, disse durante um painel de debate virtual em Abril de 2021.

“Nos últimos 12 meses, houve uma explosão de provedores e de plataformas de tecnologia. Houve um relaxamento de certas restrições, e existem cada vez mais opções para pacientes que procuram cuidados através da telesaúde, quer em termos de tipos de cuidados que podem receber assim como de pessoas que podem prestar tais cuidados.”

Isso está a acontecer na África Oriental.

Babyl, um provedor de cuidados digitais no Ruanda, registou um aumento nas consultas diárias de cerca de 3.000, em Março de 2020, para mais de 5.000, em Agosto de 2021.

O provedor ugandês, Rocket Health, afirmou que as consultas através de telemóvel e vídeo aumentaram em 500% em 2020 e, até este momento, quadruplicaram este ano.

Um relatório de Agosto de 2021, feito por três empresas africanas de telecomunicações, previu um aumento de aproximadamente 70% na penetração de smartphones na África Subsaariana, até 2025.

Quarenta e um dos 54 países de África possuem uma estratégia de saúde digital, afirma o estudo, e o envolvimento de smartphones com serviços de saúde digitais está a aumentar exponencialmente.

Vincent Keunen, fundador e PCA da empresa belga-americana de saúde em linha, Andaman7, considera os desafios de infra-estruturas de saúde como uma oportunidade para os governos africanos, inovadores e investidores.

“Sabemos que existem problemas de infra-estruturas,” disse numa mesa redonda online, em Junho de 2021. “Existe uma falta de médicos e existem desigualdades muito grandes entre as cidades e as zonas rurais.

“A prestação de cuidados de forma remota pode realmente resolver esta situação.”

Keunen disse que os aplicativos móveis que funcionam offline podem ajudar, em locais com limitações de internet e de electricidade. Aclamou o advento do programa informático de texto e chat que recorre ao uso da inteligência artificial, estimando que é capaz de suportar 40% das necessidades de consultas e triagens “fáceis.”

Heather Peacock, uma profissional de marketing global de cuidados de saúde da Logitech, disse que menos de 1% dos cuidados eram providenciados de forma virtual antes da pandemia. O número aumentou significativamente para 14%, em 2020, e equilibrou-se em 7% a 8%, em 2021.

Aqueles números, disse, continuarão a aumentar.

“Ainda existem muitas perguntas por ser respondidas aqui, mas estamos a testemunhar um ritmo nunca antes visto,” disse ela, durante um webinar, no dia 25 de Agosto, na África do Sul.“Os governos de todo o mundo estão a utilizar os serviços de telesaúde para realmente alcançarem comunidades carentes.

“Está a preencher as lacunas da provisão de prestação de cuidados.”

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.