Sul-Africanos Lutam contra ‘Infodemia’ Viral

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EQUIPA DA ADF

Sarah Downs saltou para a sua página do Facebook depois de o governo da África do Sul ter anunciado que iria dar continuidade com a sua campanha de vacinação contra a COVID-19 em finais de Abril, depois de uma pausa de duas semanas.

“Boa notícia,” publicou. “Certifica-te de estar subscrito. Se tiver preocupações, pergunte.”

A residir próximo de Joanesburgo, Downs é uma cientista que está a alguns meses de terminar o seu doutoramento em doenças respiratórias contagiosas.

Com 39 anos de idade, não tem muito tempo livre para navegar nas redes sociais, mas é lá onde ela se encontra, com um pequeno exército de voluntários, a combater a desinformação sobre a COVID-19, respondendo diligentemente às perguntas e desconstruindo as conspirações, ao mesmo tempo que promove a ciência e a alfabetização mediática.

“Quase todos os dias recebo uma mensagem de um amigo ou fico envolvida numa conversa sobre a questão [da desinformação],” disse à ADF.

Downs foi convidada a juntar-se ao grupo privado do Facebook chamado Pro-Vacinação África do Sul, em 2016, quando estava a propagar-se a desinformação sobre a vacina contra o sarampo. Ela começou a dar respostas fundamentadas e estruturadas às perguntas da comunidade, que agora totaliza mais de 7.000 utilizadores.

“Um dos administradores pediu que eu me juntasse à equipa dos administradores — três enfermeiros, três médicos, um farmacêutico, uma mãe e dois cientistas,” disse. “O administrador principal fez com que eu ganhasse uma paixão em combater a desinformação. Muitos de nós, embora nunca nos tenhamos encontrado pessoalmente, tornamo-nos bons amigos e um sistema de apoio.

“Existem aproximadamente três a seis publicações por dia, geralmente de mães, a fazerem perguntas sobre vacinas. A COVID-19 definitivamente ampliou a desinformação.”

Dos aproximadamente 60 milhões de pessoas na África do Sul, estima-se que 20.000 estejam activas nas páginas do Facebook contra a vacinação, de acordo com a Professora Hannelie Meyer, farmacêutica e conselheira do Centro da Vacina e Imunização da África do Sul.

“A pausa na implementação da vacina contra a COVID-19 demonstra que a monitoria da segurança da vacina funciona extremamente bem, e num mundo perfeito isso edificaria a confiança do público em relação à vacinação,” disse Meyer à página da internet sul-africana News24. “Entretanto, não vivemos num mundo perfeito, por isso, a pausa pode potencialmente ser perigosa para a confiança da vacina no geral e subsequentemente a hesitação da vacina irá aumentar.”

Com mais de 1,5 milhões de casos de COVID-19 e mais de 54.000 mortes, a pandemia atingiu a África do Sul de uma maneira muito mais forte do que em qualquer outro país do continente.

Downs e outros especialistas anónimos oferecem o seu tempo como voluntários, para refutar a desinformação viral, também conhecida como “infodemia.” Ela observou o movimento anti-vacina, que cresceu online ao longo dos anos, a mudar para afirmações sobre a COVID-19, em 2020.

Em Julho de 2020, algumas das teorias de maior destaque chegaram à Downs quando o grupo de oração da sua mãe partilhou um vídeo anti-vacina que viralizou.

“Elas são pessoas que eu conheci e estão, na maioria das vezes, em grupos de alto risco,” disse. “O vídeo dizia que as pessoas que recebem vacinas de mARN [ácido ribonucleico mensageiro] não serão mais humanas e podem ser controladas através de Wi-Fi como uma casa inteligente.

“Eu realmente odeio quando o medo é colocado nas pessoas dessa forma.”

Downs dissecou o vídeo ponto por ponto numa publicação do Facebook de mais de 4.000 palavras, com uma lista de links no fundo. A publicação foi partilhada centenas de vezes.

“Fui capaz de ajudar algumas pessoas que tinham sido realmente enganadas,” disse. “No grupo, colectivamente, fizemos a mesma coisa.”

O Ministério da Saúde da África do Sul recentemente fez uma campanha publicitária para combater os mitos relacionados com a COVID-19. Mas a desinformação leva directamente à hesitação da vacina e é particularmente difícil lutar quando se trata de fontes oficiais.

Em Dezembro de 2020, o Juiz Presidente do Tribunal Supremo da África do Sul, Mogoeng Mogoeng, orou num evento público que “qualquer vacina proveniente do diabo… seja destruída pelo fogo,” pronunciamentos que ele não aceitou retirar apesar das críticas.

Em Janeiro de 2021, um vereador duma cidade costeira do leste de Durban, tornou-se notícia de destaque, com afirmações de que não era a COVID-19 que estava a matar as pessoas, mas sim as antenas de telefonia móvel 5G. Ele disse que os brancos em certas partes da província tinham sido vacinados cinco meses antes.

“A desinformação propaga-se de forma muito rápida, especialmente nas redes sociais,” disse Meyer. Isso “alimenta a hesitação da vacina e a negação da vacina entre as pessoas que não confirmam a informação e indiscriminadamente partilham a informação nas suas próprias redes.

“Isso tem o potencial de provocar um impacto devastador na saúde pública.”

Felizmente, especialistas como Downs estão a trabalhar incansavelmente para combater a desinformação com ciência, opiniões de especialistas e factos.

“Eu sou uma de muitos,” disse. “Quanto mais as pessoas o fazem a nível local, melhor é a rede de confiança.”

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