EUA Prometem 708 Milhões de Dólares para o Fabrico de Vacinas Contra a COVID-19 na África do Sul

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EQUIPA DA ADF

Os EUA anunciaram um plano de investimento de 708 milhões de dólares para ajudar a empresa farmacêutica sul-africana, Aspen Pharmacare, a produzir mais de 500 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 para as nações africanas, até finais de 2022.

O pacote de financiamento foi facilitado pela Corporação Financeira de Desenvolvimento dos EUA, o Banco Mundial, a Alemanha e a França. As vacinas produzidas pela Aspen serão entregues através da COVAX, o esforço global para a distribuição equitativa das vacinas, com apoio da União Africana, de acordo com uma reportagem da publicação de notícias online da África do Sul, News24.

“A curto prazo, vemos este investimento como uma resposta verdadeiramente viável à necessidade urgente no continente de vacinas contra a COVID,” disse a coordenadora do Departamento de Estado dos EUA para a resposta global à COVID-19, Gayle Smith, à Voz da América. “E também, o mais importante, como investimento a longo prazo na capacidade do continente de aumentar a sua própria produção desses bens essenciais para que haja uma maior disponibilidade e resiliência ao longo do tempo. Portanto, é um investimento a curto prazo com uma visão de longo prazo.”

As autoridades anunciaram o investimento no início de Julho, quando África enfrentava uma carência de vacinas contra a COVID-19 e ficou muito aquém dos objectivos da sua campanha de vacinação. Pouco mais de 1% da população de 1,3 bilhões de pessoas do continente foi totalmente vacinada até meados de Julho, e várias nações estavam a passar por um aumento acentuado do número de infecções.

“Estamos muito distantes do nosso objectivo,” disse Dr. John Nkengasong, director do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, à The Associated Press. “Não queremos ser vistos como o continente da COVID. … [Na Europa] os estádios estão cheios de jovens aos gritos e abraços. Não podemos fazer isso em África.”

Em Maio, o filantropo norte-americano, Dr. Patrick Soon-Shiong, um cirurgião que trabalha com transplantes e homem de negócios, proprietário do jornal Los Angeles Times, anunciou que irá oferecer 210 milhões de dólares para ajudar na produção de vacinas contra a COVID-19 na sua terra natal, África do Sul.

Soon-Shiong, que também é responsável pela gestão da ImmunityBio, uma empresa de biotecnologia que desenvolve produtos que fortalecem os sistemas imunológicos das pessoas, disse que a sua empresa e a sua fundação filantrópica doariam o dinheiro. O montante será usado para providenciar tecnologia de produção de vacinas e terapias biológicas que podem ser exportadas pelo continente.

Existem menos de 10 distribuidores de vacinas em África, sediados no Egipto, Marrocos, Senegal, África do Sul e Tunísia. Mas a maior parte destas empresas lida com o empacotamento e a rotulagem, e não com o fabrico.

Quando as entregas de vacinas para África, através da COVAX, ficaram praticamente paralisadas em Maio — depois de o Instituto Serum, da Índia, ter desviado doses para uso doméstico — o Senegal e o Ruanda anunciaram planos para impulsionar a produção de vacinas contra a COVID-19.

Na altura, o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, disse aos responsáveis da Organização Mundial de Saúde que a única forma para garantir a equidade da vacina era produzir mais vacinas onde elas são necessárias. Em Julho, o Ruanda assinou uma parceria no valor de 3,6 milhões de dólares com a União Europeia, para modernizar a capacidade laboratorial do país e atrair investidores para produzir vacinas contra a COVID-19.

Kagame disse que o Ruanda deseja produzir vacinas, utilizando a tecnologia do ARN mensageiro (mARN), que é usada nas principais vacinas do Ocidente.

“Para o Ruanda, em particular, fizemos parcerias com algumas indústrias que se estão a especializar na tecnologia de mARN,” disse Kagama numa reportagem do The East African. “Então, já discutimos essa tecnologia com pessoas que irão ajudar no financiamento, e penso que, dentro de poucos meses, vamos ouvir uma história diferente.”

No início de Julho, as autoridades senegalesas disseram que a construção de uma nova fábrica de vacinas deverá começar este ano. A unidade fabril, gerida pelo Instituto Pasteur de Dakar, pode produzir 25 milhões de doses por mês, até ao final de 2022, noticiou a Reuters.

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